Quer Lidar Melhor Com o Estresse? Seus Hábitos Diários Podem Ser a Chave
- 26 de mar.
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Hábitos simples como dormir bem, se alimentar melhor e se exercitar estão ligados a uma maior capacidade de lidar com o estresse. Parte desse efeito acontece porque esses comportamentos fortalecem a flexibilidade psicológica, uma habilidade essencial para se adaptar a desafios.
Lidar com o estresse é um desafio comum, especialmente entre jovens adultos que enfrentam mudanças, pressões acadêmicas e decisões sobre o futuro. A ciência tem buscado entender por que algumas pessoas conseguem se adaptar melhor a essas dificuldades do que outras.
Mais do que apenas traços de personalidade, hábitos do dia a dia, como alimentação, sono e atividade física, podem ter um papel importante na forma como reagimos às adversidades. Este estudo explora exatamente como esses fatores se conectam e influenciam a capacidade de enfrentar desafios com equilíbrio.
O objetivo principal desta pesquisa foi investigar como a qualidade da alimentação, os hábitos de vida e uma habilidade mental chamada flexibilidade psicológica se relacionam com a resiliência. A resiliência é a capacidade de lidar com dificuldades, se recuperar de situações estressantes e continuar funcionando bem. Já a flexibilidade psicológica envolve conseguir adaptar pensamentos e comportamentos diante de desafios, sem ficar preso a emoções negativas.

Para isso, os pesquisadores analisaram dados de mais de 400 estudantes universitários nos Estados Unidos, a maioria jovens com cerca de 19 anos. Os participantes responderam a um questionário online anônimo, no qual forneceram informações sobre sua alimentação, rotina, hábitos de saúde e bem-estar emocional.
Os cientistas utilizaram um método estatístico avançado para entender como todos esses fatores estavam conectados. Esse tipo de análise permite observar não apenas relações diretas, mas também como uma variável pode influenciar outra indiretamente, por meio de um terceiro fator, neste caso, a flexibilidade psicológica.
Os resultados mostraram que alguns hábitos simples do dia a dia estavam ligados a uma maior capacidade de lidar com o estresse. Por exemplo, tomar café da manhã com frequência e evitar o consumo excessivo de fast food foram associados a níveis mais altos de resiliência. Essa relação aconteceu porque esses hábitos parecem favorecer a flexibilidade psicológica, que por sua vez melhora a forma como a pessoa enfrenta dificuldades.

Por outro lado, alguns fatores estiveram associados a uma menor resiliência. Dormir menos de seis horas por noite foi um dos principais pontos negativos, indicando que a falta de sono pode prejudicar tanto o equilíbrio emocional quanto a capacidade de adaptação.
Além disso, dentro da amostra estudada, mulheres apresentaram, em média, níveis um pouco mais baixos de resiliência quando essa habilidade foi analisada em conjunto com a flexibilidade psicológica.
O estudo também identificou fatores que influenciam a resiliência de forma mais direta, sem depender dessa flexibilidade mental. Praticar exercícios físicos diariamente, consumir certos alimentos ricos em nutrientes (como fontes de óleo de peixe) e buscar maior nível de educação estiveram associados a uma maior capacidade de lidar com desafios. Em contraste, o uso de maconha apareceu como um fator relacionado a menor resiliência.

De forma geral, os resultados indicam que a flexibilidade psicológica desempenha um papel central na forma como lidamos com o estresse. Ela funciona como uma ponte entre hábitos saudáveis e bem-estar emocional. Isso sugere que desenvolver essa habilidade, junto com a adoção de uma rotina equilibrada, pode ser uma estratégia eficaz para fortalecer a resiliência e melhorar a qualidade de vida.
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Dietary and lifestyle factors and resilience: the role of psychological flexibility as a mediator
Lina Begdache, Jason Cherry, and Alexander J. Talkachov
Journal of American College Health. 30 December 2025, 1–12.DOI: 10.1080/07448481.2025.2597907
Abstract:
Objective: This study examines the relationship between diet quality, lifestyle factors, psychological flexibility, and resilience, with a focus on the potential mediating role of psychological flexibility. Participants: A total of 401 college student records were assessed, with approximately 58% identifying as female and a mean age of 19 years. Method: An anonymous online survey was distributed over social media platforms targeting U.S. colleges. The associations between the variables were tested using structural equation modeling (SEM) in Mplus software. Results: Eating breakfast five or more times per week (b = 0.12, 95% CI = [0.035, 0.229], B = 0.14), and consuming fast food three or fewer times per week (b = 0.09, 95% CI = [0.001, 0.196], B = 0.10) were associated with increased resilience through psychological flexibility processes. In contrast, female gender (b = −0.11, 95% CI = [−0.222, −0.023], B = −0.13) and getting fewer than 6 h of sleep at night (b = −0.10, 95% CI = [−0.342, −0.100], B = −0.24) were associated with lower resilience through psychological flexibility processes. Independent of psychological flexibility, consuming fish oil four or more times per week (b = 0.41, p = .017), exercising more than 20 min daily (B = 0.22, p = .032), alcohol consumption (B = 0.29, p = .003), and pursuing a higher degree (B = 0.15, p = .014) were directly associated with higher resilience, while marijuana use (B = −0.42, p < .001), was directly associated with lower resilience. Conclusion: There is a direct positive association between psychological flexibility and resilience, suggesting that psychological flexibility may be a predictor of higher resilience.



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