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Cheio De Seguidores Mas Zero Amigos No Mundo Real: O Paradoxo Das Redes Sociais

  • 31 de mar.
  • 4 min de leitura

O estudo mostrou que mais da metade dos universitários se sente solitária e que o uso excessivo de redes sociais está associado a esse sentimento. Quanto mais tempo os estudantes passam nessas plataformas, maior a chance de se sentirem desconectados, indicando que o uso exagerado pode prejudicar, e não ajudar, as relações sociais.


A solidão tem se tornado um tema cada vez mais importante na sociedade atual, especialmente entre jovens adultos. Embora muitas pessoas associem a solidão ao fato de estar fisicamente sozinho, ela na verdade é um sentimento mais complexo: surge quando existe uma diferença entre o tipo de conexão social que uma pessoa deseja e aquilo que ela realmente vivencia. 


Ou seja, alguém pode estar cercado de pessoas e ainda assim se sentir profundamente sozinho. Esse fenômeno tem crescido nas últimas décadas e hoje é considerado por muitos especialistas como um problema de saúde pública.


Entre os grupos mais afetados estão os estudantes universitários, que vivem uma fase intensa de mudanças. Esse período da vida envolve sair de casa, construir identidade própria, formar novos relacionamentos e lidar com pressões acadêmicas e profissionais. 



Todas essas transformações podem dificultar a criação de vínculos profundos e duradouros, aumentando a sensação de desconexão. Estudos mostram que a solidão tende a atingir seu pico por volta dos 18 a 20 anos, justamente quando muitos jovens entram na universidade. Além de ser um sentimento desagradável, a solidão pode trazer consequências sérias para a saúde. 


Pesquisas indicam que pessoas que se sentem frequentemente sozinhas têm maior risco de desenvolver problemas como depressão e ansiedade. Em casos mais graves, a solidão prolongada pode até impactar a saúde física e aumentar o risco de morte. Isso mostra que a solidão não é apenas uma questão emocional, mas também um fator importante para o bem-estar geral.


Nos últimos anos, o avanço da tecnologia mudou profundamente a forma como os jovens se relacionam. As redes sociais passaram a ser um dos principais meios de interação, permitindo que as pessoas compartilhem momentos, opiniões e se conectem com outras de forma rápida.


Plataformas populares entre jovens incluem Instagram, Facebook e Snapchat, muitas vezes usadas simultaneamente. Embora essas ferramentas possam facilitar o contato, elas não necessariamente substituem interações presenciais mais significativas.



Um ponto importante investigado pelos pesquisadores é o uso excessivo dessas redes. Nesse estudo, considerou-se uso excessivo quando a pessoa passa duas horas ou mais por dia nessas plataformas. Esse padrão pode indicar não apenas um hábito frequente, mas também uma dependência que interfere em outras áreas da vida, como estudos, relacionamentos e saúde mental. Em vez de promover conexão, o uso exagerado pode acabar reduzindo o tempo dedicado a interações reais e mais profundas.


Para entender melhor essa relação, os pesquisadores analisaram dados de quase 65 mil estudantes universitários dos Estados Unidos, com idades entre 18 e 24 anos. Eles utilizaram informações de uma grande pesquisa nacional sobre saúde estudantil e aplicaram métodos estatísticos para avaliar se havia relação entre o tempo gasto nas redes sociais e a sensação de solidão.


Esse tipo de análise permite identificar padrões e estimar a probabilidade de certos comportamentos estarem associados a determinados sentimentos ou condições.



Os resultados mostraram que estudantes que utilizavam redes sociais por períodos mais longos tinham maior probabilidade de relatar sentimentos de solidão. Alem disso o estudo constatou que 54% dos estudantes relataram sentir-se sozinhos, o que está em consonância com outras pesquisas recentes nos EUA. Estudantes mulheres e negros apresentaram maior probabilidade de se sentirem sozinhos.


Estudantes matriculados em cursos híbridos relataram menos solidão do que aqueles que frequentavam as aulas totalmente presenciais, possivelmente porque mantinham contato com amigos já existentes. Já estudantes que participavam de fraternidades ou sororidades estavam entre os que menos se sentiam sozinhos, provavelmente devido à maior frequência de eventos sociais. Em contrapartida, aqueles que moravam com os pais relataram níveis mais altos de solidão do que os estudantes que moravam no campus.


Os estudantes também foram questionados sobre quanto tempo dedicavam às mídias sociais por semana. Cerca de 13% relataram uso intenso, definido como pelo menos 16 horas por semana. Conforme o uso aumentava, também aumentava a probabilidade de se sentir sozinho. Estudantes que utilizavam mídias sociais de 16 a 20 horas semanais apresentaram 19% mais chances de relatar solidão do que aqueles que não as utilizavam.



Os usuários mais assíduos, aqueles que passam pelo menos 30 horas semanais nas redes sociais, apresentaram uma probabilidade 38% maior de se sentirem solitários.


Os pesquisadores alertam que a relação pode funcionar nos dois sentidos. Alguns estudantes podem se sentir mais solitários porque as redes sociais substituem a interação presencial, enquanto outros, que já se sentem isolados, podem recorrer às plataformas online em busca de apoio.



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Exploration of excessive social media use with loneliness among U.S. College students

Madelyn J. Hill, Keith A. King, Rebecca A. Vidourek, Matthew Lee Smith, and Ashley L. Merianos

Journal of American College Health. 15 February 2026. 1–9.DOI: 10.1080/07448481.2025.2573108


Abstract:


This study explored the association between excessive social media use (ESMU; i.e., ≥2 h per day) and loneliness among U.S. college students. Participants: There were 64,988 U.S. undergraduate college students ages 18–24 years in this study. A secondary analysis of the 2022–2023 American College Health Association’s National College Health Assessment data was performed. Adjusted logistic regression analyses were conducted. About 13% of students reported using social media platforms for ≥16 h per week. Adjusted model results found that college students with ESMU had increased odds of reporting loneliness compared to students with 0 h per week of social media. College students with ESMU are at increased odds of experiencing loneliness. Programs and interventions targeting ESMU may contribute to improved loneliness among students.



 
 
 

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