Exercício Turbina o Cérebro: O Que Muda Após 12 Semanas de Treino
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Um programa de exercícios de 12 semanas não aumentou diretamente os níveis de uma substância ligada à saúde do cérebro em repouso, mas fez com que o corpo passasse a produzi-la em maior quantidade durante o exercício. Esse aumento esteve ligado a melhorias na eficiência de áreas do cérebro responsáveis por atenção e controle mental.
Nos últimos anos, a ciência tem mostrado que praticar exercícios físicos regularmente não faz bem apenas ao corpo, mas também ao cérebro. Ainda assim, muitos dos mecanismos por trás desse efeito continuam sendo investigados.
Um dos principais focos dos pesquisadores é entender como o exercício influencia substâncias no organismo que ajudam as células do cérebro a crescer, se conectar e funcionar melhor. Este estudo buscou justamente esclarecer como essas mudanças acontecem em pessoas sedentárias e de que forma elas podem impactar o desempenho mental e a atividade cerebral.
Este estudo investigou como a prática regular de exercício físico pode melhorar o funcionamento do cérebro, especialmente em pessoas sedentárias. Os pesquisadores estavam interessados em entender melhor uma substância produzida pelo corpo chamada fator neurotrófico derivado do cérebro, que ajuda os neurônios a crescer, se comunicar e se adaptar.
Embora já se saiba que o exercício aumenta essa substância, ainda não está totalmente claro como isso se traduz em melhorias reais no desempenho mental.

Para explorar essa questão, os cientistas recrutaram adultos sedentários e os dividiram em dois grupos. Um grupo participou de um programa de exercícios com bicicleta durante 12 semanas, enquanto o outro grupo não fez nenhuma intervenção. Antes e depois desse período, todos os participantes passaram por avaliações físicas e cognitivas, permitindo comparar as mudanças ao longo do tempo.
Uma das principais medições foi o condicionamento físico, avaliado por meio de um teste que mede a capacidade do corpo de usar oxigênio durante o exercício intenso. Esse teste é importante porque indica o nível geral de preparo físico da pessoa. Além disso, os pesquisadores coletaram amostras de sangue para medir os níveis dessa substância relacionada ao crescimento e à saúde do cérebro, tanto antes quanto depois do esforço físico.

Outro aspecto importante do estudo foi a análise da atividade cerebral. Para isso, foi utilizada uma técnica que mede o fluxo sanguíneo no cérebro de forma indireta, indicando quais áreas estão mais ativas durante determinadas tarefas. Os participantes realizaram exercícios mentais que envolviam atenção, controle de impulsos e memória, enquanto essa atividade cerebral era monitorada.
Os resultados mostraram algo interessante: após as 12 semanas, os níveis dessa substância no sangue não estavam mais altos em repouso. No entanto, quando os participantes faziam exercício, o aumento dessa substância era muito maior do que antes do treinamento. Ou seja, o corpo passou a responder de forma mais eficiente ao esforço físico.

Além disso, os participantes que tiveram maiores aumentos dessa substância também apresentaram mudanças na atividade de regiões do cérebro responsáveis por planejamento, tomada de decisões e controle de comportamento. Essas mudanças indicam que o cérebro estava funcionando de maneira mais eficiente durante tarefas que exigem atenção e controle mental, embora isso não tenha sido observado nas tarefas de memória.
De forma geral, o estudo sugere que melhorar o condicionamento físico não apenas beneficia o corpo, mas também torna o cérebro mais responsivo ao exercício. Isso pode significar que, com o tempo, pessoas fisicamente ativas desenvolvem uma capacidade maior de fortalecer e adaptar suas conexões cerebrais, contribuindo para uma melhor saúde mental e cognitiva.
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BDNF relates to prefrontal cortex activity in the context of physical exercise Flaminia Ronca, Cian Xu, Ellen Kong, Dennis Chan, Antonia Hamilton, Giampietro Schiavo, Ilias Tachtsidis, Paola Pinti, Benjamin Tari, Tom Gurney, and Paul W. Burgess.
Brain Research. Volume 1881, 15 June 2026, 150253
DOI:10.1016/j.brainres.2026.150253
Abstract:
Exercise has been shown to support brain health, cognitive function, and increase levels of brain-derived neurotrophic factor (BDNF). While BDNF is known to support the central nervous system through improved brain metabolism, vasculature, neurotransmission and synaptic plasticity, the association between exercise-induced changes in BDNF concentrations and exercise-related cognitive improvements is still unclear. This study investigated the relationship between exercise-induced changes in plasma BDNF (pBDNF) and serum BDNF (sBDNF), and haemodynamic indicators of prefrontal cortex function in sedentary adults. Participants (n = 23, female = 7) were randomized into intervention (12-week cycling programme) and control groups (no intervention). Participants completed V̇O2max tests to assess changes in fitness. pBDNF and sBDNF were measured pre- and post-V̇O2max testing, and a battery of executive function and memory tasks were also conducted, alongside functional near-infrared spectroscopy (fNIRS) to assess haemodynamic changes in the prefrontal cortex activity. Changes were assessed using the correlation-based signal improvement (CBSI) method. Results indicated that participants in the exercise intervention group did not show increased levels of resting-state s/pBDNF levels at the end of the intervention; however, they did exhibit a significant exercise-induced increase in sBDNF at week 12. This increase was correlated with changes in V̇O2max. Higher pBDNF levels and exercise-induced sBDNF were associated with a decrease in CBSI values in the frontopolar, dorsolateral and orbitofrontal prefrontal cortex during attention and inhibition tasks, but not during the memory task. These results suggest that increasing physical fitness can enhance BDNF transcription in response to acute bouts of exercise. This might, in turn, play a part in the modulation of neural function during executive tasks after acute exercise.



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