Adolescentes Que Usam Cannabis Cedo Demais Têm Mais Problemas De Saúde No Futuro
- 25 de fev.
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Este estudo acompanhou jovens do nascimento até os 23 anos e mostrou que iniciar o uso de cannabis antes dos 15 anos e usá-la com frequência está associado a maior necessidade de atendimento médico por problemas de saúde mental e física na vida adulta jovem. O uso tardio não aumentou problemas mentais, mas esteve ligado a mais problemas físicos. Os resultados destacam a importância de adiar e reduzir o uso de cannabis na adolescência.
A adolescência é um período em que o cérebro ainda está em desenvolvimento. Nessa fase, áreas ligadas ao controle emocional, à tomada de decisões e ao comportamento de risco ainda estão amadurecendo. Por isso, experiências intensas, como o uso de substâncias psicoativas, podem ter efeitos mais duradouros do que quando ocorrem na vida adulta.
A cannabis é uma das substâncias mais usadas por adolescentes no mundo. Em países como o Canadá, onde seu uso foi legalizado, uma parcela significativa de jovens entre 12 e 15 anos já relata ter usado cannabis ao menos uma vez no último ano. Além disso, os produtos atuais costumam ser mais potentes do que no passado, o que pode aumentar os riscos à saúde.

O estudo acompanhou mais de 1.500 pessoas desde o nascimento até os 23 anos e identificou três grupos: jovens que nunca usaram cannabis, jovens que começaram a usar depois dos 15 anos e jovens que começaram antes dos 15 anos e usaram com frequência. Os resultados mostram que esse último grupo, uso precoce e frequente, é o mais vulnerável a problemas de saúde mais tarde.
Jovens que começaram a usar cannabis cedo e com frequência tiveram maior probabilidade de precisar de atendimento médico por problemas de saúde mental na vida adulta jovem. Isso inclui ansiedade, depressão e outros transtornos mentais comuns. Esses achados reforçam evidências anteriores de que o uso precoce pode aumentar o risco de sofrimento psicológico no futuro.
Além da saúde mental, o uso precoce e frequente de cannabis também esteve associado a mais atendimentos médicos por problemas físicos. Entre eles estão lesões, intoxicações e outras doenças.
Mesmo adolescentes que começaram a usar mais tarde, após os 15 anos, apresentaram maior uso de serviços de saúde para problemas físicos, embora não para saúde mental.

Um ponto forte do estudo é que ele levou em conta muitos fatores que poderiam confundir os resultados, como ambiente familiar, condições socioeconômicas e características da infância. Além disso, em vez de depender apenas do que os participantes relataram, os pesquisadores usaram registros oficiais de saúde, o que torna os dados mais confiáveis.
Os achados não dizem que todo adolescente que usa cannabis terá problemas no futuro, mas mostram que começar cedo e usar com frequência aumenta os riscos. Isso reforça a importância de políticas públicas, educação e prevenção focadas em adiar o início do uso e reduzir a intensidade, protegendo a saúde mental e física a longo prazo.
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Pablo Martínez, Nicholas Chadi, Natalie Castellanos-Ryan, Francis Vergunst, Marc Dorais, Jean R. Séguin, Frank Vitaro, Caroline Temcheff, Richard E. Tremblay, Michel Boivin, Sylvana M. Côté, Marie-Claude Geoffroy, and Massimiliano Orri
JAMA Network Open. 28 October 2025;8;(10):e2539977.
DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2025.39977
Abstract:
Adolescent cannabis use is a substantial public health concern given its associations with adverse mental and physical health outcomes. Understanding how distinct use patterns are associated with medical care utilization in young adulthood is critical for prevention. To examine the association between patterns of adolescent cannabis use and medical care utilization for mental and physical health conditions in young adulthood. This population-based birth cohort study linked to population-wide administrative medical care databases was conducted in the Province of Québec, Canada. Participants included individuals recruited for the Québec Longitudinal Study of Child Development, followed up from birth (1997-1998) to 23 years of age (2021). Data were analyzed November 2023 to February 2025. Self-reported past 12-month cannabis use at ages 12, 13, 15, and 17 years. Medical care utilization for any mental disorder (including common mental disorders and substance-related disorders), suicide-related behaviors, and any physical health condition (including respiratory diseases, injuries and poisoning, and other physical diseases) between ages 18 and 23 years. Analyses were adjusted for 32 individual, family, and community-level confounders measured from birth to younger than 12 years of age using overlap weights. Data for 1591 individuals (818 female [51.4%]; mean [SD] age at first exposure assessment, 12.1 [0.3] years) were analyzed. Three distinct adolescent cannabis use patterns were identified via group-based trajectory modeling: nonuse (948 [59.6%]), late-onset use (318 [20.0%], initiating after age 15 years), and early-onset and frequent use (325 [20.4%], initiating before age 15 years). In fully adjusted analyses, individuals with early-onset and frequent use had significantly higher odds of medical care utilization for any mental disorder (odds ratio [OR], 1.51 [95% CI, 1.10-2.08]), common mental disorders (OR, 1.57 [95% CI, 1.12-2.21]), any physical health condition (OR, 1.86 [95% CI, 1.30-2.67]), injuries and poisoning (OR, 1.41 [1.05-1.89]), and other physical diseases (OR, 1.47 [95% CI, 1.08-1.98]), compared with individuals with no use. Individuals with late-onset use did not differ significantly from those with nonuse for mental health outcomes (OR, 1.13 [95% CI, 0.80-1.58]) but had higher odds of medical care utilization for any physical health condition (OR, 1.63 [95% CI, 1.16-2.28]). Findings of this birth cohort study indicated that early-onset and frequent cannabis use was associated with greater medical care utilization for both mental and physical health conditions in young adulthood. These findings support the relevance of delaying initiation and reducing intensity of cannabis use during adolescence.



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