Nova Terapia Para Depressão e Ansiedade Pode Acelerar o Retorno ao Trabalho
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Pesquisadores testaram uma terapia psicológica que combina tratamento da depressão e ansiedade com estratégias práticas para ajudar pacientes a voltar ao trabalho. Em um estudo com 236 pessoas afastadas por problemas de saúde mental, quase o dobro dos pacientes que receberam o tratamento imediatamente conseguiu retornar ao trabalho em comparação com aqueles que aguardaram na lista de espera. Além disso, os participantes apresentaram grande redução nos sintomas emocionais. A abordagem pode representar uma nova forma de reduzir licenças médicas prolongadas e seus custos para a sociedade.
Depressão e ansiedade estão entre os problemas de saúde mental mais comuns no mundo. Além de causar sofrimento emocional, esses transtornos podem afetar profundamente a vida cotidiana das pessoas, dificultando atividades básicas, relações sociais e o desempenho no trabalho.
Quando os sintomas se tornam mais intensos, muitas pessoas precisam se afastar temporariamente de suas atividades profissionais. Isso não afeta apenas os indivíduos, mas também a economia: estima-se que problemas de saúde mental causem perdas globais de produtividade de cerca de um trilhão de dólares por ano.
Um dos desafios é que o afastamento prolongado do trabalho pode piorar ainda mais a situação. O trabalho, quando realizado em condições adequadas, costuma oferecer rotina, propósito e contato social, fatores que ajudam a proteger a saúde mental. Quando a pessoa fica afastada por muito tempo, pode surgir um ciclo difícil de quebrar: os sintomas dificultam o retorno ao trabalho, e a ausência do trabalho contribui para manter ou agravar os sintomas.

Embora existam várias formas de psicoterapia para tratar depressão e ansiedade, muitas delas têm efeito limitado quando o objetivo é ajudar as pessoas a voltar ao trabalho. Em muitos casos, apenas cerca de metade dos pacientes apresenta melhora significativa dos sintomas, e o retorno às atividades profissionais continua sendo um desafio.
Por isso, pesquisadores vêm tentando desenvolver tratamentos que não apenas reduzam os sintomas emocionais, mas que também ajudem diretamente na reintegração ao trabalho.
Neste estudo, os cientistas testaram uma abordagem chamada terapia metacognitiva com foco no trabalho. A terapia metacognitiva procura ajudar as pessoas a mudar a forma como lidam com seus próprios pensamentos. Em vez de tentar modificar o conteúdo dos pensamentos negativos, a terapia ensina estratégias para evitar ciclos de preocupação excessiva, ruminação e autocobrança, padrões mentais que costumam manter a ansiedade e a depressão.

No estudo, essa abordagem foi combinada com sessões específicas voltadas para o retorno ao trabalho, nas quais os pacientes analisavam sua situação profissional, identificavam dificuldades e planejavam um retorno gradual às atividades.
Para avaliar se o tratamento funcionava, os pesquisadores realizaram um estudo clínico com 236 adultos na Noruega que estavam afastados do trabalho devido à depressão ou ansiedade. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um grupo começou a terapia imediatamente.
O outro grupo precisou aguardar entre oito e doze semanas antes de iniciar o tratamento, funcionando como grupo de comparação. Durante esse período, os pesquisadores acompanharam os participantes por meio de questionários sobre sintomas de ansiedade e depressão e também analisaram registros oficiais de licenças médicas para verificar quem havia retornado ao trabalho.

Após doze semanas, os resultados mostraram diferenças claras entre os grupos. Cerca de 39% das pessoas que receberam a terapia imediatamente já haviam retornado ao trabalho, enquanto apenas 20% das pessoas que aguardaram o tratamento conseguiram voltar nesse mesmo período. Além disso, os pacientes que participaram da terapia apresentaram reduções significativamente maiores nos sintomas de depressão e ansiedade. Nenhum efeito colateral grave foi relatado durante o estudo.
Os resultados sugerem que integrar o tratamento psicológico com estratégias específicas para o retorno ao trabalho pode ser uma forma eficaz de ajudar pessoas com depressão e ansiedade a se recuperarem. Se essa abordagem for aplicada em larga escala, pode não apenas melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas também reduzir significativamente os custos sociais e econômicos associados ao afastamento prolongado do trabalho.
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Metacognitive therapy and work-focus for patients with depression, anxiety or comorbid depression and anxiety on sick leave: a single-centre, open-label randomised controlled trial
Ragne G.H. Gjengedal, Marit Hannisdal, Kåre Osnes, Silje E. Reme, Adrian Wells, Roland Blonk, Hilde D. Lending, Sverre U. Johnson, Suzanne E. Lagerveld, Frederick Anyan, Hans M. Nordahl, Romée B.T.W. Gerritsen, Marianne T. Bjørndal, Danielle Wright, Kenneth Sandin, Kjersti S. Bjøntegård, Jørund Schwach, and Odin Hjemdal
eClinicalMedicine. Volume 89103613. November 2025
DOI: 10.1016/j.eclinm.2025.103613
Abstract:
Employment is a key determinant of health, but mental health treatments have limited success on return-to-work (RTW) in depression and anxiety. We investigated the effectiveness of metacognitive therapy combined with work-focused components (MCT + WF) to improve RTW and reduce anxiety and depression in patients on sick leave. This single-centre, open-label, randomised controlled trial was conducted at an outpatient clinic (Diakonhjemmet Hospital) in Norway. Eligible patients were adults on sick leave with depression and/or anxiety. Patients with severe mental disorder or substance abuse were excluded. Participants were randomly assigned using computer-generated block randomisation, stratified by gender and percentage of sick leave, to receive either immediate MCT + WF or delayed MCT + WF after 8–12 weeks on a waitlist. Outcome assessors were blinded. Primary outcomes were depression (BDI-II), anxiety (BAI), and RTW at 12 weeks. Sick leave data were obtained from a national registry and self-report; symptoms were self-reported. Analyses followed the intention-to-treat principle, including all randomised participants. This trial was registered with ClinicalTrials.gov, NCT03301922. Between Sept 11, 2017, and Nov 17, 2020, 236 patients were enrolled and randomly assigned to immediate MCT + WF (n = 121) or waitlist (n = 115). At 12 weeks, logistic regression of registry data showed significantly higher RTW in the immediate MCT + WF group (39%; 47/121) than in the waitlist group (20%; 23/115; OR = 2.39, 95% CI 1.32–4.32; p = 0.0040), consistent with self-reported RTW (42% (51/121) versus 18% (20/114); OR = 3.44, 95% CI: [1.87, 6.35], p < 0.0001). Multilevel models revealed greater reductions in anxiety (time × group interaction coefficient = −8.35, 95% CI –10.61 to −6.09; p < 0.0001) and depression (−10.84, 95% CI –13.25 to −8.44; p < 0.0001) for immediate MCT + WF versus waiting. No serious adverse events were reported during the study. Immediate MCT + WF significantly improved RTW and reduced symptoms of depression and anxiety compared with waiting. Generalisability may be constrained by Norway's welfare system; strengths include registry data and naturalistic outpatient setting. The favourable outcomes suggest that MCT + WF could be integrated into mental health care. The study was funded by the South-Eastern Norway Regional Health Authority and DAM foundation-Mental Health, Diakonhjemmet Hospital.



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