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Entre Palavras e Pensamentos: Sinais da Esquizofrenia na Escrita

  • 24 de mar.
  • 3 min de leitura

Pessoas com esquizofrenia conseguem manter a ideia geral de um texto, mas apresentam dificuldades na forma de escrever, como repetição de palavras, pouca variedade e erros ortográficos. Esses padrões variam de acordo com o tipo de sintomas.


A linguagem é uma das principais formas pelas quais expressamos pensamentos, emoções e experiências. Por isso, alterações na forma de falar ou escrever podem revelar muito sobre o funcionamento do cérebro. Em transtornos mentais como a esquizofrenia, essas mudanças na linguagem são bastante comuns, mas nem sempre fáceis de entender.


Este estudo buscou investigar como os sintomas dessa condição aparecem na escrita das pessoas, ajudando a identificar padrões que podem contribuir para diagnóstico e tratamento.


A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que pode afetar a forma como uma pessoa pensa, percebe a realidade e se comunica. Um dos aspectos mais impactados é a linguagem, especialmente na maneira como ideias são organizadas e transmitidas. Os pesquisadores deste estudo quiseram entender melhor como essas dificuldades aparecem na escrita.



Para isso, eles analisaram textos produzidos por pessoas com esquizofrenia, observando diferentes níveis da linguagem. Um desses níveis envolve a organização geral do texto, ou seja, se a história faz sentido como um todo.


Outro nível diz respeito à forma como frases e palavras se conectam entre si. Também foi avaliada a qualidade da escrita em si, incluindo ortografia e estrutura das palavras.


Os participantes foram convidados a escrever um resumo de uma história específica. Esse tipo de tarefa permite avaliar como a pessoa compreende, organiza e reproduz informações. A partir desses textos, os pesquisadores analisaram padrões de escrita e possíveis dificuldades.



Os resultados mostraram que, de forma geral, os participantes conseguiam manter a ideia principal da história e respeitar a sequência dos acontecimentos. Isso indica que, em um nível mais amplo, a organização do texto ainda estava preservada. No entanto, surgiram dificuldades em níveis mais detalhados.


Na construção das frases, foi comum observar repetição de palavras, pouca variedade no vocabulário e estruturas mais simples. Isso sugere uma limitação na forma de expressar ideias com diversidade e complexidade. Apesar disso, a formação básica das palavras foi mantida, o que indica que certas habilidades linguísticas permanecem intactas.



Outro ponto importante foi a presença de dificuldades na escrita, como erros ortográficos frequentes. Esse padrão apareceu de forma generalizada entre os participantes, indicando que a esquizofrenia pode afetar também aspectos mais técnicos da linguagem escrita.


Além disso, os pesquisadores identificaram diferenças relacionadas ao tipo de sintomas apresentados. Pessoas com sintomas chamados “positivos” (como pensamentos desorganizados ou percepções alteradas) tendiam a ter mais dificuldade em manter a coerência geral do texto. Já aquelas com sintomas “negativos” (como redução da expressão emocional e da iniciativa) apresentaram mais problemas na escrita, com erros mais acentuados.



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Macrotextual, microtextual and writing analysis of texts written by people with schizophrenia differentiated by their symptoms

Alfonso Martínez-Cano, Alberto Martínez-Lorca,  Juan José Criado, and Manuela Martínez-Lorca

Journal of Writing Research, 17(2), 287-308.


Abstract:


Schizophrenia is a severe mental disorder that primarily affects the semantic and pragmatic aspects of language. The aim of this study was to analyze pragmatics at macrotextual, microtextual and writing levels in persons with schizophrenia in order to ascertain the narrative characteristics and determine the nature of such pragmatics according to positive and negative symptomatology. Cross-sectional and quasi-experimental study was conducted on a sample of 41 individuals with schizophrenia. An analysis of textual pragmatics was performed using the participants’ summary of "The Tale of Landolfo Rufolo". Macrotextual coherence was functional in that it presented key plot information and respected the timeline of the story. Microtextual cohesion was characterized by repetitions, low lexical variation, low syntactic complexity and maintained morphology. The participants' writing was consistent with a generalized dysorthographic profile. In addition, the present work revealed significant differences according to symptomatology. Individuals with positive symptomatology showed lower macrotextual coherence, while microtextual cohesion entailed a greater number of words and therefore greater lexical variation. In contrast, those with negative symptomatology presented a greater dysorthographic profile. This study provides a functional overview of written language in persons with schizophrenia, highlighting the need for a multidisciplinary speech and language therapy intervention to enhance such individuals’ quality of life by favoring their social integration. 

 
 
 

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