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O Preço Invisível do Futebol Americano: Estudo Revela Risco Muito Maior de Doenças Neurodegenerativas Em Ex-Jogadores

  • 4 de ago.
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Eles eram alguns dos atletas mais fortes e preparados do mundo. Mesmo vivendo mais do que a população em geral, ex-jogadores da principal liga de futebol americano apresentaram um risco até quatro vezes maior de morrer por doenças neurodegenerativas. Entenda como os cientistas chegaram a essa conclusão e por que as pancadas repetidas na cabeça podem deixar marcas décadas depois.


O futebol americano é um dos esportes mais populares do mundo, mas também um dos que mais expõem os atletas a impactos repetidos na cabeça. Nem sempre essas pancadas provocam uma concussão evidente. Muitas vezes são golpes aparentemente "normais" do jogo, que acontecem centenas ou até milhares de vezes ao longo da carreira de um atleta. 


Nos últimos anos, cientistas passaram a suspeitar que esse acúmulo de pequenos traumas pudesse aumentar o risco de doenças cerebrais na velhice. Agora, um dos maiores estudos já realizados sobre o tema trouxe evidências ainda mais fortes dessa associação.


Para investigar essa hipótese, pesquisadores reuniram informações de praticamente todos os jogadores que atuaram na principal liga de futebol americano dos Estados Unidos entre 1960 e 2019. No total, foram acompanhados quase vinte mil atletas durante décadas, acumulando mais de meio milhão de anos de acompanhamento quando se somam todos os participantes. 


Em vez de entrevistar familiares ou analisar apenas casos famosos, como ocorreu em muitos estudos antigos, os cientistas cruzaram os registros oficiais dos jogadores com o banco nacional de óbitos dos Estados Unidos. Assim, conseguiram identificar de forma muito mais precisa as causas de morte de cada atleta.



Os pesquisadores então compararam essas informações com as da população americana em geral. Para que a comparação fosse justa, eles levaram em consideração fatores importantes como idade, sexo, raça e o período histórico em que cada pessoa viveu.


Isso é fundamental porque ex-atletas costumam apresentar menos obesidade, fumam menos, praticam mais atividade física e, por isso, normalmente vivem mais do que a média da população. Sem esse ajuste, seria difícil saber se um risco maior para doenças neurológicas realmente estava relacionado aos impactos sofridos durante a carreira.


Além dessa comparação, a equipe utilizou modelos estatísticos bastante sofisticados para responder a uma pergunta importante: será que esses jogadores pareciam ter mais doenças neurodegenerativas apenas porque morriam menos de outras causas, como doenças cardíacas ou câncer?


Para testar essa possibilidade, os pesquisadores criaram simulações matemáticas que estimavam quanto esse "efeito de sobrevivência" poderia influenciar os resultados. Mesmo após descontar essa vantagem dos atletas, o risco permaneceu muito elevado, tornando a conclusão muito mais confiável.



Os resultados chamaram bastante atenção. Embora os ex-jogadores apresentassem uma mortalidade geral cerca de 30% menor do que a população, eles tinham quase quatro vezes mais risco de morrer por doenças neurodegenerativas.


Entre elas estavam diferentes tipos de demência, doença de Parkinson e esclerose lateral amiotrófica, uma doença rara e progressiva que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos. Mesmo após todas as correções estatísticas, o risco permaneceu aproximadamente três vezes maior do que o esperado. 


Mas por que isso acontece? A explicação mais aceita é que o cérebro responde aos impactos repetidos com pequenas lesões que se acumulam ao longo dos anos. Essas lesões podem provocar inflamação persistente, danos às conexões entre os neurônios e acúmulo de proteínas anormais, alterações que também aparecem em doenças como Alzheimer e outras formas de demência. O problema é que essas mudanças podem permanecer silenciosas durante décadas, surgindo apenas muitos anos depois do fim da carreira esportiva.



Os autores ressaltam que o estudo não significa que todo jogador desenvolverá uma doença neurodegenerativa. Muitos atletas nunca apresentarão esses problemas. No entanto, os resultados mostram que a exposição repetida a impactos na cabeça representa um importante fator de risco que merece atenção.


As descobertas reforçam a necessidade de aperfeiçoar capacetes, modificar regras para reduzir colisões, melhorar o diagnóstico de lesões cerebrais e acompanhar os atletas durante toda a vida. Mais do que mudar um esporte, esse conhecimento pode ajudar a proteger milhões de pessoas expostas repetidamente a impactos na cabeça, incluindo militares, profissionais de algumas áreas e praticantes de esportes de contato.



LEIA MAIS:


Neurodegenerative Mortality Among National Football League Players

Adam J. White, Ann C. McKee, Bobak Abdolmohammadi, Brenna Finegan, Charlotte B. Luster, Craig A. Rovito, Daniel H. Daneshvar, Eric J. Connors, Evan D. Feigel, Jesse Mez, Michael J. Mastrodicasa, Michael L. Alosco, Christopher J. Nowinski, and Ross D. Zafonte

eClinicalMedicine, 104051, July 08, 2026

DOI:10.1016/j.eclinm.2026.104051


Abstract: 


Empirical research demonstrates elevated neurodegenerative mortality among individuals with repetitive head impact (RHI) exposure, including National Football League (NFL) players. This investigation addressed prior methodological limitations, including selection bias, subjective diagnoses, and retrospective reporting, by analyzing the relationship between RHI exposure and neurodegenerative mortality in a fully enumerated, 5.8-fold larger cohort of NFL players. A population-based retrospective cohort study was conducted comprising all current and former NFL athletes who debuted between 1960 and 2019 and played at least one regular or postseason NFL game, with National Death Index records (1979-2023) matched to Sports Reference, LLC data. Standardized mortality ratios (SMRs) were calculated from National Institute for Occupational Safety and Health data compared to an age-, sex-, race-, and calendar-year-standardized general population. Sensitivity analysis assessed whether the observed excess neurodegenerative mortality could be attributed to competing risks using a cause-specific hazard simulation. A total of 19,824 athletes had a cumulative 518,833 person-years (mean = 26.2 years, SD = 16.2), with 1994 decedents. NFL players exhibited lower all-cause mortality (SMR = 0.70; 95% CI: 0.67-0.74) but higher neurodegenerative mortality (SMR = 3.94; 95% CI: 3.38-4.56), including amyotrophic lateral sclerosis (SMR = 4.55; 95% CI = 3.13-6.38), all-cause dementia (SMR = 3.80; 95% CI = 3.11-4.60), and Parkinson's disease (SMR = 3.88; 95% CI: 2.76-5.30). Cause-specific hazard simulation indicated that competing risks alone would inflate the expected NDD SMR by a factor of 1.30, yielding a residual neurodegenerative SMR of 3.04 (95% CI: 2.63-3.50). Neurodegenerative mortality was nearly four times higher in NFL players compared to the general population and remained threefold higher after accounting for competing risks. Together, these findings strengthen the evidence for RHI exposure-related neurodegenerative mortality in NFL players that cannot be explained by differential survivorship. The National Institute of Neurological Disorders and Stroke [U54NS115266; U01NS086659], the National Institute on Aging [P30AG13846; P30AG072978], and the Maloney/Carpenter Trauma-Related Neurodegenerative Disease Research Fund.

 
 
 

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