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Nova Terapia Reprograma o Cérebro Para Restaurar o Cérebro Depressivo

  • 15 de mai.
  • 4 min de leitura

Uma nova terapia está tentando fazer algo que muitos tratamentos para depressão ainda não conseguem: devolver a capacidade de sentir prazer, motivação e alegria. Em um estudo clínico, pacientes apresentaram melhora emocional maior quando a terapia focou diretamente nos sistemas de recompensa do cérebro. Os cientistas acreditam que isso pode mudar a forma como tratamos depressão e ansiedade no futuro.


A depressão não envolve apenas tristeza. Muitas pessoas deixam de sentir prazer nas coisas que antes amavam, perdem o interesse pela vida, a motivação desaparece e até momentos felizes parecem emocionalmente “apagados”. 


Esse sintoma, chamado anedonia, é um dos aspectos mais difíceis de tratar na depressão e também aparece em transtornos de ansiedade, estresse pós-traumático e outros problemas psiquiátricos. Embora muitos tratamentos atuais consigam reduzir emoções negativas, eles frequentemente falham em restaurar emoções positivas, alegria, entusiasmo e sensação de conexão com a vida.


Foi justamente esse problema que motivou cientistas a desenvolver uma nova abordagem terapêutica chamada Tratamento do Afeto Positivo. Em vez de focar apenas na redução de pensamentos negativos, a terapia foi criada para “reativar” os sistemas cerebrais ligados à recompensa, prazer, motivação e esperança. 



A ideia central era ensinar o cérebro a voltar a responder emocionalmente a experiências positivas do cotidiano. Os pesquisadores queriam descobrir se estimular diretamente os mecanismos da recompensa poderia gerar resultados melhores do que terapias tradicionais focadas principalmente em sofrimento, medo e emoções negativas.


Para investigar isso, os cientistas realizaram um ensaio clínico com quase cem adultos que apresentavam depressão, ansiedade e níveis extremamente baixos de emoções positivas. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um recebeu a nova terapia focada em emoções positivas, enquanto o outro recebeu uma terapia focada em emoções negativas, usada como comparação. 


Ambos os tratamentos tiveram o mesmo número de sessões, duração semelhante e acompanhamento profissional. Dessa forma, os pesquisadores conseguiram comparar diretamente qual abordagem produzia maior melhora emocional.


A nova terapia foi construída para trabalhar três aspectos fundamentais do sistema de recompensa do cérebro. O primeiro era a antecipação da recompensa, ajudando as pessoas a voltarem a sentir expectativa, curiosidade e motivação diante de experiências futuras.


O segundo era a capacidade de aproveitar momentos positivos no presente, algo frequentemente reduzido em pacientes deprimidos. O terceiro envolvia ensinar o cérebro a aprender novamente com experiências agradáveis, fortalecendo memórias emocionais positivas em vez de apenas registrar frustrações e ameaças.



Professores e alunos pesquisadores do Centro de Pesquisa sobre Ansiedade e Depressão da SMU que participaram da pesquisa. Primeira fila (da esquerda para a direita): Doga Certinkaya, Thomas Ritz, Alicia E. Meuret, Windsor Hall, David Rosenfield. Segunda fila (da esquerda para a direita): Sarah Corner, Sofia Uribe, Claire Anderson, Savannah Springfield, Mikaela Lopez, Emily Wang. Crédito: Southern Methodist University


Os cientistas não avaliaram apenas sintomas emocionais. Eles tentaram entender exatamente como o cérebro e o comportamento mudavam ao longo do tratamento. Para isso, utilizaram questionários detalhados sobre prazer, motivação, ansiedade e qualidade de vida, além de tarefas comportamentais e medidas fisiológicas, como alterações na frequência cardíaca associadas às respostas emocionais. 


O objetivo era descobrir quais mecanismos realmente explicavam a melhora clínica. Curiosamente, as mudanças mais importantes apareceram nos relatos subjetivos dos próprios participantes: conforme as pessoas voltavam a sentir prazer, esperança e interesse pela vida, seus sintomas depressivos e ansiosos diminuíam significativamente. 



Os resultados mostraram que a terapia focada em emoções positivas produziu melhorias maiores do que a abordagem tradicional focada em emoções negativas. Os participantes relataram aumento do prazer, maior capacidade de aproveitar experiências positivas e redução importante dos sintomas emocionais. 


Os efeitos continuaram mesmo após o término das sessões. Para os pesquisadores, o estudo sugere que restaurar os circuitos cerebrais ligados à recompensa pode ser uma das chaves mais importantes para tratar depressão de forma mais profunda e duradoura. Em vez de apenas reduzir sofrimento, a nova abordagem tenta devolver algo que muitos pacientes descrevem como perdido: a capacidade de sentir alegria novamente.



LEIA MAIS:


Positive Affect Treatment for Depression, Anxiety, and Low Positive Affect

A Randomized Clinical Trial

Alicia E. Meuret, David Rosenfield, Emily Wang, Christina M. Hough, Thomas Ritz, and Michelle G. Craske

JAMA, April 24, 2026. 2026;9;(4):e267403. 

doi:10.1001/jamanetworkopen.2026.7403


Abstract: 


Targeting impaired reward processing that underlies anhedonia and diminished positive affect is essential for reducing key risk factors in depression and anxiety, including suicidality and relapse. However, mechanistic research in this area remains limited.

Objectives  To assess whether a novel psychosocial intervention engages reward systems more than a mechanistically distinct comparison therapy, and whether alterations in reward and threat processing differentially mediate clinical outcomes. This was an assessor-blinded, parallel-group, multisite, 2-arm randomized clinical superiority trial. Study recruitment was from December 2021 to January 2024, with final assessment in July 2024. Participants were recruited from academic outpatient treatment centers in Los Angeles, California, and Dallas, Texas, and included treatment-seeking adults with severely low positive affect and moderate to severe depression or anxiety that was functionally impairing. Analyses were conducted with intent-to-treat principles. Participants underwent 15 weekly individual therapy sessions of positive affect treatment (PAT) or negative affect treatment (NAT). Clinical status was self-reported positive affect (using the Positive and Negative Affect Schedule–Positive subscale), interviewer-rated anhedonia (embedded within the Structured Clinical Interview for the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition), and self-reported depression and anxiety (using the Depression, Anxiety, and Stress Scale). Target measures were 14 self-reported, behavioral, and physiological measures of reward anticipation-motivation, response to reward attainment, reward learning, and threat. Analyses included mixed-effects multilevel models. In total, 98 participants (mean [SD] age, 32.8 [12.2] years; 65 [66.3%] female) were randomized to receive PAT (n = 51) or NAT (n = 47). Multivariate multilevel model analyses of the 3 clinical status variables as a multivariate outcome showed that clinical status improved more with PAT than NAT (b = −0.06 [95% CI, −0.11 to −0.01]; t3039 = 2.43; P = .02; d = 0.27) and that PAT had better (higher) scores on clinical status than NAT at the 1-month follow-up (b = −0.21 [95% CI, −0.41 to −0.02]; t3039 = 2.11; P = .04; d = 0.21). Improvements in reward anticipation-motivation (b = 0.02 [95% CI, 0.01-0.03]; t1307 = 4.36; P < .001; d = 0.40) and reward attainment (b = 0.04 [95% CI, 0.01-0.06]; t1405 = 3.16; P = .002; d = 0.18) targets were comparable for PAT and NAT. Of 7 reward and threat self-reported target measures, 6 mediated improvements in clinical status, but none of the behavioral or physiological measures did. There was limited evidence for moderated mediation. In this randomized clinical trial of 98 adults with severely low positive affect, depression, and anxiety, findings suggested that modulation of reward and threat processes was a central mechanism of therapeutic improvement, with a reward-focused intervention producing superior clinical outcomes. ClinicalTrials.gov Identifier: NCT05203861

 
 
 

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