Probióticos Podem Ajudar a Aliviar a Depressão em Idosos
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Será que cuidar do intestino pode ajudar a tratar a depressão? Um estudo com idosos descobriu que probióticos adicionados ao tratamento tradicional proporcionaram uma melhora extra nos sintomas de depressão e ansiedade, reforçando a surpreendente conexão entre intestino e cérebro.
Nos últimos anos, cientistas têm investigado uma conexão surpreendente entre o intestino e o cérebro. Essa relação, conhecida como eixo intestino-cérebro, sugere que as bactérias que vivem no nosso sistema digestivo podem influenciar o humor, a ansiedade, a memória e até mesmo o risco de desenvolver transtornos mentais.
Com base nessa ideia, pesquisadores vêm estudando se os probióticos, microrganismos considerados benéficos para a saúde intestinal, poderiam complementar os tratamentos tradicionais para a depressão.
Para investigar essa possibilidade, pesquisadores realizaram um estudo com idosos de 60 anos ou mais que apresentavam depressão moderada. Todos os participantes já recebiam tratamento antidepressivo convencional prescrito por seus médicos. O objetivo era descobrir se adicionar um probiótico contendo duas espécies específicas de bactérias, Lactobacillus helveticus e Bifidobacterium longum, poderia proporcionar benefícios extras em comparação com um placebo, que era idêntico na aparência, mas não continha bactérias vivas.

O estudo foi cuidadosamente planejado para reduzir vieses. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos. Metade recebeu os probióticos diariamente durante 12 semanas, enquanto a outra metade recebeu placebo.
Nem os pacientes nem os pesquisadores sabiam quem estava recebendo qual tratamento durante essa fase, uma estratégia conhecida como estudo duplo-cego. Após os três meses iniciais de suplementação, todos continuaram sendo acompanhados por mais três meses, totalizando 24 semanas de observação.
Ao longo do estudo, os pesquisadores avaliaram diversos aspectos da saúde mental e física dos participantes. Além dos sintomas depressivos, eles também analisaram níveis de ansiedade, qualidade de vida, desempenho cognitivo, marcadores biológicos ligados à saúde cerebral e a composição das bactérias intestinais.
Um dos biomarcadores avaliados foi o fator neurotrófico derivado do cérebro, uma proteína importante para a sobrevivência e comunicação entre neurônios, frequentemente associada à plasticidade cerebral e à recuperação da depressão.

Os resultados mostraram que ambos os grupos melhoraram significativamente ao longo do tempo. Os sintomas de depressão e ansiedade diminuíram durante o acompanhamento, o que era esperado, já que todos continuavam recebendo tratamento antidepressivo convencional.
No entanto, os participantes que receberam probióticos apresentaram, em média, níveis ligeiramente menores de depressão e ansiedade quando comparados ao grupo placebo. Embora essa diferença tenha sido considerada modesta, ela sugere que os probióticos podem oferecer um benefício adicional para algumas pessoas.
Outro achado interessante foi que os participantes que receberam probióticos apresentaram níveis mais elevados do fator neurotrófico derivado do cérebro. Em teoria, isso poderia indicar um ambiente biológico mais favorável para a saúde cerebral e para a adaptação dos neurônios. Além disso, análises das fezes confirmaram que as bactérias administradas conseguiram colonizar temporariamente o intestino dos participantes, demonstrando que a suplementação realmente alterou a microbiota intestinal.

Por outro lado, os pesquisadores não encontraram benefícios adicionais dos probióticos na qualidade de vida. Tanto o grupo placebo quanto o grupo probiótico apresentaram melhoras importantes nesse aspecto, mas sem diferenças significativas entre eles. Também é importante destacar que mais da metade dos participantes abandonou o estudo ao longo dos seis meses, o que limita a força das conclusões e indica a necessidade de pesquisas maiores e mais robustas.
Os autores concluem que os probióticos podem oferecer uma ajuda modesta no controle dos sintomas de depressão e ansiedade em idosos quando utilizados junto ao tratamento convencional. Embora os resultados sejam promissores, eles não sugerem que probióticos substituam antidepressivos ou acompanhamento médico.
Em vez disso, reforçam a crescente evidência de que a saúde intestinal pode desempenhar um papel importante na saúde mental, abrindo caminho para novas abordagens complementares no tratamento da depressão.
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Efficacy of Adjunct PRObiotics as Compared to the Standard Care in Moderate Unipolar Depression Among Geriatric Patients: A Randomized Double-Blind Placebo-Controlled Pilot Multi-Center Trial (PRODG)
Preeti Sinha, Prasun Chatterjee, Preethy Kathiresan, Karishma Sundara Raju, Rasika Panwar, Aparna Mukherjee, Gunjan Kumar, Jerin Jose Cherian, Anoop Velayuthan, Avinash Chakrawarty, Sarnendu Mondal, Manoj Kalita, Spriha Kamboj, Sreyashi Sen, Mounamukhar Bhattacharjee, Manaswini Mondal, Kalyan Bhowmik, Sovonlal Mukherjee, Indranil Saha, Atanu Kumar Dutta, Asim Saha, Amit Chakrabarti, Abhinaba Ghosh, and Saibal Das
Journal of the American Geriatrics Society. 17 June 2026
DOI: 10.1111/jgs.70530
Abstract:
To evaluate the efficacy of adjunct probiotic supplementation (Lactobacillus helveticus and Bifidobacterium longum) alongside standard care compared to placebo in older adults with moderate unipolar depression. A randomized, double-blind, placebo-controlled pilot trial was conducted at two tertiary centers. Fifty-eight participants (≥ 60 years) with moderate depression were randomized 1:1 to receive daily probiotics or a placebo for 12 weeks, alongside standard antidepressant care. They were followed up for another 12 weeks. The primary outcome was depression response (≥ 50% Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale [MADRS] score reduction). Secondary outcomes included anxiety (General Anxiety Disorder 7-Item [GAD-7]), cognition, quality of life (WHOQOL-BREF), serum brain-derived neurotropic factor (BDNF), and gut microbiota profile. Mixed-effects models showed significant improvement over time in depressive symptoms (MADRS: F = 32.0, p < 0.001) and anxiety (GAD-7: F = 13.1, p < 0.001). Overall scores were lower in the probiotic group compared with the placebo group for both MADRS (F = 12.7, p = 0.001) and GAD-7 (F = 10.7, p = 0.002), although group × time interactions were not significant. Quality-of-life domains improved markedly (all F > 100, p < 0.001) without additional benefit from probiotics. Escitalopram-equivalent antidepressant dose and benzodiazepine use influenced selected outcomes. The probiotic group also had a significantly higher serum BDNF level and increased fecal abundance of supplemented strains vs. the placebo group. The attrition rate was > 50% over 24 weeks. In this pilot PRODG trial, adjunct probiotics produced modest overall advantages for depressive and anxiety symptoms compared with placebo but did not enhance quality-of-life beyond usual improvement − both groups improved substantially, and trajectories over 24 weeks were largely parallel across follow-up.



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