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Crescimento Infantil e Dieta Vegana: O Que Dizem 10 Anos de Dados

  • há 6 dias
  • 5 min de leitura

Em uma coorte de quase 1,2 milhão de bebês acompanhados por 24 meses, filhos de famílias veganas apresentaram crescimento semelhante ao de famílias onívoras e vegetarianas. Houve maior probabilidade de baixo peso nos primeiros meses entre bebês veganos, mas essa diferença desapareceu aos dois anos. Em contextos com acesso a cuidados de saúde e orientação adequada, dietas veganas familiares parecem compatíveis com crescimento infantil saudável.


Os primeiros 1000 dias de vida, que incluem a gestação e os dois primeiros anos, são considerados uma das fases mais importantes para o desenvolvimento humano. Nesse período, a nutrição da mãe e do bebê influencia não apenas o crescimento imediato, mas também o risco futuro de obesidade, doenças crônicas e até o desenvolvimento cerebral. Por isso, qualquer padrão alimentar adotado durante essa fase costuma gerar preocupação, especialmente quando envolve restrições alimentares.


Nos últimos anos, dietas à base de plantas, especialmente o veganismo, tornaram-se mais populares em países ocidentais. Estudos mostram que dietas veganas podem reduzir o risco de doenças cardiovasculares e melhorar indicadores metabólicos em adultos. No entanto, quando o assunto é gravidez e primeira infância, surgem dúvidas: será que uma dieta sem produtos de origem animal fornece todos os nutrientes essenciais para o crescimento adequado do bebê?



As principais preocupações envolvem nutrientes como vitamina B12, ferro, iodo, vitamina D, cálcio e ômega-3 de cadeia longa, todos importantes para o desenvolvimento neurológico e físico. Embora existam estudos menores sobre o tema, faltavam até agora dados populacionais amplos comparando diretamente o crescimento de bebês de famílias veganas, vegetarianas e onívoras.


Para responder a essa questão, pesquisadores analisaram dados de quase 1,2 milhão de bebês acompanhados em centros públicos de saúde em Israel entre 2014 e 2023. Foram incluídas apenas crianças nascidas com pelo menos 32 semanas de gestação, sem malformações graves e com peso ao nascer acima de 1500 g. Os bebês foram acompanhados por até 24 meses de idade. A dieta familiar foi registrada pelo menos seis meses após o parto, classificando as famílias como veganas, vegetarianas ou onívoras.


Dr. Kerem Avital. Autora do estudo. Credit: Kerem Avital/ SciTechDaily


Os pesquisadores avaliaram principalmente o comprimento (altura) dos bebês ao longo do tempo. Também analisaram peso, perímetro cefálico (medida do tamanho da cabeça) e indicadores padronizados da Organização Mundial da Saúde, chamados escores-z. Esses escores permitem comparar o crescimento de uma criança com padrões internacionais. 


Para analisar os dados, foram utilizados modelos estatísticos que acompanham trajetórias de crescimento ao longo do tempo e regressões que estimam a probabilidade de baixo peso, baixa estatura ou sobrepeso.


Entre os quase 1,2 milhão de bebês analisados, 98,5% pertenciam a famílias onívoras, 1,2% a vegetarianas e 0,3% a veganas. As diferenças no comprimento e no peso durante a primeira infância foram muito pequenas entre os grupos, tão pequenas que não são consideradas clinicamente relevantes. A prevalência de baixa estatura foi praticamente igual entre todos os padrões alimentares. 



A figura mostra o crescimento médio de meninas e meninos do nascimento até os 24 meses, comparando três padrões alimentares familiares: onívoro (verde), vegetariano (laranja) e vegano (azul). Cada gráfico apresenta, ao longo da idade em meses, medidas de comprimento (altura), peso e perímetro cefálico (tamanho da cabeça), separadamente para meninas e meninos. As três linhas praticamente se sobrepõem em todos os gráficos, indicando que o crescimento físico é muito semelhante entre os grupos. As pequenas diferenças observadas, especialmente um peso ligeiramente menor nos primeiros meses entre bebês de famílias veganas, são discretas e diminuem com o tempo. No geral, a figura ilustra que, nessa grande amostra populacional, os padrões de crescimento até os dois anos foram muito parecidos independentemente do tipo de dieta familiar.


A única diferença observada foi que bebês de famílias veganas apresentaram maior probabilidade de baixo peso nos primeiros meses de vida em comparação aos onívoros. No entanto, essa diferença diminuiu ao longo do tempo. 


Aos 24 meses, não havia diferenças significativas entre os grupos em relação a baixa estatura, baixo peso ou sobrepeso. As médias de peso, altura e perímetro cefálico eram praticamente equivalentes.



De forma geral, os resultados sugerem que, em um país desenvolvido com acesso a acompanhamento médico e orientação nutricional, bebês de famílias veganas apresentam padrões de crescimento semelhantes aos de famílias onívoras. 


Embora exista um risco discretamente maior de baixo peso no início da vida, esse efeito não persiste até os dois anos. Os autores destacam, porém, que a qualidade da dieta e o acompanhamento nutricional são fatores fundamentais.



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Growth Trajectories in Infants From Families With Plant-Based or Omnivorous Dietary Patterns

Kerem Avital, Naomi Fliss-Isakov, Danit R. Shahar, Moran Blaychfeld-Magnazi, Sivan Ben-Avraham, Sigal Tepper, and Uri Hamiel

JAMA Network Open. 5 February 2026;9;(2):e2557798.

DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2025.57798


Abstract:


The safety of plant-based family diets, particularly vegan diets, during pregnancy and infancy is debated. Large population data on infant growth are scarce. To examine whether family dietary patterns (vegan, vegetarian, and omnivorous) are associated with growth trajectories, weight, and length among infants. This retrospective cohort study used data collected from January 1, 2014, through December 31, 2023, from a national network of public family care centers in Israel providing health and developmental surveillance for infants. Singleton births of infants gestational age 32 weeks or later without congenital malformations or birth weight less than 1500 g were followed up for 24 months. The data were analyzed between November 17, 2024, and December 6, 2025. The family diet as recorded at least 6 months after delivery. The primary outcome was infant length. Secondary outcomes included weight, head circumference, stunting (length-for-age z score less than –2), underweight (weight-for-length z score less than –2), and overweight (weight-for-length z score >2). Growth trajectories were analyzed using linear mixed-effects models, and nutritional status at birth, early infancy (ie, first 60 days of life), and 24 months were analyzed using logistic regression. Among 1 198 818 infants (mean [SD] gestational age, 39.2 [1.5] weeks; 53.2% male), 98.5% were from omnivorous households; 0.3% from vegan households, and 1.2% from vegetarian households. Differences in early-infancy length and length-for-age z scores among dietary groups were small (World Health Organization z score ≤0.3), and stunting prevalence was similar across groups (from 7.0% in the vegan and vegetarian groups to 7.1% in the omnivorous group), while underweight was more common in infants in the vegan vs omnivorous groups (adjusted odds ratio, 1.37 [95% CI, 1.15-1.63]). By age 24 months, stunting prevalence declined to 3.1%, 3.4%, and 3.9% in omnivore, vegetarian, and vegan groups, respectively, with no significant differences among the groups. Underweight and overweight were also low, with no differences by dietary group at age 24 months. Mean differences for weight, length, and head circumference were clinically minor (World Health Organization z score <0.2) and diminished further in adjusted longitudinal models. In this cohort study, infants from vegan households had growth patterns similar to those from omnivorous households, with a higher odds of early underweight that decreased by age 24 months. In the context of developed countries, these findings seem reassuring. Further research should examine vegan diet quality and the impact of nutritional counseling during pregnancy and infancy in supporting optimal infant development.

 
 
 

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