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Sem Remédios: Como a Música Pode Reduzir a Ansiedade Em Apenas 24 Minutos

  • Foto do escritor: Lidi Garcia
    Lidi Garcia
  • há 21 horas
  • 4 min de leitura

O estudo mostrou que ouvir música combinada com estímulos sonoros rítmicos pode reduzir a ansiedade em poucos minutos, sem o uso de medicamentos. Os efeitos foram maiores quanto maior o tempo de exposição, sugerindo uma alternativa acessível e complementar aos tratamentos tradicionais.


A ansiedade é um dos problemas de saúde mental mais comuns no mundo e afeta centenas de milhões de pessoas. Nos últimos anos, especialmente durante e após a pandemia de Covid-19, o número de pessoas relatando sintomas de ansiedade aumentou de forma significativa. 


Esses sintomas podem variar bastante, incluindo preocupações excessivas, sensação constante de perigo, tremores, aceleração do coração, medo de situações sociais e até crises intensas de pânico. Em todos os casos, a ansiedade pode prejudicar profundamente a qualidade de vida, dificultando relações sociais, o bem-estar emocional e o funcionamento diário.


Atualmente, os tratamentos mais comuns para ansiedade envolvem o uso de medicamentos e psicoterapia. Entre os medicamentos mais utilizados estão aqueles que atuam na serotonina e os tranquilizantes conhecidos por causar efeito calmante rápido. Embora esses medicamentos possam reduzir os sintomas, eles também apresentam limitações importantes. 


Alguns podem causar efeitos colaterais físicos, como náuseas, problemas sexuais e sensação de apatia emocional. Outros podem gerar dependência quando usados por períodos prolongados, além de sintomas intensos quando interrompidos de forma abrupta.



Outro ponto relevante é que muitos medicamentos para ansiedade demoram semanas para começar a fazer efeito. Durante esse período, o paciente continua sofrendo com os sintomas e precisa de apoio adicional. Esses fatores fazem com que algumas pessoas abandonem o tratamento ou hesitem em iniciar o uso de medicação, tanto por receio dos efeitos colaterais quanto pelo tempo necessário para perceber melhorias.


A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, é considerada um tratamento eficaz para a ansiedade. Ela ajuda o paciente a identificar pensamentos negativos e padrões de comportamento que alimentam o medo e a preocupação excessiva. No entanto, esse tipo de terapia também apresenta desafios. 


As primeiras sessões podem ser emocionalmente difíceis, pois exigem que a pessoa enfrente situações ou pensamentos que costuma evitar. Além disso, o tratamento exige frequência regular e pode ser caro, o que limita o acesso para muitas pessoas.


Diante dessas barreiras, cresceu o interesse por abordagens complementares, mais acessíveis e de baixo custo. Uma dessas alternativas é o uso da música como ferramenta terapêutica. Ouvir música já é amplamente utilizado para melhorar o humor e reduzir emoções negativas, incluindo a ansiedade, em diferentes faixas etárias e contextos. 



Estudos anteriores mostraram que a música pode ajudar a reduzir sinais físicos de ansiedade, como aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, além de diminuir sentimentos de nervosismo e preocupação.


Pesquisadores também observaram que a música pode ser ainda mais eficaz quando combinada com estímulos sonoros rítmicos específicos. Uma dessas técnicas envolve a apresentação de sons com batidas regulares que influenciam a atividade cerebral.


Esses estímulos podem ajudar o cérebro a entrar em estados mais relaxados, especialmente quando utilizados em frequências associadas ao descanso e à calma. Quando a música começa mais agitada e vai se tornando gradualmente mais lenta e suave, esse efeito tende a ser potencializado.


Com base nessas evidências, os pesquisadores realizaram um estudo para testar se ouvir música combinada com esses estímulos sonoros poderia reduzir a ansiedade de forma rápida, sem o uso de medicamentos. Participaram do estudo adultos com níveis moderados de ansiedade que já utilizavam medicação para controlar seus sintomas.


Os participantes foram divididos em grupos que ouviram diferentes tipos de som: alguns ouviram apenas um ruído neutro, enquanto outros ouviram música combinada com estímulos sonoros por diferentes períodos de tempo.



Antes e depois da intervenção, os participantes responderam questionários sobre ansiedade e estado emocional. Os resultados mostraram que todos os grupos que ouviram música combinada com estímulos sonoros apresentaram maior redução da ansiedade e das emoções negativas em comparação ao grupo que ouviu apenas o ruído neutro.


Além disso, quanto maior o tempo de exposição à música, maior foi a redução do afeto negativo, indicando que o efeito aumenta conforme o tempo de uso.


Em conclusão, o estudo sugere que ouvir música combinada com estímulos sonoros rítmicos por apenas vinte e quatro minutos pode reduzir significativamente a ansiedade. Essa abordagem não substitui tratamentos tradicionais, mas pode funcionar como uma estratégia complementar segura, acessível e de rápida ação, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades de acesso à terapia ou que desejam alternativas sem medicamentos.



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Investigating the dose-response relationship between music and anxiety reduction: A randomized clinical trial. 

Danielle K. Mullen, Tianle Peng, Lauren Stewart, Adiel Mallik, and Frank A. Russo

PLOS Ment Health 3(1): e0000355. 


Abstract:


Anxiety is one of the most frequently reported mental health conditions worldwide, yet access to effective treatments such as medication and cognitive behavioral therapy (CBT) remains limited due to cost, time, and potential side effects. Music-based digital therapeutics, particularly when combined with auditory beat stimulation (ABS), may offer a complementary approach to mainline anxiety treatment by offering acute relief of anxiety symptoms. Prior research suggests that music combined with ABS provides greater anxiety relief than music alone or a pink noise control. This study examined whether this advantage over pink noise could be replicated, as well as whether music with ABS demonstrated a dose-response relationship, operationalized as time spent listening, in the acute relief of anxiety among individuals with moderate trait anxiety who are taking medication to manage their symptoms. We also assessed changes in affect as a secondary outcome. A total of 1,310 participants were recruited via Prolific and completed a pre-screening survey. Of these, 144 eligible participants were randomly assigned to one of four groups: 24-minute pink noise (control group), 12-minute music with ABS, 24-minute music with ABS, or 36-minute music with ABS. Anxiety and affect were measured before and after the intervention using the STICSA and PANAS, respectively. All music with ABS conditions resulted in greater reductions in anxiety and negative affect compared to the control, replicating earlier findings. The largest reduction in negative affect was observed in the 36-minute condition, which was significantly greater than reduction in the 12-minute condition, suggesting a dose-response effect. These findings support music with ABS as a possible addition to existing anxiety treatments, especially when access to common behavioral health interventions is limited. Future studies should aim to increase the generalizability of the findings and further investigate the dose-effect of music on anxiety reduction. This study was retrospectively registered on ISRCTN (ISRCTN47181782).


 
 
 

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