Cannabis sem THC: A Descoberta Que Pode Transformar o Tratamento da Dor Crônica
- 12 de mai.
- 3 min de leitura

Sem THC, sem efeito “chapado”, mas com potencial para revolucionar o tratamento da dor. Cientistas descobriram compostos da Cannabis que podem mudar o futuro dos analgésicos.
A busca por alternativas mais seguras aos opioides tem se tornado urgente, especialmente diante dos riscos de dependência e efeitos colaterais graves associados a esses medicamentos. Nesse contexto, a Cannabis medicinal vem ganhando destaque, mas não apenas pelos compostos mais conhecidos, como o THC. Este estudo volta o olhar para os terpenos, substâncias naturais da planta que também podem ter efeitos importantes no organismo.
Os terpenos são responsáveis pelo aroma e sabor da Cannabis, mas pesquisas recentes mostram que eles também podem interagir com o sistema nervoso. Estudos anteriores já haviam indicado que alguns terpenos isolados conseguem imitar certos efeitos da Cannabis e aliviar dores neuropáticas, especialmente aquelas causadas por tratamentos como a quimioterapia.

Terpenos Cannabis podem oferecer uma nova abordagem para o tratamento da dor pós-cirúrgica e da fibromialgia. Crédito: Kris Hanning, Escritório de Comunicação do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de Alberta.
No entanto, existe uma diferença importante entre o que é estudado em laboratório e o que as pessoas realmente consomem. Na prática, os terpenos não são usados de forma isolada, mas sim em misturas complexas presentes em extratos da planta. Por isso, os pesquisadores quiseram entender se esses efeitos analgésicos também acontecem quando os terpenos são utilizados dessa forma mais realista.
Para isso, eles extraíram misturas de terpenos de diferentes variedades de Cannabis e testaram esses compostos em camundongos. Os animais foram avaliados em dois aspectos principais: comportamentos típicos associados à ação da Cannabis no corpo e a capacidade dessas misturas de aliviar um tipo específico de dor, a neuropatia periférica induzida por quimioterapia, que é conhecida por ser difícil de tratar.

Os resultados mostraram que, apesar de cada mistura ter uma composição única, todas produziram efeitos semelhantes no organismo, como alterações na atividade motora e na temperatura corporal. Mais importante ainda, todas foram eficazes em reduzir a dor neuropática. Esse efeito foi mais intenso em machos do que em fêmeas, indicando que fatores biológicos podem influenciar a resposta ao tratamento.
Ao investigar o mecanismo por trás desse alívio da dor, os cientistas descobriram que ele está ligado à ativação de um receptor específico no sistema nervoso, relacionado à adenosina. Quando esse receptor foi bloqueado, o efeito analgésico desapareceu, confirmando seu papel central nesse processo.

John Streicher, PhD, pesquisador principal do estudo. Crédito: Noelle Haro-Gomez, Escritório de Comunicação da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade do Arizona.
Essas descobertas são relevantes porque mostram que compostos da Cannabis sem THC podem oferecer benefícios terapêuticos reais, sem os efeitos psicoativos associados à planta. Além disso, reforçam que misturas naturais, mais próximas do que é consumido na vida real, também podem ser eficazes.
No futuro, esses achados podem abrir caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para dor crônica, potencialmente mais seguros do que os opioides. Ainda são necessários estudos em humanos, mas os resultados já indicam uma direção promissora para a medicina.
LEIA MAIS:
Terpene blends from Cannabis sativa are cannabimimetic and antinociceptive in a mouse chronic neuropathic pain model via activation of adenosine A2a receptors
Abigail M. Schwarz, Caleb A. Seekins, Omar El-Sissi, and John M. Streicher
Neuroscience Letters. Volume 854, 1 April 2025, 138205
DOI: 10.1016/j.neulet.2025.138205
Abstract:
An increase in the use of medicinal Cannabis for pain management has spurred research into the understudied bioactive compounds in Cannabis, such as terpenes. In our previous work, we showed that isolated and purified terpenes were cannabimimetic and also relieved chemotherapy-induced peripheral neuropathy (CIPN) pain via activation of Adenosine A2a Receptors (A2aR) in the spinal cord. However, terpenes are most often consumed by the public as complex extracts and mixtures, not purified individual terpenes, and whether this cannabimimetic and antinociceptive activity holds true in terpene extracts and blends is not clear. In this study, we thus extracted terpene blends from three distinct Cannabis chemovars and assessed these blends in male and female CD-1 mice for their cannabimimetic activity in the tetrad assay and pain-relieving properties in a CIPN model. Each terpene blend was unique in the relative amounts of different terpenes extracted. Though each blend was unique, each similarly elicited cannabimimetic behaviors of catalepsy, hyperlocomotion, and hypothermia, without tail flick analgesia. All three terpene blends effectively relieved CIPN, though the antinociception was more robust in male than in female mice. This antinociception was recapitulated by purified Myrcene but not D-Limonene. The A2aR antagonist istradefylline
blocked the pain-relieving effects of all three terpene blends, suggesting that the terpene blends act on A2aR to relieve CIPN pain. Together, these findings suggest that terpene blends have similar pharmacological effects as purified single terpenes, and that observations made with single terpenes may be applicable to the complex terpene mixtures commonly consumed by the public.



Comentários