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Sem Cafeína, Sem Açúcar: Água Com Gás Pode Ajudar o Cérebro a Tesistir ao Cansaço Mental em Gamers

  • há 22 horas
  • 5 min de leitura

Pesquisadores investigaram se a água com gás poderia reduzir a fadiga mental durante longas sessões de jogos eletrônicos. Quinze jogadores participaram de duas sessões de três horas jogando futebol virtual, bebendo água com gás em uma sessão e água comum na outra. A água com gás reduziu a sensação de cansaço, manteve a capacidade de atenção e evitou sinais fisiológicos de fadiga, como a contração da pupila. Os efeitos ocorreram sem alterações nos níveis de açúcar no sangue ou hormônios do estresse, sugerindo que a bebida pode ajudar a manter o cérebro alerta sem os riscos associados à cafeína ou ao açúcar.


A fadiga mental é um problema comum na vida moderna. Muitas atividades do dia a dia exigem concentração prolongada, como trabalhar em frente ao computador, dirigir por longos períodos ou jogar videogames competitivos. Com o tempo, o cérebro começa a mostrar sinais de cansaço, o que pode reduzir a capacidade de prestar atenção, tomar decisões e reagir rapidamente. 


Curiosamente, esse tipo de fadiga nem sempre é percebido imediatamente pela pessoa. Em alguns casos, o desempenho cognitivo já está diminuindo antes mesmo de surgir a sensação consciente de cansaço.


Os esportes eletrônicos, conhecidos como eSports, são um bom exemplo de atividade que exige grande esforço mental. Diferente dos esportes tradicionais, que dependem muito do preparo físico, os eSports exigem atenção constante, raciocínio rápido, memória, coordenação visual e capacidade de alternar rapidamente entre diferentes tarefas. 



Pesquisas anteriores já mostraram que jogar videogames competitivos por cerca de três horas pode reduzir a velocidade e a precisão do pensamento, além de causar alterações em indicadores fisiológicos do cérebro, como mudanças no diâmetro da pupila. Esses sinais indicam que o cérebro está ficando mentalmente fatigado.


Para lidar com esse cansaço mental, muitos jogadores recorrem a bebidas estimulantes, como café ou energéticos. Essas bebidas contêm cafeína e açúcar, substâncias que podem aumentar temporariamente o estado de alerta e melhorar o desempenho em tarefas mentais. 


No entanto, o consumo frequente dessas substâncias pode trazer efeitos negativos para a saúde, incluindo alterações no ritmo cardíaco, problemas de sono, dificuldades no controle da glicose no sangue e até impacto no humor. Por isso, pesquisadores começaram a procurar alternativas mais seguras para ajudar a manter o cérebro alerta durante atividades prolongadas.


Uma possibilidade interessante é a água com gás. Diferente das bebidas energéticas, ela não contém açúcar nem cafeína. Estudos anteriores sugerem que bebidas gaseificadas podem melhorar o humor, aumentar a motivação e reduzir a sensação de sonolência. Além disso, a própria sensação provocada pelas bolhas pode estimular receptores sensoriais na boca e na garganta, o que poderia influenciar áreas do cérebro relacionadas ao estado de alerta.



O mecanismo proposto pelos cientistas envolve o dióxido de carbono presente na água com gás. Quando bebemos essa água, o gás dissolve-se e ativa sensores naturais presentes nos tecidos da boca e da garganta. Esses sensores são responsáveis por detectar sensações como temperatura, ardor ou formigamento.


A ativação desses receptores envia sinais nervosos para regiões profundas do cérebro que ajudam a regular o estado de vigilância e atenção. Essas regiões também se conectam ao córtex pré-frontal, uma área fundamental para o controle do pensamento, tomada de decisões e concentração.


Para investigar se a água com gás realmente poderia ajudar a reduzir a fadiga mental durante jogos eletrônicos, os pesquisadores realizaram um experimento controlado. Quinze jovens adultos que jogavam videogames regularmente participaram do estudo. Cada participante realizou duas sessões de jogo em dias diferentes. 


Em uma sessão, eles beberam água com gás durante o jogo. Na outra, beberam água comum sem gás. Esse tipo de desenho experimental permite comparar diretamente os efeitos da carbonatação, sem a influência de cafeína ou açúcar.


Durante cada sessão, os voluntários jogaram um jogo de futebol virtual por três horas. Os cientistas mediram vários indicadores antes do início do jogo e a cada hora durante a partida. Entre as medidas estavam o nível de cansaço relatado pelos jogadores, o quanto eles estavam se divertindo e testes simples de atenção e controle mental. 


Além disso, sensores acompanharam continuamente o diâmetro da pupila e a frequência cardíaca. Amostras de saliva e sangue também foram coletadas para medir níveis de cortisol, um hormônio ligado ao estresse, e glicose, relacionada à energia no organismo.



Os resultados mostraram diferenças interessantes entre as duas condições. Quando os jogadores beberam água com gás, relataram menos sensação de cansaço e maior prazer durante a partida. Os testes cognitivos indicaram que a capacidade de atenção e controle mental foi preservada por mais tempo. 


Outro achado foi que o diâmetro da pupila, que normalmente diminui quando o cérebro está fatigado, permaneceu mais estável durante as sessões com água com gás. Ao mesmo tempo, não houve mudanças nos níveis de glicose no sangue, no hormônio do estresse ou na frequência cardíaca, sugerindo que o efeito ocorreu sem alterações metabólicas importantes.


Além disso, os jogadores cometeram menos faltas dentro do jogo quando estavam consumindo água com gás, embora o desempenho ofensivo e defensivo geral tenha permanecido semelhante. Isso sugere que a bebida pode ajudar a manter o controle comportamental durante longos períodos de atividade mental. De forma geral, os resultados indicam que a água com gás pode ser uma estratégia simples e segura para reduzir sinais de fadiga cognitiva durante atividades digitais prolongadas.



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Sparkling water consumption mitigates cognitive fatigue during prolonged esports play

Shion Takahashi, Wataru Kosugi, Seiichi Mizuno, and Takashi Matsui 

Computers in Human Behavior Reports. Volume 21, March 2026, 100943

DOI:10.1016/j.chbr.2026.100943


Abstract:


Prolonged esports play induces cognitive fatigue, characterized by diminished executive function with pupil constriction. Players often rely on caffeinated or sugary drinks to combat fatigue, but regular use poses health risks. Sparkling water, a sugar- and caffeine-free beverage, stimulates brainstem and prefrontal activity via sensory pathways potentially mediated by transient receptor potential (TRP) channels in the throat. This study tested the hypothesis that sparkling water mitigates cognitive fatigue during prolonged esports play. Fifteen young adult players participated in a randomized crossover trial, each completing two 3-h sessions of a virtual football game while consuming either sparkling water or plain water. Subjective fatigue, enjoyment, and executive function (via a flanker task) were measured at baseline and hourly, while pupil diameter and heart rate were monitored continuously. Blood glucose and salivary cortisol were assessed periodically. Compared to plain water, sparkling water significantly attenuated increases in subjective fatigue, enhanced enjoyment, and preserved executive function, along with preventing pupil constriction. Heart rate, blood glucose, and salivary cortisol levels did not differ between conditions. Notably, players committed fewer in-game fouls with sparkling water, while offensive and defensive performance remained unchanged. These findings demonstrate that sparkling water contribute to alleviate both subjective and objective signs of cognitive fatigue during prolonged esports play, consistent with our hypothesis. This non-caffeinated intervention may help sustain inhibitory control and promote fair behavior, offering a safe and sustainable strategy for managing mental fatigue in modern life.

 
 
 

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