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🎗️Você Conta Seus Pesadelos ou Prefere Esquecê-los? Sua Personalidade Pode Ter Algo a Ver Com Isso

há 6 dias
4 min de leitura

Você acorda de um pesadelo e conta para alguém, tenta descobrir o que ele significa ou simplesmente prefere esquecer? Uma nova pesquisa investigou se a nossa personalidade influencia o que fazemos depois de um pesadelo. E os resultados surpreenderam: algumas características tiveram pouca ou nenhuma relação com nossas estratégias de enfrentamento, enquanto a extroversão apareceu discretamente ligada à tendência de conversar sobre os sonhos ruins.


Pesadelos são experiências bastante comuns, mas para algumas pessoas eles acontecem com frequência e podem interferir no sono e na vida cotidiana. Na Alemanha, cerca de uma em cada vinte pessoas relata ter pesadelos pelo menos uma vez por semana. Mesmo assim, esse problema pode passar despercebido e nem sempre recebe a atenção necessária. 


Diante disso, pesquisadores quiseram entender melhor o que as pessoas fazem depois de ter um pesadelo e se essas escolhas podem estar relacionadas à sua personalidade. A pergunta central foi simples: ser uma pessoa mais extrovertida, mais ansiosa, mais aberta a novas experiências ou ter outros traços de personalidade muda a maneira como lidamos com um pesadelo?


Para investigar isso, os pesquisadores realizaram uma pesquisa pela internet com 411 pessoas, a maioria estudantes de psicologia. Os participantes responderam a questionários já utilizados e testados em pesquisas anteriores para avaliar seus principais traços de personalidade. 



O estudo utilizou o modelo conhecido como Cinco Grandes, que descreve a personalidade a partir de cinco características amplas: extroversão, abertura a experiências, neuroticismo, conscienciosidade e amabilidade. A ideia não era colocar cada pessoa em uma única “caixa”, mas medir quanto cada uma dessas características estava presente em cada participante.


Depois, os pesquisadores investigaram especificamente como essas pessoas costumavam lidar com seus pesadelos. Para isso, utilizaram uma escala de enfrentamento adaptada para o estudo. Os participantes indicavam quais estratégias utilizavam depois de um pesadelo e também avaliavam o quanto acreditavam que essas estratégias funcionavam.


Entre os comportamentos investigados estavam, por exemplo, conversar sobre o pesadelo, procurar informações sobre ele ou evitar situações que a pessoa acreditasse que poderiam provocar outro pesadelo. Dessa maneira, os pesquisadores conseguiram analisar duas coisas diferentes: o que as pessoas faziam e quão eficaz elas achavam que aquilo era.



Antes de analisar os dados, os pesquisadores fizeram algumas previsões. Eles imaginavam que pessoas com maior abertura a experiências teriam maior tendência a procurar informações sobre seus pesadelos, enquanto pessoas mais extrovertidas provavelmente conversariam mais sobre eles. 


Também esperavam que pessoas com níveis mais altos de neuroticismo, uma característica relacionada à maior sensibilidade a emoções negativas e ao estresse, fossem mais propensas a evitar possíveis gatilhos de pesadelos. Essas previsões eram baseadas na ideia de que diferentes características de personalidade poderiam influenciar a maneira como uma pessoa reage a uma experiência desagradável durante o sono.


Os resultados, porém, foram diferentes do esperado em alguns pontos. A extroversão apresentou uma pequena associação positiva com o hábito de conversar sobre pesadelos. Em outras palavras, pessoas mais extrovertidas mostraram uma tendência um pouco maior a falar sobre essas experiências. 


No entanto, a abertura a novas experiências não conseguiu prever quem procuraria informações sobre os pesadelos, e o neuroticismo também não conseguiu prever quem evitaria possíveis gatilhos. Os pesquisadores ainda fizeram análises adicionais para procurar outras possíveis relações entre personalidade, estratégias de enfrentamento e a percepção de eficácia dessas estratégias. Essas análises sugeriram algumas associações adicionais, inclusive relacionadas a características demográficas, mas os efeitos encontrados foram pequenos.



O estudo mostra, portanto, que nossa personalidade pode ter alguma influência sobre a maneira como lidamos com pesadelos, mas essa influência parece ser pequena. Isso é importante porque significa que não podemos simplesmente dizer que uma pessoa ansiosa necessariamente evitará situações relacionadas aos seus pesadelos ou que alguém aberto a novas experiências sempre tentará entender melhor o que sonhou. 


A maneira como lidamos com pesadelos provavelmente depende de vários fatores além da personalidade, incluindo nossas experiências anteriores, hábitos de sono, contexto de vida e características individuais. 


Como a pesquisa envolveu principalmente pessoas da população geral e não um grupo de pacientes com um transtorno de pesadelos, os resultados também não devem ser usados para explicar automaticamente pessoas que sofrem de pesadelos frequentes e incapacitantes. Ainda assim, o estudo ajuda a mostrar que até mesmo a maneira como reagimos a algo que acontece durante o sono pode revelar aspectos interessantes sobre nosso comportamento e nossa personalidade.



LEIA MAIS: 


Nightmare Coping Strategies and Their Association With Big Five Personality Traits

Wiesenthal J. and Schredl M.

Journal of Sleep Research e70374. 


Abstract: 


Although about 5% of the German population report having nightmares at least once a week, nightmares are inadequately diagnosed and treated. We therefore examined how people in the general population cope with nightmares in everyday life. The present study aimed to examine the influence of Big Five personality traits on nightmare-coping behaviour. In an online survey of 411 participants (mostly psychology students), we used established questionnaires and a modified coping scale to assess strategy use and perceived effectiveness. We hypothesized that openness predicts information seeking, extraversion predicts discussing nightmares, and neuroticism predicts avoiding potential nightmare triggers. The findings revealed that extraversion had a small positive effect on talking about nightmares (β = 0.44, p < 0.05). Contrary to our hypotheses, openness did not predict information seeking and neuroticism did not predict trigger avoidance. Exploratory analyses suggested further trait–coping links and that demographic variables may relate to perceived effectiveness of coping strategies. Overall, personality was related to some nightmare-specific coping behaviours, but effects were small in this non-clinical sample.


 
 
 

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