Depressão: Estudo Encontra Melhora Rápida Após Uma Única Dose de Psicodélico

E se uma única dose de uma substância psicodélica pudesse aliviar sintomas da depressão em apenas 48 horas? Em um pequeno ensaio clínico, pesquisadores observaram uma melhora rápida e benefícios que persistiram por meses em parte dos participantes tratados com psilocibina. Os resultados abrem novas perspectivas para a psiquiatria, mas ainda exigem investigações maiores sobre a eficácia e a segurança desse tratamento.
A depressão pode ser uma condição persistente e difícil de tratar, especialmente quando os sintomas retornam mesmo após diferentes tentativas de tratamento. Por isso, cientistas investigam alternativas que possam produzir uma melhora mais rápida e duradoura.
Uma dessas possibilidades é a psilocibina, substância psicodélica que altera temporariamente a percepção, as emoções e a consciência. Um estudo clínico recente investigou se uma única dose poderia reduzir os sintomas de pessoas com depressão recorrente, ou seja, que já haviam apresentado vários episódios da doença.
A pesquisa foi realizada na Suécia e contou com 35 adultos diagnosticados com depressão moderada a grave. Por sorteio, os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu uma dose única de 25 miligramas de psilocibina, enquanto o outro recebeu 100 miligramas de niacina, uma forma de vitamina B3 utilizada como comparação.

A niacina foi escolhida como um controle ativo porque pode provocar sensações físicas, ajudando a manter os participantes sem saber exatamente qual substância haviam recebido. Além disso, todos participaram de cinco sessões de acompanhamento psicoterapêutico, nas quais receberam orientação e apoio antes e depois da administração das substâncias.
Para avaliar os resultados, os pesquisadores utilizaram uma escala chamada MADRS, desenvolvida para medir a intensidade dos sintomas da depressão. Por meio de perguntas sobre aspectos como tristeza, dificuldade de concentração, sono, apetite e perda de interesse pela vida, os profissionais atribuem uma pontuação que permite acompanhar a evolução de cada participante.

O pesquisador responsável pelo estudo Dr. Hampus Yngwe Credit: Photo: Stefan Zimmerman
As avaliações foram realizadas antes do tratamento e em diferentes momentos posteriores, incluindo os dias 8, 15, 42 e 365. Os participantes também preencheram questionários sobre seus próprios sintomas ao longo do acompanhamento.
Os resultados mostraram uma redução maior dos sintomas no grupo que recebeu psilocibina. Nos questionários respondidos pelos próprios participantes, essa melhora já apareceu no segundo dia após a administração.
Na avaliação clínica principal, realizada no oitavo dia, o grupo da psilocibina também apresentou uma redução significativamente maior dos sintomas em comparação ao grupo da niacina. A diferença entre os grupos permaneceu evidente nas avaliações dos dias 15 e 42.
Nos questionários mensais, os benefícios foram observados por mais de três meses, embora não tenham sido consistentes em todos os momentos. Após um ano, a diferença entre os grupos não foi estatisticamente significativa.

Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores destacam que o estudo envolveu um número pequeno de participantes e que a melhora não ocorreu sem dificuldades para todos. A maioria dos efeitos adversos foi temporária e de intensidade leve a moderada, mas dois participantes apresentaram ansiedade intensa e persistente, que exigiu atendimento médico.
Portanto, os resultados não significam que uma única dose cure a depressão ou que a substância seja segura para uso sem acompanhamento. São necessárias pesquisas maiores para determinar sua eficácia, seus riscos e quais pacientes poderiam se beneficiar desse tipo de tratamento.

O pesquisador responsável Dr. Johan Lundberg Credit: Photo: Stefan Zimmerman
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Short-Term and Late-Term Effects of Psilocybin on Symptoms in Major Depression: A Randomized Clinical Trial
Hampus Yngwe, Pontus Plavén-Sigray, Carl Johan Ekman, Eva Henje, Anders Berglund, Mikael Tiger, Maria Beckman, and Johan Lundberg
JAMA Network Open. 2026;9;(5):e2612589. DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2026.12589
Abstract:
Short-Term and Late-Term Effects of Psilocybin on Symptoms in Major Depression
Visual Abstract.
Importance Psilocybin has been proposed as a rapid-acting antidepressant (onset <2 weeks) with sustained effects (>6 weeks), but evidence from randomized clinical trials remains limited, particularly in the broader major depressive disorder (MDD) population.
Objective To assess short-term and long-term antidepressant effects of psilocybin therapy in patients with MDD.
Design, Setting, and Participants This double-blind, placebo-controlled randomized clinical trial of participants diagnosed with moderate to severe recurrent MDD was conducted at the Northern Stockholm Psychiatric Clinic between January 26, 2021, and February 19, 2024. Statistical analysis was performed from February 20, 2024, to June 20, 2025.
Interventions Participants received a single dose of psilocybin (25 mg) or active placebo (niacin, 100 mg) and 5 psychotherapeutic support sessions during 17 days.
Main Outcomes and Measures The primary end point was between-group difference in change in Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale (MADRS) score from baseline to day 8. Secondary end points included MADRS scores on days 15, 42, and 365, as well as monthly self-reports (MADRS-S) of depressive symptoms, disability, quality of life, and anxiety throughout the 365-day follow-up.
Results The study included 35 participants (21 [60%] female; mean [SD] age, 41.0 [10.1] years) diagnosed with moderate to severe recurrent MDD, with 17 randomized to the psilocybin group and 18 to the niacin group. The study met its primary end point with a significant mean between-group difference (model estimated) in change in MADRS score on day 8 (−7.27; 95% CI, −12.89 to −1.65; P = .01) in favor of psilocybin. The between-group difference was significant also on days 15 (mean difference, −11.03; 95% CI, −16.65 to −5.42; P < .001) and 42 (mean difference, −8.33; −13.94 to −2.71; P = .004) but no longer on day 365 (mean difference, −3.68; −9.30 to 1.94; P = .20). For MADRS-S, the psilocybin group had a significantly greater reduction beginning at day 2 (mean difference, −9.58; 95% CI, −16.05 to −3.11; P = .004), with group differences persisting through day 102 (mean difference, −6.60; 95% CI, −13.01 to −0.19; P = .04) and then isolated effects at days 283 and 343. Most reported treatment-emergent adverse events were transient and of mild to moderate severity. No drug-related serious adverse events were reported. Two participants in the psilocybin group reported persistent, severe anxiety that required medical attention.
Conclusions and Relevance In this randomized clinical trial of MDD, a single dose of psilocybin was associated with rapid antidepressant effects, observed by day 2 and persisting for more than 3 months on secondary outcomes; psilocybin was generally well tolerated, but some individuals required additional support after dosing due to anxiety. These results suggest that psilocybin may provide a rapid and relatively long-lasting antidepressant effect on major depressive disorder, warranting further investigation into repeated dosing or adjunctive treatment strategies.



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