Novo Exame De Sangue Pode Detectar Alzheimer 25 Anos Antes Dos Sintomas
- 15 de abr.
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E se fosse possível prever o risco de demência décadas antes dos primeiros sinais aparecerem? Um simples exame de sangue pode estar abrindo essa porta. Cientistas descobriram que níveis elevados de uma proteína específica no organismo estão ligados a um risco até três vezes maior de desenvolver demência, e o mais impressionante: isso pode ser detectado até 25 anos antes dos sintomas. A descoberta promete transformar a forma como entendemos, prevenimos e até tratamos doenças neurodegenerativas, levando em conta fatores como idade, genética e estilo de vida.
A demência, incluindo a doença de Alzheimer, é uma das condições que mais preocupam o envelhecimento da população. Um dos grandes desafios sempre foi identificar quem está em risco antes que os sintomas apareçam. Agora, um novo estudo sugere que isso pode ser possível com um simples exame de sangue, capaz de indicar o risco de problemas cognitivos até 25 anos antes de eles surgirem.
Esse exame mede uma substância presente no sangue chamada p-tau217, uma proteína ligada às alterações no cérebro associadas à doença de Alzheimer. Quando essa proteína aparece em níveis mais altos, isso pode indicar que mudanças no cérebro já estão começando, mesmo que a pessoa ainda não tenha qualquer sinal de perda de memória ou dificuldade de raciocínio.

Para investigar essa relação, os pesquisadores acompanharam cerca de 2.766 mulheres idosas nos Estados Unidos ao longo de até 25 anos. No início do estudo, todas estavam cognitivamente saudáveis, ou seja, sem sinais de demência ou comprometimento leve da memória.
Os exames foram feitos a partir de amostras de sangue coletadas de mulheres idosas ainda na década de 1990, quando todas estavam sem sinais de problemas de memória. Esse sangue foi armazenado por muitos anos e, décadas depois, analisado com técnicas modernas capazes de detectar quantidades muito pequenas de uma proteína chamada p-tau217, associada à doença de Alzheimer.

Em seguida, os pesquisadores compararam os níveis dessa proteína com o que aconteceu com as participantes ao longo de até 25 anos, observando quem desenvolveu comprometimento cognitivo ou demência. Assim, foi possível verificar que níveis mais altos dessa substância no sangue estavam ligados a um maior risco futuro, mostrando que alterações relacionadas à doença podem ser identificadas muito antes do aparecimento dos sintomas.
Os resultados mostraram que níveis mais altos dessa proteína estavam fortemente associados ao risco futuro de desenvolver problemas cognitivos. No total, cerca de 47% das participantes (1.311 de 2.766) desenvolveram algum grau de comprometimento cognitivo ou demência ao longo do acompanhamento. Isso permitiu aos pesquisadores identificar padrões claros entre o exame de sangue e o risco ao longo do tempo.
Quando analisado em detalhes, o aumento dessa proteína no sangue esteve ligado a um risco significativamente maior:
- Para qualquer problema cognitivo (leve ou demência): risco cerca de 2,4 vezes maior.
- Para comprometimento leve da memória: risco cerca de 1,9 vezes maior.
- Para demência: risco cerca de 3,2 vezes maior.

Em termos simples, isso significa que quanto maior o nível dessa proteína, maior a probabilidade de a pessoa desenvolver problemas cognitivos no futuro, especialmente demência. O estudo também mostrou que esse risco não é igual para todas as pessoas. Ele foi mais elevado em alguns grupos específicos:
- Mulheres com mais de 70 anos.
- Pessoas com uma predisposição genética específica (conhecida por aumentar o risco de Alzheimer).
- Mulheres brancas, em comparação com mulheres negras.
- Mulheres que fizeram um tipo específico de terapia hormonal (combinação de estrogênio e progestina).
Por outro lado, em mulheres negras, a proteína não mostrou uma relação clara com comprometimento leve da memória, o que indica que outros fatores podem influenciar o risco nessa população.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que esse exame ainda não é um diagnóstico definitivo. Ele funciona como um indicador de risco, ajudando a identificar pessoas que podem precisar de acompanhamento mais próximo no futuro. Ainda são necessários mais estudos para entender como usar essa informação na prática clínica.
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Plasma Phosphorylated Tau 217 and Incident Mild Cognitive Impairment and Dementia in Older Women
Aladdin H. Shadyab, Bowei Zhang, Andrea Z. LaCroix, Michelle M. Mielke, Susan M. Resnick, Steve Nguyen, Luigi Ferrucci, Towia A. Libermann, Long Ngo, Ramon Casanova, Alexander P. Reiner, Danni Li, Caroline M. Nievergelt, Adam X. Maihofer, JoAnn E. Manson, and Linda K. McEvoy
JAMA Network Open. 10 March 2026;9;(3):e261295.DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2026.1295
Abstract:
There is limited research on the long-term associations of plasma phosphorylated tau 217 (p-tau217) with mild cognitive impairment (MCI) and dementia. No study has evaluated whether such associations vary by race or hormone therapy (HT) use. To examine associations of baseline plasma p-tau217 with incident MCI and dementia and determine whether associations vary by age, race, APOE ε4 carrier status, or HT use. This cohort study examined women recruited from 39 US clinical sites between 1996 and 1999 into the Women’s Health Initiative Memory Study who were randomized to either estrogen alone vs placebo or estrogen plus progestin vs placebo. Women were assessed for up to 25 years through 2021. Baseline plasma p-tau217 was measured in 2024 and analyzed between February and August 2025. Women aged 65 to 79 years who were cognitively unimpaired at baseline were included for this analysis. Plasma p-tau217, quantified using the ALZpath Simoa assay. The primary outcome was the combined end point of incident MCI or probable dementia. Secondary outcomes included MCI and dementia examined separately. Cause-specific hazard ratios (HRs) and 95% CIs for the association of p-tau217 with MCI or dementia were estimated using Cox proportional hazards regression models. Among 2766 participants (mean [SD] age, 69.9 [3.8] years; 486 [17.9%] Black, 196 [7.1%] Hispanic, and 2007 [73.9%] White), 1311 developed the combined end point of MCI or dementia (849 participants with MCI and 752 participants with dementia). Every 1-SD increase in log2-transformed p-tau217 was associated with incident MCI or dementia (HR, 2.43; 95% CI, 2.18-2.71) and each individual outcome (MCI: HR, 1.94; 95% CI, 1.72-2.20; dementia: HR, 3.17; 95% CI, 2.79-3.61). Associations of p-tau217 with dementia were larger in magnitude for women randomized to estrogen plus progestin (HR, 4.18; 95% CI, 3.41-5.13) vs placebo (HR, 3.07; 95% CI, 2.41-3.91) (P for interaction = .04) but did not significantly vary by estrogen alone vs placebo. P-tau217 associations with MCI or dementia were larger in magnitude for women older than 70 years (P for interaction = .04), APOE ε4 carriers (P for interaction = .02), and White women compared with Black women (P for interaction < .001). However, the combination of p-tau217 and age performed similarly in White women (area under the curve = 72.0%; 95% CI, 70.3%-73.6%) and Black women (area under the curve = 70.4%; 95% CI, 64.0%-78.0%). P-tau217 was not associated with incident MCI in Black women. In this cohort study of cognitively unimpaired older women, p-tau217 was associated with incident MCI or dementia up to 25 years later. These findings suggest that age, race, APOE ε4, and HT use should be considered when examining associations of p-tau217 with cognitive outcomes.



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