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Como a Ansiedade Social Muda Nossa Forma De Analisar Expressões Faciais De Outras Pessoas

  • 16 de abr.
  • 4 min de leitura

Você já se perguntou se todo mundo enxerga as expressões faciais da mesma forma que você? E se algumas pessoas estivessem constantemente “escaneando” rostos em busca de sinais de rejeição sem nem perceber? Este estudo revela que pessoas com ansiedade social não apenas sentem mais ansiedade, elas literalmente olham para os outros de maneira diferente. Com a ajuda de tecnologia que rastreia o movimento dos olhos, os cientistas descobriram padrões surpreendentes que mostram como o cérebro ansioso interpreta emoções, especialmente as negativas. Os resultados podem mudar a forma como entendemos as interações sociais e abrir caminhos para tratamentos mais eficazes. Vale a pena mergulhar nessa descoberta


A ansiedade social é um transtorno que faz com que as pessoas se sintam intensamente desconfortáveis em situações sociais, principalmente por medo de julgamento ou rejeição. Um aspecto essencial dessas interações é a capacidade de interpretar expressões faciais, que nos ajudam a entender o que os outros estão sentindo. 


No entanto, pessoas com ansiedade social podem perceber essas expressões de forma diferente. Este estudo investigou exatamente isso: como indivíduos com ansiedade social analisam rostos e emoções, especialmente quando essas expressões estão em movimento, como acontece na vida real.


Normalmente, quando olhamos para um rosto, nossos olhos se movem de forma relativamente estável entre regiões importantes, como olhos e boca, permitindo interpretar emoções com precisão. Esse processo acontece de maneira automática e eficiente. Porém, em pessoas com ansiedade social, acredita-se que exista um padrão chamado hipervigilância, no qual o indivíduo examina o rosto de forma mais intensa e rápida, como se estivesse constantemente procurando sinais de ameaça ou rejeição. 



Grande parte das pesquisas anteriores utilizava apenas imagens estáticas, ou seja, fotografias de rostos. Embora úteis, essas imagens não representam totalmente a realidade, já que na vida cotidiana as expressões faciais estão em constante movimento. Isso limita a compreensão de como as pessoas realmente processam emoções em situações sociais reais. Este estudo buscou superar essa limitação ao incluir tanto imagens estáticas quanto vídeos curtos com expressões dinâmicas.


O estudo contou com cinquenta e seis participantes, divididos em dois grupos: um grupo sem ansiedade social e outro com sintomas de ansiedade social. Os participantes foram expostos a diferentes rostos que expressavam emoções como alegria, tristeza, raiva e nojo. Essas expressões foram apresentadas em diferentes níveis de intensidade, desde muito sutis até muito evidentes, tanto em imagens paradas quanto em vídeos curtos.


Durante a tarefa, os participantes precisavam identificar qual emoção estava sendo expressa. Ao mesmo tempo, um equipamento de rastreamento ocular registrava exatamente para onde eles olhavam, quantas vezes seus olhos se moviam e quanto tempo permaneciam fixos em cada ponto do rosto.



Os pesquisadores analisaram dois aspectos principais do movimento dos olhos: o número de vezes que o olhar se fixava em diferentes partes do rosto e a duração dessas fixações. Esses dados permitem entender não apenas se a pessoa reconhece corretamente a emoção, mas também como ela processa visualmente a informação. Comparando os dois grupos, foi possível identificar padrões específicos associados à ansiedade social.


Os resultados mostraram que pessoas com ansiedade social apresentaram um padrão diferente de análise visual, especialmente quando observavam rostos em movimento. Elas moviam os olhos com mais frequência, mas permaneciam menos tempo em cada ponto, indicando um padrão de observação rápida e constante. Esse comportamento é característico da hipervigilância, como se o cérebro estivesse sempre “escaneando” o ambiente em busca de possíveis ameaças.



Além disso, essas pessoas demonstraram maior sensibilidade para reconhecer tristeza,  especialmente quando essa emoção era apresentada de forma sutil. Isso sugere uma tendência a perceber mais facilmente sinais negativos, o que pode contribuir para a manutenção da ansiedade social.


O estudo mostra que a ansiedade social não afeta apenas o que a pessoa sente, mas também como ela percebe e interpreta o mundo ao seu redor. A forma como os olhos se movem revela um padrão de atenção diferenciado, voltado para a detecção rápida de possíveis sinais negativos. 


Além disso, o uso de expressões faciais em movimento se mostrou mais eficaz para captar essas diferenças, aproximando a pesquisa da vida real. Esses achados podem ajudar no desenvolvimento de tratamentos mais direcionados, focados em modificar padrões de atenção e percepção.



LEIA MAIS:


Hypervigilance to dynamic and static facial expressions in social anxiety: An eye-tracking study

Claudino RG, Garcia RB, and Torro-Alves N

Psychology & Neuroscience, 18(4), 338–348. 2025 


Abstract:


Research has shown attentional bias and hypervigilance in individuals with social anxiety during the observation of emotional facial expressions, particularly with static stimuli. We investigated the recognition of dynamic and static facial expressions and eye-tracking correlates. Method: Participants were 56 volunteers divided into a control group and a social anxiety group (SAG). Stimuli were emotional faces of joy, disgust, anger, and sadness presented in four emotional intensities (25%, 50%, 75%, 100%) statically and dynamically. During the emotion recognition task, binocular eye movements were registered, and the number and duration of eye fixations were analyzed. Results: The SAG had a higher recognition rate only for low-intensity (25%) sadness. Both groups had a larger number of fixations for static than dynamic stimuli, as well as longer fixations for dynamic than static stimuli. Significant differences between groups were observed with dynamic stimuli, since the SAG presented a larger number of fixations and shorter durations than the control group. Conclusions: Our results revealed a negative bias toward sadness and a hypervigilance pattern during the evaluation of emotional faces, which suggests that using dynamic facial expressions may be more adequate for investigating social anxiety disorder in the future. (PsycInfo Database Record (c) 2025 APA, all rights reserved)

 
 
 

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