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Não Era Pra Relaxar? Estudo Mostra Que Uso Frequente de Cannabis Pode Alterar o Sistema de Estresse do Cérebro

  • há 10 horas
  • 4 min de leitura

Muitas pessoas usam cannabis para aliviar o estresse, mas um novo estudo sugere que o efeito pode ser bem diferente a longo prazo. Pesquisadores descobriram que usuários frequentes acordam com níveis mais altos de cortisol, o principal hormônio do estresse, revelando que o cérebro e o organismo podem permanecer em estado de alerta mesmo após horas sem consumir a substância.


A cannabis é uma das substâncias psicoativas mais consumidas no mundo e, para muitas pessoas, é vista como uma forma de aliviar a ansiedade e o estresse. De fato, logo após o uso, algumas pessoas relatam uma sensação de relaxamento. Mas o que acontece com o cérebro e o organismo quando esse consumo se torna frequente? 


Um novo estudo investigou justamente essa questão e encontrou evidências de que usuários habituais de cannabis acordam com níveis mais elevados de cortisol, conhecido como o principal hormônio do estresse.


O cortisol é produzido pelas glândulas suprarrenais e faz parte do principal sistema de resposta ao estresse do organismo. Em situações desafiadoras, ele ajuda o corpo a aumentar a energia, manter a atenção e preparar o cérebro para reagir rapidamente. Normalmente, seus níveis aumentam logo após acordarmos e diminuem gradualmente ao longo do dia.  



No entanto, quando esse sistema permanece ativado por longos períodos, pode afetar o funcionamento do cérebro, influenciando regiões como o hipocampo, importante para a memória, o córtex pré-frontal, responsável pelo autocontrole e pela tomada de decisões, e a amígdala, que participa do processamento das emoções e do medo.


Para entender como a cannabis pode interferir nesse mecanismo, os pesquisadores compararam dois grupos de adultos: pessoas que utilizavam cannabis com frequência e indivíduos saudáveis que não faziam uso da substância. 


Durante dois dias consecutivos, todos responderam questionários sobre seus níveis de estresse e coletaram amostras de saliva em três momentos do dia: imediatamente ao acordar, trinta minutos depois e no período da noite. A saliva permite medir a quantidade de cortisol de forma simples e sem causar desconforto, sendo um dos métodos mais utilizados para estudar a resposta biológica ao estresse.



Os cientistas esperavam encontrar diferenças no aumento natural do cortisol após o despertar, um fenômeno considerado um importante indicador da atividade do sistema de resposta ao estresse. Curiosamente, esse aumento foi semelhante nos dois grupos.


A grande diferença apareceu logo no momento em que as pessoas acordavam. Os usuários frequentes de cannabis já apresentavam níveis de cortisol significativamente mais elevados antes mesmo do aumento fisiológico que ocorre pela manhã.


Além disso, quanto maiores eram as dificuldades e os problemas relacionados ao uso da cannabis relatados pelos participantes, maiores também eram seus níveis de cortisol ao despertar. Isso sugere que o uso frequente da droga pode estar associado a uma alteração persistente no funcionamento do sistema biológico que regula o estresse.  



Embora muitas pessoas utilizem a cannabis justamente para tentar relaxar, esses resultados indicam que, a longo prazo, o organismo pode permanecer em um estado de maior ativação fisiológica.


Os pesquisadores ressaltam que o estudo não demonstra que a cannabis seja a causa direta do aumento do cortisol, mas revela uma associação importante entre o uso frequente da substância e alterações na biologia do estresse.


Essas descobertas ajudam a compreender por que algumas pessoas podem desenvolver um padrão de uso cada vez mais intenso e reforçam a necessidade de novos estudos para investigar como essas mudanças no cérebro e no organismo podem influenciar a saúde mental e o risco de dependência ao longo dos anos.



LEIA MAIS: 


Subjective Stress and Diurnal Salivary Cortisol in Adults with Frequent Cannabis Use

Julia Donner, Alexia N. Obrochta, and Anita Cservenka

Cannabis. 9 June 2026DOI: 10.26828/cannabis/2026/000390


Abstract: 


The hypothalamic pituitary adrenal (HPA) axis, the major neuroendocrine system that responds to stress, may be dysregulated by substance use. The rise of cortisol in the morning, known as the cortisol awakening  response  (CAR),  is  believed  to  be  a  reliable marker  for  individual  differences  in  HPA  axis activity.  The  purpose  of  this  study  was  to  investigate  differences  in  the  CAR  between  individuals  with frequent  cannabis  use  (CU)  and  healthy  controls  (HC)  and  determine  whether  cannabis  use  status moderates the relationship between subjective stress and cortisol levels. 39 CU and 43 HC reported subjective  stress  levels  and  collected  daily  saliva  samples  at  awakening,  30  minutes  later,  and  in  the evening, on two consecutive weekdays. We examined group differences in the CAR (30 min post awakening awakening cortisol), and the association between stress and cortisol levels at each collection time with group entered as a moderator in regression analyses. There were no significant group differences in the CAR (p = .23). At awakening, subjective stress was positively related to cortisol levels (p = .001) and CU had higher cortisol than HC (p= .047), which was significantly related to consequences of cannabis use (p= .007). While the rise of the CAR did not differ between groups, individuals with frequent cannabis use exhibited significantly higher basal cortisol levels at awakening. This elevation was positively correlated  with  cannabis related  consequences,  suggesting  that 

awakening  cortisol  may  serve  as  a neurobiological marker of problematic cannabis use and warrants further investigation.

 
 
 

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