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O Nariz Pode Revelar o Alzheimer Antes da Memória Falhar

  • 7 de abr.
  • 4 min de leitura

O estudo investigou o uso do tecido do nariz como uma forma acessível de detectar alterações precoces da doença de Alzheimer. Ao analisar células coletadas de diferentes grupos de indivíduos, os pesquisadores identificaram sinais de inflamação e dano neuronal já em estágios iniciais da doença. Esses achados sugerem que o epitélio olfatório pode ser uma ferramenta promissora para diagnóstico precoce e para o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento.


A doença de Alzheimer é uma condição que afeta o cérebro de forma progressiva, comprometendo a memória, o pensamento e o comportamento. Um aspecto curioso e cada vez mais estudado dessa doença é a perda do olfato, conhecida como anosmia, que pode surgir antes mesmo dos sintomas clássicos de memória.


Isso tem despertado o interesse de cientistas, pois sugere que alterações no sistema olfativo podem ser um dos primeiros sinais da doença, oferecendo uma oportunidade valiosa para diagnóstico precoce.


O sistema responsável pelo olfato começa em uma região localizada na parte superior do nariz, chamada epitélio olfatório. Essa área contém células especializadas que captam odores e enviam sinais diretamente para o cérebro.


Essas conexões chegam a regiões cerebrais importantes para a memória, como o córtex entorrinal, que é uma das primeiras áreas afetadas na doença de Alzheimer. Isso ajuda a explicar por que alterações no olfato podem estar tão intimamente ligadas ao início da doença.



Estudos anteriores mostraram que essas células do nariz podem apresentar alterações semelhantes às encontradas no cérebro de pessoas com Alzheimer, como o acúmulo de proteínas anormais associadas à doença. 


Além disso, há uma conexão física entre o cérebro e a cavidade nasal por onde circulam líquidos do sistema nervoso, o que torna essa região ainda mais interessante para investigação. Por ser de fácil acesso, o epitélio olfatório pode funcionar como uma “janela” para observar o que está acontecendo no cérebro sem a necessidade de procedimentos invasivos.


Apesar dessas descobertas, a maioria das pesquisas anteriores foi realizada com tecidos de pessoas em estágios avançados da doença ou após a morte, o que limita a compreensão dos eventos iniciais.


Com os avanços tecnológicos recentes, tornou-se possível coletar amostras do epitélio olfatório de forma simples, durante consultas médicas, utilizando técnicas minimamente invasivas. Além disso, novas ferramentas permitem analisar essas amostras em nível muito detalhado, observando o comportamento de células individuais.


O pesquisadores Bradley J. Goldstein, M.D., Ph.D. e Vincent M. D’Anniballe Crédito: Duke Health/ Shawn Rocco.


Neste estudo, os pesquisadores coletaram amostras do interior do nariz de três grupos diferentes de pessoas: indivíduos saudáveis com função cognitiva normal, pessoas com sinais claros de Alzheimer confirmados por exames biológicos, e indivíduos que ainda não apresentavam sintomas, mas já possuíam alterações em marcadores biológicos que indicam alto risco de desenvolver a doença. Essa comparação permitiu investigar mudanças que ocorrem desde os estágios mais iniciais até fases mais avançadas.


A análise das amostras foi feita utilizando uma técnica avançada que permite estudar quais genes estão ativos em cada célula individualmente. Isso possibilitou identificar diferentes tipos de células presentes no tecido e observar como elas estavam se comportando.


Os pesquisadores focaram especialmente em células do sistema imunológico e nos neurônios responsáveis pelo olfato. Também utilizaram outro método para confirmar a ativação de células de defesa específicas, analisando como elas respondiam em cada grupo estudado. 


Exemplo de amostra por swab nasal Crédito: Duke Health/Shawn Rocco


Os resultados mostraram que alterações inflamatórias e sinais de dano celular já estavam presentes mesmo em pessoas sem sintomas evidentes, mas com risco elevado de Alzheimer. Em particular, foi observado um aumento na atividade de certas células do sistema imunológico que parecem contribuir para a inflamação e possível dano aos neurônios do olfato. 


Essas mudanças eram semelhantes às encontradas em fases mais avançadas da doença, indicando que o processo começa muito antes do aparecimento dos sintomas clássicos.



LEIA MAIS:


Olfactory cleft biopsy analysis of Alzheimer’s disease pathobiology across disease stages

Vincent M. D’Anniballe, Sarah Kim, John B. Finlay, Michael Wang, Tiffany Ko, Sheng Luo, Heather E. Whitson, Kim G. Johnson, and Bradley J. Goldstein

Nature Communications. 18 March 2026. 17, Article number: 2245 (2026)

DOI: 10.1038/s41467-026-70099-7


Abstract:


Alzheimer’s Disease (AD) is a neurodegenerative condition affecting millions worldwide. Defining early pathobiological events remains challenging, in part due to inaccessibility of neural tissue. Because olfactory neurons are accessible, and olfactory loss is prevalent in AD, we evaluated olfactory brush biopsies from controls, individuals with cerebrospinal fluid (CSF) biomarker-confirmed AD, and cognitively typical individuals whose positive CSF biomarkers signal a pre-clinical AD stage. Here we show via single cell RNA-sequencing (n = 22 subjects) conserved neuroinflammatory T cell, myeloid cell, and olfactory neuron changes detectable even in pre-clinical AD subjects, and corroborate heightened CD8 T-cell activation by flow cytometry. Activated memory T cell states in the olfactory epithelium were a hallmark of pre-clinical AD, paralleling CSF T cell phenotypes seen in advanced disease, accompanied by both microglia-like inflammatory programs and evidence of olfactory neuron inflammatory injury. Together, our findings establish a platform permitting analysis of neural tissue in AD at its earliest stages.


 
 
 

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