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THC Reduz Pesadelos Ligados a Traumas em Estudo com Pessoas com TEPT

há 5 dias
4 min de leitura

Para algumas pessoas com transtorno de estresse pós-traumático, o trauma não termina quando elas acordam: ele volta durante o sono. Agora, um estudo clínico sugere que uma forma farmacêutica de THC pode reduzir a frequência e a intensidade desses pesadelos.


Pesadelos são um dos sintomas mais marcantes do transtorno de estresse pós-traumático, uma condição que pode surgir depois que uma pessoa vivencia ou testemunha um acontecimento traumático. Esses sonhos podem fazer a pessoa reviver partes do trauma durante o sono, provocando medo, ansiedade e interrupções frequentes do descanso. 


Embora existam tratamentos para o transtorno de estresse pós-traumático, os medicamentos disponíveis especificamente para os pesadelos ainda são limitados. Por isso, pesquisadores investigaram se o tetra-hidrocanabinol, mais conhecido como THC, poderia ajudar a diminuir esses sintomas.


O estudo foi realizado em vários centros de pesquisa e envolveu 171 adultos com transtorno de estresse pós-traumático e pesadelos recorrentes. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: 87 receberam dronabinol, um medicamento que contém THC, e 84 receberam um placebo, uma substância sem o princípio ativo estudado. O medicamento ou placebo era tomado uma vez por dia, antes de dormir, durante dez semanas. 



O estudo foi duplo-cego, o que significa que nem os participantes nem os pesquisadores que acompanhavam diretamente os pacientes sabiam quem estava recebendo o medicamento e quem estava recebendo placebo. Essa estratégia reduz a possibilidade de que expectativas dos participantes ou dos pesquisadores influenciem os resultados.


A quantidade de dronabinol não era igual para todos. Os participantes começaram com uma dose baixa, entre 2,5 e 15 miligramas, que podia variar de acordo com o tratamento. Para saber se o medicamento estava funcionando, os pesquisadores avaliaram os pesadelos antes do início do estudo e novamente depois de dez semanas. Eles utilizaram uma escala clínica específica para o transtorno de estresse pós-traumático. 


Um dos itens dessa escala mede justamente com que frequência os pesadelos acontecem e quão intensos eles são. Assim, em vez de simplesmente perguntar se a pessoa estava “melhor”, os pesquisadores tinham uma maneira padronizada de comparar a intensidade dos sintomas antes e depois do tratamento.



Depois de dez semanas, os participantes que receberam dronabinol apresentaram uma redução maior na frequência e na intensidade dos pesadelos do que aqueles que receberam placebo. A diferença entre os dois grupos foi estatisticamente significativa, indicando que, dentro deste estudo, a melhora observada com o dronabinol foi maior do que a observada com o placebo. O tamanho dessa diferença também foi considerado relevante pelos pesquisadores. 


Em outras palavras, os resultados sugerem que o THC, administrado na forma de dronabinol, pode ter um efeito específico sobre os pesadelos relacionados ao transtorno de estresse pós-traumático.


Mas o estudo também encontrou uma questão importante relacionada à segurança. Efeitos adversos, ou seja, efeitos indesejados durante o tratamento, ocorreram em 89,7% das pessoas que receberam dronabinol e em 77,1% das que receberam placebo. Cinco participantes do grupo que recebeu dronabinol interromperam o tratamento por causa desses efeitos, enquanto isso aconteceu com seis pessoas do grupo placebo. 



Além disso, sete participantes que receberam dronabinol tiveram eventos adversos considerados graves, enquanto nenhum evento desse tipo ocorreu no grupo placebo. Os pesquisadores observaram com maior frequência efeitos colaterais moderados e leves, como tontura, dor de cabeça ou aumento do apetite.


Portanto, embora os resultados indiquem uma redução dos pesadelos, eles não significam que o THC seja uma solução simples ou adequada para todas as pessoas com transtorno de estresse pós-traumático. Os próprios pesquisadores destacam que ainda são necessários estudos maiores e, principalmente, estudos que acompanhem os pacientes por mais tempo para entender melhor os benefícios e os riscos do tratamento a longo prazo.



LEIA MAIS: 


Dronabinol for nightmares in post-traumatic stress disorder: a randomized controlled trial 

Stefan Roepke, Nikola Schoofs, Kathlen Priebe, Felix Wuelfing, Kristina Meyer, Astrid Gieselmann, Katharina Stieglbauer, Milagros Galve, Sarah Biedermann, Jürgen Gallinat, Ingo Schäfer, Christian Schmahl, Jenny Zähringer, Robert Roehle, Erin D. Sprünken, Tim Friede, Stefan M. Gold, Tolou Maslahati, Christian Otte, and Stefanie Koglin

Nature Medicine, volume 32, pages 3396–3405 (2026) 

DOI:10.1038/s41591-026-04546-9


Abstract: 


Nightmares are a hallmark of post-traumatic stress disorder (PTSD), yet pharmacological treatments remain limited. Here we conducted a multicenter, double-blind, randomized, placebo-controlled trial to evaluate the efficacy and safety of dronabinol (BX-1; Δ9-tetrahydrocannabinol (THC)) for PTSD-related nightmares. Adults with PTSD and recurrent nightmares were randomly assigned to receive dronabinol (2.5–15 mg) or placebo, once daily before bedtime, for 10 weeks. The primary endpoint was change from baseline to week 10 in the Clinician-Administered PTSD Scale for DSM-IV (CAPS-IV) B2 item assessing nightmare frequency and intensity. A total of 171 patients underwent randomization (mean age, 37.9 ± 12.8 years; 79.3% female), with 87 assigned to dronabinol and 84 to placebo. At week 10, reduction in CAPS-IV B2 scores was significantly greater with dronabinol than with placebo (between-group difference −1.50; 95% confidence interval −2.28 to −0.71; Cohen’s d = 0.65; P < 0.001). Adverse events occurred in 78 patients (89.7%) receiving dronabinol and 64 (77.1%) receiving placebo. Treatment discontinuation due to adverse events occurred in five (5.7%) and six (7.2%) patients, respectively. Serious adverse events occurred in seven patients (8.0%) receiving dronabinol and in none receiving placebo. This trial provides evidence that dronabinol reduces the frequency and intensity of PTSD-related nightmares, although long-term efficacy and safety require further evaluation. ClinicalTrials.gov: NCT04448808.

 
 
 

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