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Por Que o Cérebro de Adolescentes Com Depressão Não Se Acostuma Com a Rejeição?

há 47 minutos
4 min de leitura

Por que o cérebro não “se acostuma” com a rejeição? Pesquisadores descobriram que meninas adolescentes com depressão apresentam uma resposta diferente em uma região cerebral ligada ao sistema de alerta. Mesmo depois de repetidas experiências de possível rejeição, o cérebro delas parece ter mais dificuldade para diminuir essa reação.


Para um adolescente, ser aceito ou rejeitado pelos colegas pode ter um peso enorme. Normalmente, quando uma situação ameaçadora se repete, o cérebro aprende que ela é previsível e reduz gradualmente sua reação. Esse processo é chamado de habituação: é como se o cérebro percebesse que não precisa permanecer em alerta máximo diante de algo que já conhece. Um novo estudo investigou se essa adaptação acontece da mesma maneira em meninas adolescentes com depressão.


Os pesquisadores estavam especialmente interessados na amígdala, uma região que ajuda o cérebro a identificar possíveis ameaças, e na ínsula, que participa da percepção das sensações do corpo e do processamento de situações emocionalmente importantes.



Para investigar como essas áreas reagiam à rejeição, participaram do estudo 76 meninas entre 10 e 17 anos: 22 tinham depressão, 30 não tinham depressão, mas possuíam histórico familiar da doença, e 24 não tinham nem depressão nem histórico familiar.


Durante o experimento, as meninas acreditavam estar participando de uma sala de bate-papo virtual com outras adolescentes. Algumas colegas virtuais eram apresentadas como “gentis”, com maior probabilidade de aceitá-las, enquanto outras eram “maldosas”, com maior probabilidade de rejeitá-las. 


A situação era repetida várias vezes enquanto a atividade cerebral das participantes era registrada por ressonância magnética funcional. Assim, os pesquisadores conseguiram observar se o cérebro diminuía sua resposta à expectativa de rejeição conforme a experiência se repetia.


Nas meninas sem depressão, a atividade da amígdala diminuía gradualmente quando elas esperavam ser rejeitadas pelas colegas “maldosas”. Isso sugere que o cérebro estava aprendendo com a repetição: depois de experimentar várias vezes a mesma situação, a ameaça se tornava mais previsível e o sistema de alerta já não precisava reagir com tanta intensidade. Uma redução semelhante, embora menos acentuada, também apareceu quando as meninas esperavam respostas positivas das colegas “gentis”.



A principal diferença apareceu nas meninas com depressão. A amígdala direita também reagia à expectativa de rejeição, mas sua atividade diminuía menos ao longo das repetições. Em outras palavras, o cérebro parecia ter mais dificuldade para se acostumar com a ameaça social. 


Não significa simplesmente que a amígdala dessas meninas estava sempre mais ativa; o que chamou a atenção foi que ela não reduzia sua resposta da mesma maneira com a repetição. Isso sugere que a depressão pode estar relacionada não apenas a uma reação emocional mais intensa, mas também a uma dificuldade do cérebro para aprender com experiências sociais repetidas.


Curiosamente, as meninas que não tinham depressão, mas apresentavam histórico familiar da doença, mostraram um padrão de habituação semelhante ao das meninas sem histórico familiar. Isso indica que, neste estudo, apenas apresentar maior risco familiar não foi suficiente para produzir a alteração observada nas adolescentes que já tinham depressão. 



No entanto, como o estudo analisou as participantes em um determinado momento, não é possível afirmar se essa dificuldade de habituação contribui para o desenvolvimento da depressão ou se surge como consequência dela.


Os resultados ajudam a explicar por que situações de rejeição podem continuar sendo emocionalmente desgastantes para alguns adolescentes com depressão. Se o cérebro tem dificuldade para perceber que uma ameaça social se tornou previsível e pode reduzir o estado de alerta, cada nova situação pode continuar parecendo importante ou ameaçadora.


Entender essa forma alterada de aprendizagem social pode ajudar, no futuro, a desenvolver estratégias para ensinar o cérebro a responder de maneira diferente às experiências sociais e a reconhecer que nem toda possibilidade de rejeição representa uma ameaça.



LEIA MAIS: 


Reduced amygdala habituation to anticipated social rejection in youth with major depressive disorder

M. Morningstar, M.N.K. Gravelle, D.P. Dickstein, J.S. Silk, R.E. Dahl, E.E. Nelson, D. Yee, and L.R. Stroud

Journal of Affective Disorders, Volume 403, 15 June 2026, 121380


Abstract: 


In addition to its risks for morbidity and mortality, adolescent-onset depression is considered a chronic threat to youth's socioemotional development due to its potential disruption of social learning processes. Prior work has determined that youth with depression, or at-risk of developing depression due to familial history, show atypical neural responses to social feedback by peers. To better understand whether adolescents at varying levels of risk for depression show differential neural indices of social learning, the current study interrogated trial-by-trial patterns of youth's neural habituation to repeated social feedback. Seventy-six 10- to 17-year-old girls (22 diagnosed with major depressive disorder [MDD], 30 at familial risk but without MDD, 24 without MDD or familial risk) completed a chatroom task in which they repeatedly anticipated being accepted or rejected by “mean” (likely to reject) and “nice” (likely to accept) virtual peer confederates. Beta-series analyses revealed that the bilateral amygdala showed evidence of habituation to repeated social threat by the “mean” peer across groups. However, girls with MDD showed attenuated habituation in the right amygdala when anticipating feedback from the “mean” peers. Amygdala habituation was present (though attenuated) when anticipating social feedback from the “nice” peers, but did not vary by depression group. Findings identify a failure to habituate to anticipated social threat in MDD, suggesting altered social learning at the neural level. Attending to the dynamics of changing neural responses to anticipated social feedback may provide deeper insights into alterations in social and affective learning processes relevant to developing depression in adolescence.

 
 
 

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