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O Mistério do Cromossomo Y: A Perda Silenciosa No DNA Masculino Que Preocupa Cientistas

  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

A perda do cromossomo Y em parte das células do corpo é comum em homens idosos e pode estar associada a doenças cardíacas, câncer, doenças neurodegenerativas e menor expectativa de vida. Novas tecnologias genéticas permitiram detectar essa alteração com precisão e identificar fatores de risco. Experimentos em animais sugerem que a perda pode ter efeitos diretos na saúde, possivelmente por alterar a regulação genética e o funcionamento do sistema imunológico.


Durante muito tempo, acreditou-se que o cromossomo Y, o cromossomo que diferencia biologicamente homens de mulheres, tinha importância limitada fora da determinação do sexo masculino e da produção de espermatozoides.


Ele contém relativamente poucos genes quando comparado a outros cromossomos. Além disso, células conseguem sobreviver mesmo quando perdem o cromossomo Y, o que levou cientistas a pensar que essa perda não teria grandes consequências para a saúde.


No entanto, pesquisas mais recentes mostram que muitos homens começam a perder o cromossomo Y em parte de suas células à medida que envelhecem. Esse fenômeno é chamado de perda em mosaico do cromossomo Y. “Mosaico” significa que algumas células do corpo mantêm o cromossomo Y, enquanto outras o perderam. 



Estudos indicam que mais de 40% dos homens acima de 70 anos apresentam essa alteração no sangue, e a frequência aumenta com a idade. Fatores como tabagismo, exposição a substâncias tóxicas e certas variações genéticas também aumentam o risco.


Mas como os cientistas detectam essa perda? Eles utilizam técnicas modernas de análise genética. Uma delas é o sequenciamento de nova geração, que permite ler grandes quantidades de DNA ao mesmo tempo e identificar se o material genético do cromossomo Y está ausente em parte das células. 


Outra técnica usa uma reação química chamada reação em cadeia da polimerase, que amplifica regiões específicas do DNA para verificar se determinados genes do cromossomo Y estão presentes ou não. Ao comparar a quantidade de material genético do Y com outros cromossomos, é possível estimar quantas células perderam esse cromossomo.


Os pesquisadores também analisaram grandes bancos de dados genéticos de milhares de homens. Esses estudos identificaram cerca de 150 genes espalhados pelo genoma que influenciam a probabilidade de perder o cromossomo Y. Muitos desses genes estão envolvidos no controle da divisão celular. Isso sugere que a perda do Y pode ocorrer durante o processo de multiplicação das células, quando o cromossomo simplesmente “fica para trás” e não é incorporado corretamente na nova célula.



Observações em laboratório mostraram que células sem o cromossomo Y às vezes crescem mais rapidamente do que células normais. Isso pode dar a elas uma vantagem competitiva dentro de certos tecidos, fazendo com que se tornem mais numerosas ao longo do tempo. Esse crescimento acelerado também pode ajudar a explicar por que a perda do Y é frequentemente encontrada em células cancerígenas.


As associações clínicas são preocupantes. Diversos estudos mostram que homens com maior proporção de células sem o cromossomo Y apresentam risco aumentado de doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer, doenças neurodegenerativas como Alzheimer e até maior mortalidade por infecções como COVID-19. No entanto, associação não significa necessariamente causa. Pode ser que a perda do Y contribua diretamente para essas doenças, ou que seja apenas um sinal de envelhecimento celular acelerado.



Para investigar se a perda do cromossomo Y pode causar problemas de saúde diretamente, pesquisadores realizaram experimentos com camundongos. Eles transplantaram células sanguíneas que não possuíam o cromossomo Y em animais cujas próprias células sanguíneas haviam sido eliminadas por radiação.  


Esses camundongos desenvolveram mais problemas relacionados ao envelhecimento, incluindo piora da função cardíaca. Esse resultado sugere que a perda do Y pode ter efeitos biológicos reais e não apenas ser um marcador estatístico.


Embora o cromossomo Y tenha poucos genes, muitos deles participam da regulação de outros genes no corpo. Alguns ajudam a controlar o sistema imunológico e o crescimento celular. Como esses genes possuem cópias semelhantes no cromossomo X, homens normalmente contam com uma versão no Y e outra no X. 


Quando o Y é perdido, a célula fica apenas com uma cópia, o que pode alterar o equilíbrio da atividade genética. Além disso, o cromossomo Y contém regiões que produzem moléculas regulatórias que influenciam o funcionamento de outros genes. Pesquisas futuras deverão esclarecer com mais precisão como essa perda contribui para doenças.



READ MORE:


Mosaic loss of the Y chromosome and men's health

Maki Fukami, and Mami Miyado

Reproductive Medicine and Biology. Volume21, Issue1, January/December 2022, e12445


Abstract:


Although Y chromosomal genes are involved in male sex development, spermatogenesis, and height growth, these genes play no role in the survival or mitosis of somatic cells. Therefore, somatic cells lacking the Y chromosome can stay and proliferate in the body. Several molecular technologies, including next-generation sequencing and multiplex PCR-based assays, are used to detect mosaic loss of the Y chromosome (mLOY) in the blood of men. Accumulating evidence suggests that mLOY represents the most common acquired chromosomal alteration in humans, affecting >40% of men over 70 years of age. Advanced age, tobacco smoking, and some SNPs in cell cycle genes are known to increase the frequency of mLOY. The developmental process of mLOY in elderly men remains to be clarified, but it possibly reflects recurrent mitotic elimination of Y chromosomes or clonal expansion of 45,X cell lineages. In rare cases, mLOY also occurs in young men and fetuses. MLOY has been associated with early death, cancers, and other disorders in elderly men, infertility in reproductive-aged men, and developmental defects in children. Y chromosomes in men can be lost at every life stage and Y chromosomal loss is associated with various health problems.


The Conversation


Men lose their Y chromosome as they age. Scientists thought it didn’t matter – but now we’re learning more

Published: February 13, 2026 1.52am CET

Jenny Graves 



 
 
 

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