Nem Toda Mentira No Amor é Igual: Estudo Identifica Três Perfis De Parceiros Mentirosos

Nem toda mentira tem a mesma intenção. Uma nova pesquisa revelou que existem três tipos bem diferentes de pessoas que mentem nos relacionamentos, desde aquelas que escondem a verdade para evitar conflitos até quem usa o engano para manipular o parceiro. Descubra o que a psicologia e a neurociência mostram sobre os motivos que levam alguém a mentir para quem ama.
Mentir faz parte das relações humanas, mas nem toda mentira tem a mesma intenção. Algumas pessoas escondem a verdade para evitar magoar quem amam, enquanto outras mentem para proteger a si mesmas ou até para manipular o parceiro em benefício próprio. Durante muito tempo, a psicologia estudou a mentira como um comportamento único, sem considerar que diferentes pessoas podem mentir por motivos completamente distintos.
Agora, uma nova pesquisa mostra que existem pelo menos três perfis bem definidos de pessoas que recorrem ao engano em relacionamentos amorosos, e cada grupo apresenta características emocionais e de personalidade bastante diferentes.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores recrutaram 567 adultos dos Estados Unidos que estavam em relacionamentos românticos. Todos responderam uma série de questionários sobre sua vida afetiva, incluindo a frequência com que mentiam para o parceiro e, principalmente, os motivos que os levavam a esconder ou distorcer a verdade.

Os participantes também responderam perguntas sobre satisfação no relacionamento, segurança emocional, medo de abandono, traços de personalidade e características conhecidas na psicologia como "traços sombrios", que incluem tendência à manipulação, falta de empatia, impulsividade, busca excessiva por admiração e prazer em controlar outras pessoas.
Em vez de simplesmente calcular médias, os cientistas utilizaram uma técnica estatística avançada chamada Análise de Perfis Latentes. Esse método funciona como uma ferramenta capaz de identificar grupos naturais de pessoas que apresentam padrões semelhantes de comportamento, mesmo que elas próprias não saibam disso.
Em outras palavras, o computador analisou milhares de respostas simultaneamente para descobrir se existiam perfis psicológicos escondidos por trás das diferentes razões para mentir. O resultado revelou três grupos bastante distintos.

O primeiro grupo, que representava cerca de 38% dos participantes, foi chamado de "Parceiros Transparentes". Essas pessoas relataram raramente recorrer ao engano, independentemente da situação. Em geral, apresentavam maior satisfação no relacionamento, sentiam-se emocionalmente mais seguros e demonstravam menos características de manipulação ou hostilidade. Para elas, a honestidade parecia ser uma estratégia natural de convivência, mesmo quando dizer a verdade poderia ser desconfortável.
O segundo grupo, responsável por quase metade da amostra, foi denominado "Parceiros Acalmadores Estratégicos". Esses participantes admitiam mentir ocasionalmente, mas principalmente para evitar conflitos, proteger o parceiro de sofrimento, impedir discussões ou preservar a estabilidade da relação.
Embora essas mentiras possam parecer bem-intencionadas, os pesquisadores observaram que elas frequentemente estavam ligadas à insegurança emocional e ao medo de perder o relacionamento. Nesses casos, o cérebro pode interpretar qualquer conflito como uma ameaça importante ao vínculo afetivo, favorecendo decisões voltadas para reduzir a ansiedade imediata, mesmo que isso envolva esconder parte da verdade.

O terceiro grupo, que reuniu cerca de 14% dos participantes, chamou mais atenção dos pesquisadores. Batizados de "Estrategistas Antagonistas", esses indivíduos relataram mentir por praticamente todos os motivos avaliados, incluindo manipular situações, chamar atenção, evitar intimidade, obter vantagens pessoais ou até prejudicar deliberadamente o parceiro.
Eles também apresentaram níveis mais elevados de traços conhecidos como maquiavelismo, narcisismo, psicopatia e sadismo, além de menor satisfação com o relacionamento e maior tendência a repetir comportamentos enganosos. Isso sugere que, para algumas pessoas, a mentira não é apenas uma estratégia ocasional, mas parte de um padrão mais amplo de funcionamento psicológico.
Do ponto de vista da neurociência, esses resultados ajudam a compreender que mentir envolve muito mais do que decidir esconder uma informação. Diferentes circuitos cerebrais participam desse processo, incluindo áreas relacionadas ao controle dos impulsos, à tomada de decisões, à empatia e ao processamento das emoções, como o córtex pré-frontal, a amígdala, a ínsula e o córtex cingulado anterior.

Pessoas que mentem para evitar sofrimento podem apresentar maior sensibilidade aos circuitos do medo e da rejeição, enquanto indivíduos com traços mais antagônicos tendem a mostrar menor resposta emocional diante do sofrimento alheio e maior valorização de recompensas pessoais.
Embora este estudo não tenha medido diretamente a atividade cerebral, seus resultados são consistentes com décadas de pesquisas mostrando que personalidade, emoções e funcionamento cerebral influenciam profundamente a forma como lidamos com a verdade dentro dos relacionamentos.
Os autores destacam que ninguém deve ser rotulado com base em um único comportamento. Pessoas podem mentir por diferentes razões ao longo da vida e em diferentes relacionamentos. Ainda assim, o estudo mostra que as motivações por trás da mentira seguem padrões relativamente consistentes e estão relacionadas à personalidade, à forma como cada indivíduo vivencia seus vínculos afetivos e à maneira como regula suas emoções.
Compreender essas diferenças pode ajudar terapeutas, casais e profissionais da saúde mental a abordar conflitos de forma mais personalizada, buscando não apenas reduzir as mentiras, mas entender o que realmente leva alguém a esconder a verdade de quem ama.
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Strategic Soothers, Transparent Partners, and Antagonistic Strategists: A Latent Profile Analysis of Romantic Deception
Tim Cole and Kellie Stonebrook
International Association for Relationship Research. May 26, 2026
Abstract:
The present study used Latent Profile Analysis (LPA) to identify naturally occurring patterns of motives for deception among adults in romantic relationships. Participants were 567 U.S. adults who reported on seven deceptive motives, attachment insecurity, dark personality traits (Machiavellianism, narcissism, psychopathy, and sadism), relational satisfaction, and the tendency to deceive. A three-profile solution emerged. Transparent Partners (38.1%) reported uniformly low endorsement of all motives underlying deception. Strategic Soothers (47.6%) endorsed deception primarily for self-protective and maintenance-oriented reasons, whereas Antagonistic Strategists (14.3%) reported elevated endorsement across all motives, including malicious intent, attention seeking, and sexual avoidance. Profiles differed meaningfully in attachment insecurity, antagonistic personality traits, relational satisfaction, and the tendency to deceive, suggesting that deception reflects distinct motivational patterns linked to different personality configurations and relationship experiences. By identifying motive-based profiles, this study offers a more nuanced and ecologically valid account of how and why deception occurs within romantic relationships.



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