Antes do Tremor: O Parkinson Pode Ser Detectado no Sangue
- há 14 horas
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Cientistas descobriram que sinais precoces da doença de Parkinson podem estar escondidos no sangue, anos antes dos sintomas motores aparecerem. Alterações em genes ligados ao reparo do DNA e ao estresse celular ajudam a identificar pessoas na fase inicial da doença, quando o cérebro ainda pode ser protegido. Essa descoberta abre novas possibilidades para diagnóstico precoce e tratamentos preventivos.
A doença de Parkinson é geralmente reconhecida quando surgem sintomas motores, como tremores, lentidão para se mover e rigidez muscular. No entanto, quando esses sinais aparecem, o cérebro já sofreu uma grande perda de neurônios importantes.
O que muitas pessoas não sabem é que, anos antes disso, a doença costuma dar sinais silenciosos, como problemas de sono, perda do olfato, constipação, ansiedade e depressão. Essa fase inicial é chamada de fase prodrômica e representa uma oportunidade valiosa para identificar a doença mais cedo.
Detectar o Parkinson antes do surgimento dos sintomas motores é fundamental porque, nesse estágio inicial, ainda há muitos neurônios vivos que podem ser protegidos. Para isso, os cientistas buscam entender quais alterações biológicas acontecem no corpo antes que o cérebro seja gravemente afetado.

Um dos processos que tem chamado muita atenção é o dano ao material genético das células, o DNA, e os problemas nos sistemas responsáveis por reparar esse dano. Os neurônios mais afetados no Parkinson produzem dopamina e trabalham de forma intensa, o que gera grande quantidade de substâncias altamente reativas que podem danificar o DNA.
Além disso, no Parkinson, as mitocôndrias, estruturas responsáveis por produzir energia, funcionam mal, aumentando ainda mais esse estresse celular. Com o passar do tempo, esses danos se acumulam e podem ultrapassar a capacidade natural das células de reparar o DNA, levando à morte neuronal.

O organismo possui mecanismos de defesa para corrigir danos no DNA, sendo um dos principais um sistema que identifica e remove partes danificadas. Esse sistema é especialmente importante dentro das mitocôndrias, que têm pouca capacidade de reparo.
No entanto, estudos recentes mostraram que esse processo, quando exagerado ou desregulado, pode se tornar prejudicial. Em modelos experimentais, reduzir a atividade de certos genes envolvidos nesse reparo acabou protegendo os neurônios, mostrando que o equilíbrio é essencial.
Um grande desafio para estudar esses processos em humanos é que não é possível acessar diretamente o cérebro de pessoas vivas. Por isso, os cientistas passaram a investigar se sinais dessas alterações poderiam ser detectados no sangue. A ideia é que mudanças nos genes relacionados ao reparo do DNA e ao estresse celular, visíveis em exames de sangue, possam refletir o que está acontecendo no cérebro, funcionando como um sinal precoce da doença.

Neste estudo, os pesquisadores analisaram amostras de sangue coletadas ao longo do tempo de três grupos: pessoas saudáveis, pessoas na fase prodrômica do Parkinson e pacientes com a doença já estabelecida. Eles avaliaram quais genes estavam mais ou menos ativos, especialmente os ligados ao reparo do DNA e à resposta ao estresse celular.
Para lidar com a enorme quantidade de dados, foram usadas técnicas de aprendizado de máquina, que ajudam a identificar padrões complexos que não são visíveis a olho nu.
Os resultados mostraram que alterações nesses genes conseguem diferenciar pessoas na fase prodrômica das pessoas saudáveis, especialmente nos estágios mais avançados dessa fase inicial.
Curiosamente, essas diferenças desaparecem quando a doença já está instalada, sugerindo que esses mecanismos atuam principalmente no início do processo. Isso indica que sinais no sangue podem servir como biomarcadores precoces do Parkinson, abrindo caminho para diagnósticos antecipados e intervenções antes que ocorra grande perda neuronal.
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Longitudinal assessment of DNA repair signature trajectory in prodromal versus established Parkinson’s disease
Danish Anwer, Nicola Pietro Montaldo, Elva Maria Novoa-del-Toro, Diana Domanska, Hilde Loge Nilsen, and Annikka Polster
npj Parkinson’s Disease. 11, Article number: 349 (2025). 5 December 2025
DOI: 10.1038/s41531-025-01194-7
Abstract:
Parkinson’s disease (PD) is a progressive neurodegenerative disorder. DNA repair dysfunction and integrated stress response (ISR) dysregulation have been implicated in PD pathophysiology, however, their role during the prodromal phase remains unclear. We analyzed longitudinal blood transcriptomic data from the Parkinson’s Progression Markers Initiative to assess DNA repair and ISR genes in healthy individuals, prodromal PD, and those with established PD. Logistic regression classifiers showed that DNA repair and ISR expression distinguished prodromal PD from healthy individuals, with accuracy peaking in later prodromal stages. In contrast, these pathways did not separate established PD from controls, suggesting a more prominent role early in progression. Gene expression variability in prodromal PD was high at baseline but decreased over time, indicating convergence as disease advances. Notably, 50% of DNA repair genes and 74% of ISR genes showed non-linear patterns, suggesting a transient adaptive response fading with progression. Feature importance analysis highlighted several predictors of prodromal PD, including ERCC6, PRIMPOL, NEIL2, and NTHL1. These findings indicate that DNA repair and ISR dysregulation are relevant in prodromal PD and may be biomarkers for early detection and intervention. Future research should validate these results in larger cohorts and evaluate diagnostic and therapeutic potential.



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