Nojo, Medo ou Tristeza: Seus olhos Revelam o Que Você Sente
- 20 de abr.
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Seus olhos podem revelar mais do que você imagina. Um novo estudo mostra que a pupila não reage apenas à luz, ela muda de forma diferente dependendo da emoção que você sente. Nojo e tristeza fazem as pupilas dilatarem mais, o medo aparece de forma tardia… e a raiva pode até fazer o efeito contrário. Isso significa que seus olhos podem estar “entregando” exatamente o que você está sentindo, antes mesmo de você perceber.
As emoções não afetam apenas o que sentimos por dentro, mas também provocam mudanças físicas no corpo. Uma dessas mudanças acontece nos olhos, mais especificamente nas pupilas, que podem se dilatar ou se contrair dependendo do que estamos sentindo.
Durante muito tempo, os cientistas souberam que emoções intensas, tanto positivas quanto negativas, podem aumentar o tamanho das pupilas. No entanto, ainda não estava claro se diferentes emoções específicas, como medo, tristeza ou nojo, provocam padrões distintos nessa resposta. Este estudo buscou responder justamente essa pergunta, explorando como emoções negativas específicas influenciam o tamanho da pupila.
A pupila é controlada por um sistema automático do corpo que regula funções involuntárias, como batimentos cardíacos e respiração. Quando esse sistema é ativado, especialmente em situações emocionais, ele pode fazer com que a pupila aumente de tamanho. Essa dilatação não depende apenas da luz ambiente, mas também da ativação emocional.
Ou seja, mesmo em condições de iluminação constante, nossas pupilas podem se expandir quando sentimos algo intenso. Estudos anteriores já mostraram que emoções negativas tendem a causar uma dilatação maior do que emoções positivas, mas essas pesquisas geralmente analisavam apenas emoções de forma geral, sem distinguir entre tipos específicos.

Grande parte das pesquisas anteriores utilizava estímulos previamente classificados pelos próprios cientistas como “positivos” ou “negativos”. Isso ignora um aspecto importante: cada pessoa pode reagir de maneira diferente ao mesmo estímulo. Uma imagem considerada triste por um pesquisador pode não provocar a mesma emoção em todos os participantes.
Além disso, os estudos raramente davam importância ao que os próprios participantes diziam estar sentindo. Isso criou uma lacuna importante no entendimento de como as emoções reais, vividas individualmente, se relacionam com mudanças no corpo.
Para superar essas limitações, os pesquisadores desenvolveram um experimento mais centrado na experiência individual. Cerca de duzentas pessoas participaram do estudo. Elas foram expostas a diferentes estímulos emocionais, incluindo imagens e sons projetados para provocar reações variadas, como alegria, medo, tristeza, raiva e nojo.
Após cada estímulo, os participantes relataram o que estavam sentindo e a intensidade dessas emoções. Enquanto isso, equipamentos especializados registravam continuamente o tamanho das pupilas, permitindo observar como elas mudavam ao longo do tempo em resposta a cada estímulo.

Os resultados mostraram que diferentes emoções negativas realmente afetam a pupila de maneiras distintas. O nojo e a tristeza foram as emoções que mais aumentaram o tamanho da pupila, com o nojo apresentando o efeito mais forte e consistente. Essa dilatação começava poucos segundos após o início do estímulo e permanecia durante sua apresentação.
A felicidade também causou aumento da pupila, mas de forma mais leve. O medo provocou uma dilatação tardia, aparecendo mais no final da experiência. Curiosamente, a raiva teve um efeito diferente: em vez de aumentar, ela esteve associada à diminuição do tamanho da pupila em alguns casos.

Essas descobertas mostram que a pupila pode ser um indicador mais detalhado das emoções do que se pensava anteriormente. Em vez de refletir apenas a intensidade emocional geral, ela também pode diferenciar tipos específicos de emoções. Isso abre novas possibilidades para o estudo das emoções humanas, especialmente em contextos onde as pessoas não conseguem ou não querem expressar verbalmente o que estão sentindo.
No futuro, essa abordagem pode ser útil em áreas como psicologia clínica, neurociência e até tecnologia, ajudando a compreender melhor as experiências emocionais individuais.
LEIA MAIS:
Differences in pupil size during self-reported experiences of disgust, sadness, fear, anger, and happiness
Kate McCulloch, Edwin S. Dalmaijer, Gerulf Rieger, and Rick O’Gorman
Biological Psychology. Volume 198, May 2025, 109044
Abstract:
Previous research has found pupil dilation associated with stimuli pre-assigned as positive and negative in their emotional valence; however, it is not yet clear how self-rated experiences of specific emotions may correlate with differences in pupil size. Using a novel methodology across two studies, 200 participants were presented with emotionally engaging images and sounds and then rated the extent to which they felt happy, sad, angry, fearful, and disgusted in response to these. Data were analyzed using linear mixed effects models to examine whether the participant’s own emotion ratings predict pupil size. In 2 studies using standardized images and sounds, and varied 30-s audio clips, in trials with higher self-reported disgust and sadness there was a consistent relationship with pupil dilation. Disgust was most often the strongest predictor of pupil dilation. This effect emerged ∼2 s after stimulus onset and remained present throughout stimulus presentation. Happiness had a weaker effect on pupil dilation and fear was associated with a late pupillary response. Anger was associated with pupil constriction, but only in Study 2. The present approach finds the most consistent relationship between pupil dilation and self-rated disgust and sadness, compared to other negative emotions. The findings thus suggest that measures of pupil size warrant further investigation as a potential indicative psychophysiological correlate of self-reported emotions, with implications for distinguishing negative emotions, such as disgust from anger.



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