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Ghosting vs. Rejeição Direta: Ser Ignorado Machuca Mais Que Um ‘Não’

  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

Tanto o ghosting quanto a rejeição direta causam sofrimento, mas o ghosting tem efeitos emocionais mais duradouros. A falta de explicação e de encerramento faz com que a recuperação seja mais lenta.


Com o avanço das redes sociais e dos aplicativos de mensagens, novas formas de se relacionar, e também de romper relações, surgiram. Uma delas é o chamado “ghosting”, quando alguém simplesmente desaparece sem explicação, ignorando qualquer tentativa de contato.


Embora pareça algo comum no mundo digital, esse comportamento pode ter impactos emocionais profundos. Este estudo buscou entender como o ghosting afeta psicologicamente as pessoas ao longo do tempo e como ele se compara a uma rejeição direta, em que há uma explicação clara para o término.


O ghosting pode acontecer em diferentes tipos de relacionamento, como entre parceiros românticos, amigos ou até colegas de trabalho. Ele consiste basicamente em cortar toda comunicação sem aviso, deixando a outra pessoa sem entender o que aconteceu. Esse tipo de situação pode ser especialmente difícil porque envolve silêncio e incerteza, ao contrário de uma rejeição direta, em que há uma mensagem clara de encerramento.



Apesar de ser um fenômeno comum, a maioria dos estudos anteriores sobre ghosting se baseava em relatos passados das pessoas, o que pode ser impreciso, já que a memória pode distorcer emoções e experiências. Por isso, os pesquisadores deste estudo decidiram adotar uma abordagem diferente, acompanhando as reações das pessoas em tempo real ao longo de vários dias.


No primeiro experimento, os participantes conversaram diariamente por mensagens com outra pessoa durante alguns dias. Em determinado momento, essa interação mudava de forma controlada: em alguns casos, a outra pessoa simplesmente desaparecia (simulando ghosting); em outros, comunicava claramente que não queria mais continuar (rejeição direta); e em um terceiro grupo, a conversa continuava normalmente.


Durante todo esse processo, os participantes relataram como estavam se sentindo, permitindo aos pesquisadores acompanhar mudanças nas emoções, na autoestima, na sensação de pertencimento e na forma como viam o outro. Isso possibilitou observar não apenas o impacto imediato, mas também como esses sentimentos evoluíam ao longo do tempo.



Os resultados mostraram que tanto o ghosting quanto a rejeição direta causam sofrimento emocional e afetam necessidades básicas, como sentir-se aceito e valorizado. No entanto, a maneira como esse sofrimento se desenvolve ao longo do tempo é diferente. A rejeição direta tende a causar um impacto mais imediato, mas as pessoas começam a se recuperar mais rapidamente.


Já o ghosting apresentou um padrão mais lento e persistente. As emoções negativas demoraram mais para aparecer, mas também levaram mais tempo para desaparecer. Isso sugere que a ausência de explicação dificulta o processo de lidar com a situação, já que a pessoa pode continuar tentando entender o que aconteceu ou até se culpar.


Um segundo experimento, com mais participantes e duração maior, confirmou esses resultados. De forma geral, o estudo conclui que, embora ambas as experiências sejam dolorosas, o ghosting pode ser mais prejudicial a longo prazo. A principal razão parece ser a incerteza e a falta de encerramento, que impedem a pessoa de seguir em frente com mais facilidade.



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The phantom pain of ghosting: Multi-Day experiments comparing the reactions to ghosting and rejection

Alessia Telari, Luca Pancani, and Paolo Riva

Computers in Human Behavior, Volume 172, November 2025, 108756


Abstract:


Research on how individuals respond to ghosting, defined as unilaterally ending a relationship without providing explanations and ignoring communication attempts, has primarily relied on retrospective and imaginative methodologies. The present research introduced a novel multi-day daily diary experimental paradigm to examine the psychological consequences of ghosting compared to rejection. In Study 1, participants (N = 46) engaged in 15-min daily chat interactions with a confederate on predetermined topics over six days. On the fourth day, the confederate either stopped responding (ghosting), explicitly communicated the intention to end the interaction (rejection), or continued the conversation (control). Mixed-model analyses revealed that ghosting and rejection impacted similar constructs, including emotions, basic psychological needs, perception of the other, and behavioral intentions, but in distinct ways. Trend analysis indicated that ghosting elicited a slower and more prolonged negative response. Study 2 (N = 90) extended the design over nine days and included confederates of the same or opposite gender. Findings essentially replicated those of Study 1. While gender did not emerge as a meaningful factor, the differential reactions to ghosting and rejection persisted. These findings suggest that while both experiences are distressing, ghosting has more enduring adverse effects. We argue that the uncertainty and lack of closure associated with ghosting appear to hinder coping, prolonging psychological distress. This work seeks to advance our understanding of the similarities and specificities between ghosting and other forms of relationship dissolution.

 
 
 

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