top of page

A Depressão Parece Ser o Sinal Precoce Da Doença de Parkinson e da Demência

  • Foto do escritor: Lidi Garcia
    Lidi Garcia
  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

Este estudo mostrou que a depressão é muito mais comum em pessoas com doença de Parkinson e demência com corpos de Lewy do que em pessoas com outras doenças crônicas. O mais importante é que esse risco elevado já aparece vários anos antes do diagnóstico oficial, sugerindo que a depressão pode ser um sinal precoce das alterações cerebrais dessas doenças. Esses achados destacam a importância de investigar cuidadosamente episódios de depressão em idosos e de oferecer tratamento adequado desde as fases iniciais.


A depressão é muito comum em pessoas com doença de Parkinson e em pessoas com demência com corpos de Lewy. Estima-se que entre trinta e quarenta por cento dos pacientes com essas doenças desenvolvam depressão em algum momento.


No caso da doença de Parkinson, a presença de depressão está associada a alterações importantes no cérebro, como a redução do volume de algumas áreas cerebrais, além de piora mais rápida da doença, maior comprometimento da memória e do pensamento, aumento da incapacidade para atividades do dia a dia, maior risco de suicídio e aumento da mortalidade geral.


Tanto a doença de Parkinson quanto a demência com corpos de Lewy são doenças neurodegenerativas, ou seja, provocam uma deterioração progressiva das células do cérebro ao longo do tempo. Muitos pesquisadores acreditam que essas alterações cerebrais progressivas podem estar diretamente relacionadas ao surgimento da depressão. 


Estudos anteriores reforçam essa ideia ao mostrar que o risco de desenvolver depressão já é maior antes mesmo do diagnóstico oficial da doença de Parkinson. Em um estudo recente, por exemplo, observou-se que pessoas que mais tarde receberam o diagnóstico de doença de Parkinson apresentavam depressão com mais frequência até dez anos antes do diagnóstico, quando comparadas a pessoas sem a doença. Isso sugere que mudanças cerebrais iniciais, ainda silenciosas, podem provocar sintomas depressivos muito antes de a doença ser reconhecida clinicamente.



Outra possível explicação é que os primeiros sinais da doença de Parkinson ou da demência com corpos de Lewy, ainda não diagnosticados, causem dificuldades físicas, cognitivas e emocionais que levem à depressão.


Essa situação também ocorre em outras doenças crônicas, como a artrite reumatoide e a doença renal crônica, nas quais as limitações impostas pela doença podem contribuir para o desenvolvimento de sintomas depressivos, mesmo sem envolvimento direto do cérebro.


O objetivo deste estudo foi medir com precisão quantas pessoas desenvolvem depressão antes e depois do diagnóstico de doença de Parkinson e de demência com corpos de Lewy, e comparar esses números com os observados em outras doenças crônicas. Para isso, os pesquisadores utilizaram dados de pessoas com artrite reumatoide e doença renal crônica, que são doenças que causam grande impacto físico, mas não afetam diretamente o sistema nervoso. 


Essas doenças funcionaram como um tipo de comparação ativa. Além disso, a osteoporose foi utilizada como uma comparação adicional, pois costuma causar menos incapacidade, mas ainda exige acompanhamento médico regular, o que ajuda a reduzir distorções relacionadas ao acesso aos serviços de saúde.



A lógica por trás dessa comparação foi simples: se a depressão aparecesse com muito mais frequência em pessoas com doença de Parkinson e demência com corpos de Lewy, especialmente antes do diagnóstico, isso indicaria que a depressão pode ser um sinal precoce das alterações cerebrais que levam a essas doenças.


Esse achado também reforçaria a importância de prestar atenção especial a casos de depressão que surgem na terceira idade, pois eles podem indicar um risco aumentado para o desenvolvimento dessas condições neurodegenerativas.


Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram registros de saúde da Dinamarca, um país que mantém bases de dados médicas muito completas. Foram identificadas todas as pessoas diagnosticadas com doença de Parkinson ou demência com corpos de Lewy entre os anos de dois mil e sete e dois mil e dezenove. 


Cada uma dessas pessoas foi comparada com até três outras pessoas da mesma idade, do mesmo sexo e do mesmo período de diagnóstico, mas que tinham artrite reumatoide, doença renal crônica ou osteoporose. Dessa forma, os grupos ficaram o mais semelhantes possível, exceto pelo tipo de doença.



Os pesquisadores então analisaram quantos desses indivíduos desenvolveram depressão ao longo do tempo. A presença de depressão foi avaliada desde até dez anos antes do diagnóstico da doença principal até dez anos depois. Para comparar o risco de desenvolver depressão entre os diferentes grupos, foi utilizado um método estatístico que permite acompanhar eventos ao longo do tempo e calcular a probabilidade de um determinado desfecho ocorrer, levando em conta diferenças individuais entre os participantes.


Ao todo, o estudo incluiu mais de dezessete mil pessoas com doença de Parkinson ou demência com corpos de Lewy. A idade média desses pacientes era de aproximadamente setenta e cinco anos, e cerca de quarenta por cento eram mulheres. Esses participantes foram comparados com dezenas de milhares de pessoas com artrite reumatoide, doença renal crônica e osteoporose. 


Os resultados mostraram que, desde sete a oito anos antes do diagnóstico até cerca de cinco anos depois, as pessoas com doença de Parkinson e demência com corpos de Lewy apresentaram um risco consistentemente maior de desenvolver depressão do que todos os grupos de comparação.

 


Taxa de risco de depressão incidente antes e depois do diagnóstico de doença de Parkinson, demência com corpos de Lewy, artrite reumatoide, doença renal crônica e osteoporose. '0' representa a data do diagnóstico de doença de Parkinson, demência com corpos de Lewy, artrite reumatoide, doença renal crônica e osteoporose. Crédito: Christopher Rohde, Martin Langeskov-Christensen, Lene Bastrup Jørgensen, Per Borghammer, Søren Dinesen Østergaard.


Esses resultados indicam que a depressão pode ser um dos primeiros sinais das alterações cerebrais que mais tarde levam à doença de Parkinson e à demência com corpos de Lewy. Além disso, reforçam a importância de reconhecer e tratar a depressão em pessoas mais velhas, não apenas para melhorar a qualidade de vida, mas também como uma forma de aumentar a vigilância para possíveis doenças neurodegenerativas.


Ao longo da vida, as pessoas costumam criar imagens mentais sobre quem desejam se tornar no futuro, como querer ser uma pessoa confiante, realizada ou profissionalmente bem-sucedida. Esses objetivos de identidade funcionam como guias internos que orientam escolhas e comportamentos ao longo do tempo.


No entanto, quando doenças crônicas e neurodegenerativas surgem, esses projetos de futuro podem ser interrompidos ou profundamente modificados, o que pode contribuir para sentimentos de perda, frustração e depressão, especialmente quando o indivíduo percebe que não conseguirá viver a vida que imaginava.



READ MORE:


Depression preceding and following the diagnosis of Parkinson’s disease and Lewy body dementia

Christopher Rohde, Martin Langeskov-Christensen, Lene Bastrup Jørgensen, Per Borghammer, and Søren Dinesen Østergaard

General Psychiatry. 3 December 2025.DOI: 10.1136/gpsych-2025-102405


Abstract:


Depression is a common comorbidity in Parkinson’s disease (PD) and Lewy body dementia (LBD). However, studies examining the rate of incident depression in the period preceding and following the diagnosis of PD and LBD are lacking in the literature. To quantify the incidence of depression in the period preceding and following the diagnosis of PD and LBD. We conducted a retrospective case-control study. Specifically, we used Danish registers to identify all patients with a diagnosis of PD or LBD in the period from 2007 to 2019. These patients were matched by age, calendar year of diagnosis and sex with up to three patients diagnosed with rheumatoid arthritis (RA), chronic kidney disease (CKD) or osteoporosis, respectively. The outcome was incident depression. The incidence of depression was assessed for up to 10 years before and up to 10 years after the diagnosis of PD or LBD. Hazard rates of incident depression for patients with PD or LBD, both before and after diagnosis, were compared with those for patients with RA, CKD or osteoporosis using a Cox-proportional hazards model. We identified 17 711 patients with PD or LBD. Their median age was 74.98 (68.10–80.85) years, and 39.92% were females. These patients were matched to 19 556, 40 842 and 47 809 patients with RA, CKD and osteoporosis, respectively. From 7 to 8 years before diagnosis to 5 years after diagnosis, patients with PD and LBD consistently had higher hazard rates of incident depression than all comparator groups. These findings are compatible with depression being an early manifestation of the neurodegenerative changes eventually leading to PD and LBD and imply that incident depression at a late age should raise awareness of potential PD and LBD.

 
 
 

Comentários


© 2020-2025 by Lidiane Garcia

bottom of page