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O Que o Narcisismo Social Tem a Ver Com Teorias da Conspiração Anticiência?

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Pessoas que acreditam que seu grupo social é “superior” podem ter mais chances de desconfiar de psicólogos e acreditar em teorias conspiratórias sobre saúde mental, aponta novo estudo. A pesquisa revela como identidade social e narcisismo podem influenciar atitudes anticiência.


Do ponto de vista da neurociência, o narcisismo está associado a alterações em regiões cerebrais ligadas à autoestima, empatia, recompensa emocional e regulação social. Estudos mostram que pessoas com traços narcisistas frequentemente apresentam funcionamento alterado no córtex pré-frontal, área responsável pelo julgamento social, autocontrole e avaliação das próprias ações, além de menor ativação em regiões relacionadas à empatia, como a ínsula anterior e o córtex cingulado anterior. 


Também há envolvimento do sistema de recompensa dopaminérgico, especialmente em situações de admiração, status e validação social, fazendo com que elogios e reconhecimento ativem fortemente circuitos ligados ao prazer e ao valor pessoal.


Um novo estudo revelou uma ligação preocupante entre narcisismo de classe social e crenças conspiratórias sobre saúde mental. Segundo os pesquisadores, pessoas que acreditam que seu grupo social é “superior” aos demais tendem a desconfiar mais de psicólogos, psiquiatras e tratamentos psicológicos, vendo esses profissionais como manipuladores ou controladores.



Os cientistas chamam isso de “narcisismo de classe social”: uma visão exagerada da importância do próprio grupo, acompanhada de forte sensibilidade a críticas e hostilidade contra outros grupos sociais. De acordo com a pesquisa, esse tipo de mentalidade pode aumentar a aceitação de teorias conspiratórias envolvendo saúde mental e psicologia.


Para investigar isso, os pesquisadores realizaram quatro estudos com quase 2 mil participantes da Polônia e dos Estados Unidos. Em parte da pesquisa, os voluntários responderam questionários sobre suas crenças sociais, opiniões sobre saúde mental e confiança em profissionais da psicologia.


Os cientistas também fizeram um experimento interessante: em um dos estudos, eles induziram temporariamente sentimentos de superioridade social nos participantes para observar se isso mudaria suas opiniões. Após essa manipulação, as pessoas passaram a demonstrar níveis maiores de crenças conspiratórias relacionadas à ajuda psicológica.



Os resultados mostraram que indivíduos com maior narcisismo social tinham mais chances de acreditar que psicólogos e psiquiatras tentam manipular pessoas, controlar pensamentos ou esconder “verdades” sobre saúde mental.


Além disso, essas crenças estavam associadas a atitudes mais negativas em relação à terapia e a um menor conhecimento sobre transtornos mentais.


Os pesquisadores acreditam que esse fenômeno ajuda a explicar por que movimentos anticiência e desinformação sobre saúde mental vêm crescendo em alguns grupos sociais. Segundo eles, quando a identidade social se torna muito rígida ou defensiva, informações científicas podem passar a ser vistas como ameaças.


O estudo reforça a importância de combater desinformação em saúde mental não apenas com fatos científicos, mas também entendendo fatores emocionais, sociais e identitários que influenciam a forma como as pessoas interpretam a ciência.



LEIA MAIS:


Habitus of doubt? The role of social class narcissism in shaping psychological help conspiracy beliefs

Zuzanna Molenda, Marta Marchlewska, Piotr Michalski, Marta Rogoza, Paulina Bagrowska, Dominika Adamczyk, Maciej Grzeszczuk, Łukasz Gawęda, Grzegorz Pochwatko, and Adam Karakula.


Abstract: 


Collective narcissism is known to fuel anti-scientific attitudes. However, its role in shaping conspiracy beliefs portraying those who use psychology to help others as manipulative or controlling remains largely unexplored. We argue that social class narcissism (i.e., exaggerated belief in the superiority of one's social group, along with sensitivity to criticism and hostility towards other groups) would foster psychological help conspiracy beliefs. Across three cross-sectional studies (N = 1863) among Polish and American participants, social class narcissism correlated with stronger psychological help conspiracy beliefs. In an experimental Study 2 (N = 1371), primed social class narcissism increased such beliefs. The last two studies further showed that social class narcissism was linked to negative attitudes towards psychological help via higher psychological help conspiracy beliefs (Studies 3–4) and lower mental health literacy (Study 4). Our findings highlight the importance of incorporating social identities into interventions targeting anti-scientific attitudes in psychology.


 
 
 

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