Estudo de 43 Anos Associa Café Com Menor Risco de Demência
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Um estudo científico que acompanhou mais de cento e trinta mil pessoas durante até quarenta e três anos investigou a relação entre consumo de café e risco de demência. Os resultados indicaram que pessoas que bebiam café com cafeína regularmente apresentavam menor risco de desenvolver demência e menor percepção de declínio na memória. O consumo moderado, em torno de duas a três xícaras por dia, mostrou a associação mais forte. O café descafeinado não apresentou o mesmo efeito. Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores ressaltam que mais estudos são necessários para confirmar se o café realmente ajuda a proteger o cérebro.
Muitas pessoas começam o dia com uma xícara de café, mas essa bebida pode fazer mais do que apenas ajudar a despertar. Um estudo científico de longo prazo investigou se o consumo de café está relacionado à saúde do cérebro e ao risco de desenvolver demência.
A pesquisa acompanhou mais de cento e trinta mil pessoas durante várias décadas e encontrou uma associação interessante entre o consumo de café com cafeína e um menor risco de problemas cognitivos.
A demência é um conjunto de condições que afetam a memória, o raciocínio e outras habilidades mentais. Ela ocorre quando células do cérebro começam a se deteriorar ou morrer, prejudicando a capacidade de pensar e lembrar. Entre as causas mais conhecidas estão doenças como o Alzheimer. Como o número de pessoas idosas está aumentando no mundo, entender os fatores que podem proteger o cérebro se tornou uma prioridade para a ciência.

Para investigar essa questão, os pesquisadores utilizaram um tipo de pesquisa chamado estudo de coorte prospectivo. Nesse tipo de estudo, um grande grupo de pessoas é acompanhado ao longo de muitos anos para observar como seus hábitos de vida podem influenciar a saúde.
Neste caso, os cientistas analisaram dados de dois grandes estudos norte-americanos envolvendo profissionais da área da saúde. Ao todo, participaram mais de cento e trinta mil adultos que não tinham demência no início da pesquisa.
Ao longo de até quarenta e três anos, os participantes responderam regularmente questionários detalhados sobre sua alimentação, incluindo a quantidade de café, café descafeinado e chá consumidos.
Esses questionários são ferramentas comuns em pesquisas de nutrição e são cuidadosamente validados para garantir que forneçam estimativas confiáveis sobre os hábitos alimentares. Durante o acompanhamento, os cientistas também registraram diagnósticos médicos e causas de morte para identificar novos casos de demência.

Além disso, alguns participantes realizaram testes cognitivos, que são avaliações usadas para medir habilidades como memória, atenção e raciocínio. Em parte dos participantes, esses testes foram feitos por telefone usando um método padronizado que permite avaliar o estado mental de forma simples e comparável. Os pesquisadores também perguntaram se as pessoas percebiam mudanças em sua memória ou capacidade de concentração ao longo do tempo.
Os resultados mostraram que pessoas que consumiam mais café com cafeína tinham um risco menor de desenvolver demência em comparação com aquelas que bebiam pouco ou nenhum café.
Também apresentaram uma menor probabilidade de relatar declínio na memória ou no pensamento. Em alguns testes cognitivos, o desempenho médio também foi ligeiramente melhor entre os consumidores mais frequentes de café.

Curiosamente, o mesmo efeito não foi observado com o café descafeinado. Isso sugere que a cafeína ou outras substâncias presentes no café comum podem estar relacionadas a esse possível benefício. O chá, que também contém cafeína e compostos antioxidantes, apresentou associações semelhantes, embora o efeito tenha sido mais evidente em níveis moderados de consumo.
Os pesquisadores observaram que o benefício mais forte apareceu entre pessoas que consumiam cerca de duas a três xícaras de café por dia ou uma a duas xícaras de chá por dia. Quantidades muito maiores não mostraram vantagens adicionais claras.
Ainda assim, os cientistas enfatizam que o estudo mostra apenas uma associação, não uma prova definitiva de causa e efeito. Outros fatores de estilo de vida também podem contribuir para a saúde do cérebro.
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Coffee and Tea Intake, Dementia Risk, and Cognitive Function
Yu Zhang, Yuxi Liu, Yanping Li, Yuhan Li, Xiao Gu, Jae H. Kang, A. Heather Eliassen, Molin Wang, Eric B. Rimm, Walter C. Willett, Frank B. Hu, Meir J. Stampfer, and Dong D. Wang
JAMA. 9 February 2026
DOI: 10.1001/jama.2025.27259
Abstract:
Evidence linking coffee and tea to cognitive health remains inconclusive, and most studies fail to differentiate caffeinated from decaffeinated coffee. To investigate associations of coffee and tea intake with dementia risk and cognitive function. Prospective cohort study that included female participants from the Nurses’ Health Study (NHS; n = 86 606 with data from 1980-2023) and male participants from the Health Professionals Follow-up Study (HPFS; n = 45 215 with data from 1986-2023) who did not have cancer, Parkinson disease, or dementia at study entry (baseline) in the US. The primary exposures were intakes of caffeinated coffee, decaffeinated coffee, and tea. Dietary intake was collected every 2 to 4 years using validated food frequency questionnaires. The primary outcome was dementia, which was identified via death records and physician diagnoses. The secondary outcomes included subjective cognitive decline assessed by a questionnaire-based score (range, 0-7; higher scores indicate greater perceived decline; cases defined as those with a score ≥3) and objective cognitive function assessed only in the NHS cohort using telephone-based neuropsychological tests such as the Telephone Interview for Cognitive Status (TICS) score (range, 0-41) and a measure of global cognition (a standardized mean z score for all 6 administered cognitive tests). Among 131 821 participants (mean age at baseline, 46.2 [SD, 7.2] years in the NHS cohort and 53.8 [SD, 9.7] years in the HPFS cohort; 65.7% were female) during up to 43 years of follow-up (median, 36.8 years; IQR, 28-42 years), there were 11 033 cases of incident dementia. After adjusting for potential confounders and pooling results across cohorts, higher caffeinated coffee intake was significantly associated with lower dementia risk (141 vs 330 cases per 100 000 person-years comparing the fourth [highest] quartile of consumption with the first [lowest] quartile; hazard ratio, 0.82 [95% CI, 0.76 to 0.89]) and lower prevalence of subjective cognitive decline (7.8% vs 9.5%, respectively; prevalence ratio, 0.85 [95% CI, 0.78 to 0.93]). In the NHS cohort, higher caffeinated coffee intake was also associated with better objective cognitive performance. Compared with participants in the lowest quartile, those in the highest quartile had a higher mean TICS score (mean difference, 0.11 [95% CI, 0.01 to 0.21]) and a higher mean global cognition score (mean difference, 0.02 [95% CI, −0.01 to 0.04]); however, the association with global cognition was not statistically significant (P = .06). Higher intake of tea showed similar associations with these cognitive outcomes, whereas decaffeinated coffee intake was not associated with lower dementia risk or better cognitive performance. A dose-response analysis showed nonlinear inverse associations of caffeinated coffee and tea intake levels with dementia risk and subjective cognitive decline. The most pronounced associated differences were observed with intake of approximately 2 to 3 cups per day of caffeinated coffee or 1 to 2 cups per day of tea. Greater consumption of caffeinated coffee and tea was associated with lower risk of dementia and modestly better cognitive function, with the most pronounced association at moderate intake levels.



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