Ataque Cardíaco e Derrame: Horário De Sono Irregular Dobra o Risco
- 8 de abr.
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Este estudo analisou como a regularidade dos horários de sono influencia o risco de doenças cardiovasculares ao longo de dez anos. Utilizando dispositivos vestíveis para monitorar o sono de mais de três mil adultos, os pesquisadores observaram que pessoas com horários irregulares para dormir apresentaram maior risco de eventos cardíacos graves, especialmente quando dormiam menos de oito horas por noite. Os resultados destacam que manter horários consistentes de sono pode ser tão importante quanto dormir o suficiente para proteger a saúde do coração.
O sono é uma parte essencial da vida humana, não apenas para o descanso, mas também para a manutenção da saúde geral do organismo. Nos últimos anos, pesquisadores têm percebido que não é apenas a quantidade de horas dormidas que importa, mas também a regularidade dos horários de dormir e acordar.
Nosso corpo funciona com base em um “relógio biológico” interno, que regula processos importantes como a pressão arterial, a frequência cardíaca e o metabolismo. Quando esse ritmo natural é constantemente alterado, como acontece com horários de sono irregulares, isso pode afetar negativamente a saúde do coração ao longo do tempo.
Com o avanço da tecnologia, dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes e pulseiras de monitoramento, passaram a permitir o acompanhamento detalhado dos hábitos de sono no dia a dia. Esses aparelhos conseguem registrar automaticamente quando a pessoa dorme e acorda, oferecendo dados mais precisos sobre padrões de sono ao longo de vários dias.
Aproveitando essa tecnologia, o estudo buscou entender se a regularidade dos horários de sono poderia prever o risco de problemas cardiovasculares ao longo de muitos anos.

Para investigar essa questão, os pesquisadores utilizaram dados de um grande grupo de pessoas que fazem parte de um estudo populacional realizado na Finlândia desde o nascimento. No momento analisado, os participantes tinham cerca de quarenta e seis anos de idade, uma fase da vida em que os riscos cardiovasculares começam a se tornar mais relevantes.
Ao todo, mais de três mil pessoas participaram da análise, sendo acompanhadas por aproximadamente uma década para verificar o surgimento de problemas cardíacos ou morte relacionada ao coração.
A parte metodológica do estudo foi cuidadosamente planejada para captar com precisão os hábitos de sono. Durante um período de sete dias, os participantes utilizaram dispositivos que registraram automaticamente seus horários de dormir e acordar. A partir desses dados, os pesquisadores calcularam o quanto esses horários variavam ao longo da semana.

Em termos simples, eles mediram se a pessoa dormia e acordava sempre em horários parecidos ou se havia grandes diferenças de um dia para o outro. Com base nisso, os participantes foram classificados em três grupos: aqueles com horários regulares, moderadamente regulares e irregulares.
Além de observar o sono, os pesquisadores também acompanharam a saúde dos participantes ao longo do tempo. Eles registraram a ocorrência de eventos cardiovasculares importantes, como infarto, derrame, insuficiência cardíaca ou morte relacionada ao coração.
Também consideraram outros fatores que poderiam influenciar os resultados, como peso corporal, pressão arterial, níveis de açúcar no sangue, colesterol, atividade física e situação profissional. Isso foi importante para garantir que os efeitos observados estivessem realmente relacionados aos padrões de sono, e não a outros aspectos da saúde ou do estilo de vida.

Para analisar os dados, foi utilizado um método estatístico que permite estimar o risco de um evento ocorrer ao longo do tempo, levando em conta múltiplas variáveis simultaneamente. Os pesquisadores também dividiram os participantes em dois grupos com base na duração do sono: aqueles que dormiam menos de cerca de oito horas por noite e aqueles que dormiam mais. Essa divisão ajudou a entender se a regularidade do sono teria impactos diferentes dependendo da quantidade de horas dormidas.
Os resultados mostraram que pessoas com horários de sono mais irregulares, especialmente no momento de ir dormir e no ponto médio do sono (ou seja, o horário central entre dormir e acordar), apresentaram aproximadamente o dobro do risco de desenvolver problemas cardiovasculares em comparação com aquelas que mantinham horários regulares.
Esse efeito foi particularmente evidente entre indivíduos que dormiam menos de oito horas por noite. Curiosamente, a variação no horário de acordar não teve uma associação tão forte quanto a variação no horário de dormir.
LEIA MAIS:
Sleep timing irregularity in midlife: association with incident major adverse cardiac events and cardiovascular disease mortality over a 10-year follow-up
Laura Nauha, Maisa Niemelä, Saeid Azadifar, Raija Korpelainen, and Vahid Farrahi
BMC Cardiovascular Disorders. 24 March 2026
DOI: 10.1186/s12872-026-05762-4
Abstract:
Sleep timing reflects daily routines and lifestyle patterns, which influence cardiovascular health through circadian mechanisms that regulate cardiovascular processes. Wearable devices enable sensor-based assessment of sleep timing, offering insights into daily behavior. This cohort study examined how the regularity of wearable device–determined sleep timing (bedtime, wake-up time, and sleep midpoint) predicts incident major adverse cardiac event (MACE) and cardiovascular disease (CVD) mortality over a 10-year follow-up in midlife. The study included 3,231 participants (39.5% men) from the Northern Finland Birth Cohort 1966 who attended the 46-year follow-up in 2012–2014. Participants were followed until December 31, 2023, or until a MACE (acute myocardial infarction, unstable angina, stroke, heart failure hospitalization, or CVD death) or were censored due to moving abroad or dying from a non-cardiovascular cause. Sleep timing regularity was assessed via 7-day standard deviation for bedtime, wake-up time, and sleep midpoint, categorized into tertiles: regular, fairly regular, and irregular. Cox proportional hazards models estimated hazard ratios (HRs) with 95% confidence intervals (CIs), adjusting for gender, employment status, body mass index, systolic blood pressure, glycated hemoglobin, low-density lipoprotein cholesterol, and total physical activity. Analyses were stratified by sleep duration below or above the group median (7 h 56 min). In total, 128 participants (4.0%) experienced MACEs during the follow-up period. Irregular sleep timing was associated with an elevated risk, but this association was observed only among participants whose sleep period was shorter than the group median. Individuals with irregular bedtimes had a 2.01-fold higher risk of MACEs compared to those with regular bedtimes (HR = 2.01, 95% CI: 1.00–4.01, p = 0.049), and those with irregular sleep midpoints had a 2.00-fold higher risk compared to those with regular midpoints (HR = 2.00, 95% CI: 1.01–3.98, p = 0.048). Among the participants with sleep durations under eight hours, irregular sleep timing was a significant risk factor for MACEs. Specifically, variability in bedtime and sleep midpoint, but not in wake-up time, was associated with increased risk. These findings highlight the importance of consistent sleep behavior, particularly regular bedtimes, as a potential target for health promotion.



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