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Flavonóis: Como Certos Alimentos Podem Ativar Diretamente o Cérebro e a Memória

  • 12 de fev.
  • 4 min de leitura

Os flavonóis, encontrados em alimentos como cacau e frutas vermelhas, podem estimular o cérebro não por serem absorvidos no sangue, mas por ativarem sinais no intestino. Essa estimulação sensorial desencadeia a liberação de noradrenalina, aumentando atenção, memória e estado de alerta. O estudo revela um novo caminho pelo qual a alimentação influencia o cérebro.


Os flavonoides são compostos naturais encontrados em plantas e fazem parte de um grande grupo de substâncias chamadas polifenóis. Eles estão presentes em muitos alimentos do dia a dia, como frutas, verduras, chás, café, cacau, vinho tinto e frutas vermelhas. 


Além de darem cor, sabor e aroma aos alimentos, os flavonoides vêm sendo estudados há anos por seus possíveis benefícios à saúde, especialmente para o coração, o cérebro e o sistema imunológico. Dentro desse grupo, existe uma subclasse chamada flavonóis, que tem despertado atenção por seus efeitos inesperados no funcionamento do cérebro.


Os flavonóis são encontrados em alimentos como cacau, chocolate amargo, uvas, vinho tinto e frutas vermelhas. Eles têm uma característica sensorial marcante chamada adstringência, aquela sensação de “secura” ou leve contração na boca. Essa sensação não é apenas um detalhe do sabor: ela está ligada a propriedades químicas específicas desses compostos, que os tornam altamente reativos no corpo logo após serem consumidos. 



Estudos anteriores já haviam mostrado que os flavonóis podem ajudar a manter ou até melhorar a função cognitiva, especialmente a memória. Em pessoas idosas com uma alimentação pobre nesses compostos, a ingestão regular de flavonóis por um ano foi capaz de melhorar a memória relacionada ao hipocampo, uma região do cérebro essencial para o aprendizado.


Outros estudos observaram efeitos ainda mais rápidos, como melhora da atenção, do humor e do desempenho mental cerca de uma hora após o consumo.


Pesquisas com animais também mostraram que os flavonóis ajudam a proteger os neurônios contra danos causados por radicais livres, substâncias que aceleram o envelhecimento celular. Além disso, eles parecem estimular a formação de novos neurônios, melhorar as conexões entre as células nervosas e favorecer o fluxo sanguíneo em áreas do cérebro ligadas à memória e à aprendizagem. Tudo isso sugere que esses compostos têm um papel importante na proteção e no bom funcionamento do cérebro. 



Durante muito tempo, acreditava-se que esses benefícios vinham do fato de os flavonóis circularem pelo sangue e agirem diretamente no cérebro. No entanto, há um problema: eles têm uma biodisponibilidade muito baixa, ou seja, quase não chegam intactos à corrente sanguínea. Isso levantou uma grande dúvida entre os cientistas: como algo que mal entra no sangue consegue afetar tão rapidamente o cérebro?


Para responder a essa pergunta, os pesquisadores realizaram um estudo em camundongos, administrando uma única dose oral de flavonóis. Eles observaram que, logo após a ingestão, os animais apresentaram mais atividade motora e melhor desempenho em testes de memória de curto prazo. Ao mesmo tempo, houve ativação dos sistemas de resposta ao estresse do organismo, responsáveis por preparar o corpo para situações de alerta.



Essa ativação envolveu principalmente o aumento da liberação de noradrenalina, um neurotransmissor ligado ao estado de atenção, vigilância e memória. A noradrenalina foi liberada a partir de uma região do cérebro chamada locus coeruleus e se espalhou para áreas importantes, como o hipotálamo, o tronco encefálico e o núcleo accumbens. Isso sugere que o estímulo não vem de uma ação direta no cérebro, mas começa no intestino, como uma resposta sensorial intensa provocada pelos flavonóis. 


Os resultados indicam que a sensação adstringente dos flavonóis no trato gastrointestinal funciona como um sinal para o sistema nervoso, ativando o cérebro de forma rápida e eficaz. Esse mecanismo quebra a ideia tradicional de que nutrientes só fazem efeito após serem absorvidos pelo sangue.


O estudo mostra que as propriedades sensoriais dos alimentos, como sabor e sensação na boca, podem influenciar diretamente o funcionamento do cérebro e ajudar a manter o equilíbrio e a saúde do corpo.



Uma única dose oral de flavonoides pode ativar o cérebro. Eles estimulam neurônios do hipotálamo que liberam um hormônio ligado ao estado de alerta. Esse sinal ativa um centro cerebral importante, que libera noradrenalina e dopamina. Como resultado, o organismo fica mais desperto, o sono é reduzido, a memória melhora e o sistema nervoso simpático é ativado, aumentando a circulação e o metabolismo.Crédito: Dr. Yasuyuki Fujii, Instituto de Tecnologia de Shibaura.



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Astringent flavanol fires the locus-noradrenergic system, regulating neurobehavior and autonomic nerves

Yasuyuki Fujii, Shu Taira, Keisuke Shinoda, Yuki Yamato, Kazuki Sakata, Orie Muta, Yuta Osada, Ashiyu Ono, Toshiya Matsushita, Mizuki Azumi, Hitomi Shikano, Keiko Abe, Vittorio Calabrese, and Naomi Osakabe

Current Research in Food Science, Volume 11, 2025, 101195


Abstract:


Astringency is a characteristic exhibited by only a limited number of polyphenolic compounds which show high electrochemical activity and are susceptible to oxidation at neutral pH conditions like the oral cavity and small intestine. Large-scale intervention studies have demonstrated that the astringent flavanol (FLs) can restore hippocampal-dependent memory. However, due to the low bioavailability of FLs, the mechanism of action remains unclear. In this study, we aimed to elucidate the mechanism by which FLs acts on the nervous system through the gastrointestinal tract. Following a single gavage dose of FLs to mice, spontaneous motor activity in the open field and improved short-term memory in the novel object test were enhanced. Concurrently, activation of stress response systems, such as the sympathetic-adrenal-medullary axis (increased urinary catecholamines) and the hypothalamic-pituitary-adrenal axis (increased corticotropin-releasing hormone mRNA in paraventricular nucleus) was also observed. By the Mass imaging and in situ hybridization analyses, high-intensity noradrenaline (NA) originating from the locus coeruleus (LC) was revealed in the hypothalamus and brainstem immediately after FLs administration. These changes of NA have been suggested as the cause of enhanced memory, arousal and sympathetic activity. Furthermore, increased NA in the nucleus accumbens was observed as a response to visceral sensations induced by oral FLs administration. The present findings highlight how astringent stimulants FLs may activate brain function and the autonomic nervous system via gastrointestinal stimulation, causing physiological changes. These insights suggest that the sensory properties of food are important for maintaining homeostasis and promoting human health.


 
 
 

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