Depressão Perinatal: Antibióticos Antes da Gravidez Podem Afetar a Saúde Mental da Mãe
- 9 de abr.
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O estudo investigou a relação entre o uso de antibióticos antes da gravidez e o sofrimento psicológico durante a gestação, utilizando dados de um grande grupo de mulheres japonesas. Os resultados indicaram que o uso mais frequente de antibióticos está associado a um maior risco de sofrimento emocional, especialmente em níveis mais graves. Esses achados reforçam a importância de utilizar antibióticos com cautela, especialmente em mulheres que planejam engravidar, e destacam a necessidade de mais pesquisas sobre os efeitos desses medicamentos na saúde mental.
A depressão que ocorre durante a gravidez ou após o nascimento do bebê, conhecida como depressão perinatal, é um problema de saúde bastante comum e relevante. Em países com maior nível de renda, estima-se que entre dez e quinze por cento das mulheres passem por essa condição.
Esse tipo de depressão não afeta apenas o bem-estar emocional da mãe, mas também pode interferir no desenvolvimento do bebê e na dinâmica familiar como um todo. Em casos mais graves, está associada até mesmo ao risco de suicídio materno, o que a torna uma questão importante de saúde pública. Por isso, compreender os fatores que aumentam o risco dessa condição é essencial para prevenir e reduzir seus impactos.
Nos últimos anos, pesquisadores têm buscado identificar diferentes causas para o surgimento da depressão perinatal. Sabe-se que ela não depende de um único fator, mas sim de uma combinação de aspectos psicológicos, sociais, econômicos e biológicos. Entre os possíveis fatores de risco mais recentes, o uso de antibióticos começou a chamar atenção.

Esses medicamentos são amplamente utilizados, inclusive durante a gravidez, e estudos anteriores sugerem que eles podem estar relacionados a alterações na saúde mental, possivelmente aumentando o risco de depressão e ansiedade.
Uma das explicações para essa relação está ligada ao papel das bactérias que vivem no nosso intestino, conhecidas como microbiota intestinal.
Os antibióticos podem alterar esse equilíbrio natural, eliminando não apenas bactérias nocivas, mas também aquelas que são benéficas. Essa alteração pode afetar processos do organismo ligados à inflamação, ao metabolismo e até mesmo ao funcionamento do cérebro, influenciando o humor e o comportamento.
Apesar dessas hipóteses, ainda existem poucas evidências claras sobre como o uso de antibióticos antes da gravidez pode impactar a saúde mental das gestantes.

Diante dessa lacuna, o estudo em questão teve como objetivo investigar se o uso de antibióticos no período anterior à gravidez está associado ao sofrimento psicológico durante os primeiros meses da gestação. Para isso, os pesquisadores utilizaram dados de um grande estudo realizado no Japão, que acompanha mulheres grávidas e seus filhos ao longo do tempo. A ideia foi observar padrões e possíveis relações entre o histórico de uso de antibióticos e o estado emocional das participantes durante a gravidez.
No que diz respeito aos métodos, o estudo analisou informações de mais de noventa mil mulheres grávidas, o que confere bastante robustez aos resultados. As participantes faziam parte de um grande projeto nacional que coleta dados sobre saúde, ambiente e desenvolvimento infantil.
Os pesquisadores classificaram o uso de antibióticos em três grupos distintos: mulheres que não utilizaram antibióticos no ano anterior à gravidez, aquelas que utilizaram em apenas um dos períodos avaliados (antes ou logo após a confirmação da gravidez), e aquelas que utilizaram em ambos os períodos. Essa divisão permitiu comparar diferentes níveis de exposição ao medicamento.
Para avaliar o estado emocional das gestantes, foi utilizada uma escala padronizada bastante conhecida na área da saúde mental, que mede o nível de sofrimento psicológico com base em respostas a perguntas sobre sentimentos como tristeza, ansiedade e cansaço emocional. As pontuações obtidas foram divididas em categorias que indicam sofrimento moderado ou grave.

Em seguida, os pesquisadores aplicaram um modelo estatístico avançado que permite analisar a probabilidade de ocorrência desses níveis de sofrimento, levando em conta outros fatores que também poderiam influenciar os resultados, como idade, condição socioeconômica e histórico de saúde.
Os resultados mostraram que mulheres que utilizaram antibióticos em ambos os períodos avaliados apresentaram maior probabilidade de sofrer com níveis moderados e, principalmente, graves de sofrimento psicológico durante a gravidez. Além disso, foi observado um padrão chamado de “dose-resposta”, ou seja, quanto maior a exposição aos antibióticos, maior o risco identificado. Isso sugere que mesmo um uso relativamente limitado desses medicamentos pode estar associado a impactos na saúde mental.
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Periconceptional antibiotic use and early- to mid-pregnancy psychological distress in a nationwide birth cohort: cross-sectional analysis from the Japan Environment and Children’s Study
Kenta Matsumura, Hitomi Inano, Junko Sakai, Kanako Shimada, Akiko Tsuchida, Hidekuni Inadera, and the Japan Environment and Children’s Study (JECS) Group.
BMC Public Health. Volume 26, article number 863, (2026).
DOI:10.1186/s12889-025-26119-0
Abstract:
Antibiotic use has recently emerged as a potential risk factor for psychiatric disorders, but evidence regarding its risk during pregnancy remains limited, despite the frequent use of antibiotics in pregnant women. We investigated the association between antibiotic use in the year prior to early pregnancy and psychological distress during early- to mid-pregnancy. Participants were 94,490 expectant mothers from the Japan Environment and Children’s Study, an ongoing nationwide birth cohort study. Antibiotic use during the year before early pregnancy was categorized as follows: (1) no use, (2) use during either the period before or after pregnancy recognition, and (3) use during both periods. Psychological distress was measured during early- to mid-pregnancy using the Kessler Psychological Distress Scale, with scores of 5–12 and ≥ 13 indicating moderate and severe psychological distress, respectively. A Bayesian multinomial generalized linear model was used to calculate adjusted odds ratios (aORs) and 95% credible intervals (95% CrIs), controlling for a priori selected potential confounders. Analysis using no antibiotic use as a reference revealed that the aORs (95% CrIs) for moderate psychological distress were 1.07 (0.97–1.19) for use during either period and 1.22 (1.08–1.38) for use during both periods. For severe psychological distress, the aORs (95% CrIs) were 1.07 (0.97–1.19) and 1.50 (1.15–1.94), respectively. A dose–response-like pattern was observed, suggesting that even limited antibiotic use may be an independent risk factor for psychological distress during early- to mid-pregnancy, highlighting the importance of judicious antibiotic use from the preconception period.



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