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Menopausa Vai Além Das Ondas de Calor: Impactos no Cérebro e na Saúde Mental

  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

A menopausa está associada a mudanças importantes na saúde mental, no sono, na cognição e na estrutura do cérebro. Embora a terapia de reposição hormonal seja eficaz para aliviar sintomas físicos, seus benefícios psicológicos não são claros e parecem variar entre as mulheres. Os resultados sugerem que mulheres que usam terapia de reposição hormonal podem já apresentar mais desafios de saúde mental antes do tratamento. Esses achados destacam a necessidade de olhar para a menopausa não apenas como uma questão hormonal, mas também como um período crítico para o cuidado com a saúde mental feminina.


A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas que traz uma série de mudanças físicas e emocionais importantes. Ondas de calor, alterações no humor, problemas de sono e fadiga são alguns dos sintomas mais comuns. Além disso, muitas mulheres relatam dificuldades de memória, concentração e atenção nesse período. Apesar de a menopausa ser um evento esperado do envelhecimento, seus efeitos sobre o cérebro e a saúde mental ainda não são totalmente compreendidos.


Para aliviar os sintomas, muitas mulheres recorrem à terapia de reposição hormonal (TRH), que repõe hormônios como o estrogênio, cuja produção cai após a menopausa. O uso da terapia de reposição hormonal tem crescido nos últimos anos, especialmente para reduzir sintomas físicos como ondas de calor e suores noturnos. 


No entanto, embora a terapia de reposição hormonal seja considerada eficaz para esses sintomas corporais, ainda existem muitas dúvidas sobre seus efeitos no humor, no sono, na cognição e na saúde mental de forma mais ampla.



Os estudos científicos sobre estrogênio, menopausa e cognição mostram resultados contraditórios. Algumas pesquisas sugerem que a perda precoce de hormônios ovarianos pode aumentar o risco de demência e declínio cognitivo. Outras indicam que uma maior exposição ao estrogênio ao longo da vida pode proteger o cérebro e retardar esse declínio. 


O mesmo vale para a terapia de reposição hormonal: enquanto alguns estudos apontam riscos, outros sugerem efeitos benéficos, o que mostra que a relação entre hormônios e cérebro é complexa e provavelmente depende de fatores individuais, como idade, histórico de saúde e momento de início do tratamento.


Quando se trata de saúde mental, o cenário é ainda mais nebuloso. Evidências indicam que sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios do sono se tornam mais frequentes após a menopausa. Algumas mulheres relatam piora do humor e aumento da insônia, o que pode afetar significativamente a qualidade de vida. 



Curiosamente, estudos populacionais observaram que mulheres na pós-menopausa que usam terapia de reposição hormonal, em média, relatam mais sintomas de saúde mental do que aquelas que não usam. Isso levanta uma questão importante: a terapia de reposição hormonal estaria causando esses sintomas ou estaria sendo mais usada por mulheres que já apresentavam maior sofrimento psicológico?


Para tentar responder a essas perguntas, este estudo analisou dados de quase 125 mil mulheres, comparando três grupos: mulheres na pré-menopausa, mulheres na pós-menopausa que nunca usaram terapia de reposição hormonal e mulheres na pós-menopausa que usaram terapia de reposição hormonal.


Foram avaliados aspectos como duração e qualidade do sono, níveis de cansaço, sintomas de ansiedade e depressão e desempenho em tarefas de memória. Além disso, um subconjunto das participantes realizou exames de imagem cerebral.


As análises mostraram que a menopausa está associada a mais dificuldades emocionais, pior sono e maior cansaço. Mulheres que usavam terapia de reposição hormonal relataram, em média, mais sintomas de ansiedade e depressão do que aquelas que não usavam. 



No entanto, análises mais detalhadas sugerem que essas mulheres já apresentavam mais sintomas antes mesmo de iniciar a terapia, indicando que a terapia de reposição hormonal pode não ser a causa direta desses problemas, mas sim um marcador de mulheres que já estavam buscando ajuda por se sentirem pior.


Os exames cerebrais revelaram que mulheres na pós-menopausa apresentaram redução do volume de substância cinzenta em regiões importantes do cérebro, como o hipocampo, envolvido na memória, e o córtex cingulado anterior, relacionado à regulação emocional.


Essas reduções foram mais acentuadas no grupo que usava terapia de reposição hormonal, embora, novamente, isso possa refletir diferenças pré-existentes entre os grupos, e não necessariamente um efeito negativo direto do tratamento hormonal.



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Emotional and cognitive effects of menopause and hormone replacement therapy

Katharina Zuhlsdorff, Christelle Langley, Richard Bethlehem, Varun Warrier, Rafael Romero Garcia, and Barbara J Sahakian

Psychological Medicine. 27 January 2026; 56 : e24. 

DOI: 10.1017/S0033291725102845


Abstract:


Menopause is a natural physiological process, but its effects on the brain remain poorly understood. In England, approximately 15% of women use hormone-replacement therapy (HRT) to manage menopausal symptoms. However, the psychological benefits of HRT are not well established. This study aims to investigate the impact of menopause and HRT on mental health, cognitive function, and brain structure. We analyzed data from nearly 125,000 participants in the UK Biobank to assess associations between menopause, HRT use, and outcomes related to mental health, cognition, and brain morphology. Specifically, we focused on gray matter volumes in the medial temporal lobe (MTL) and anterior cingulate cortex (ACC). Menopause was associated with increased levels of anxiety, depression, and sleep difficulties. Women using HRT reported greater mental health challenges than post-menopausal women not using HRT. Post-hoc analyses revealed that women prescribed HRT had higher levels of pre-existing mental health symptoms. In terms of brain structure, MTL and ACC volumes were smaller in post-menopausal women compared to pre-menopausal women, with the lowest volumes observed in the HRT group. Our findings suggest that menopause is linked to adverse mental health outcomes and reductions in gray matter volume in key brain regions. The use of HRT does not appear to mitigate these effects and may be associated with more pronounced mental health challenges, potentially due to underlying baseline differences. These results have important implications for understanding the neurobiological effects of HRT and highlighting the unmet need for addressing mental health problems during menopause.

 
 
 

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