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Trabalhar em Horários Imprevisíveis Pode Aumentar o Risco de Separação

há 5 dias
3 min de leitura

Seu trabalho pode estar afetando seu relacionamento sem você perceber. Um novo estudo com quase 7 mil trabalhadores nos Estados Unidos descobriu que horários de trabalho instáveis e imprevisíveis estão associados a um maior risco de separação. Quando nunca se sabe quando será preciso trabalhar, até encontrar tempo para a vida a dois pode se tornar um desafio.


Quando o horário de trabalho muda constantemente, o problema pode ir muito além do emprego. Um novo estudo sugere que trabalhar em turnos instáveis e imprevisíveis pode aumentar o risco de um relacionamento terminar. A razão pode parecer simples: quando uma pessoa não sabe com antecedência quando vai trabalhar, fica muito mais difícil organizar a rotina, cuidar dos filhos, planejar momentos com o parceiro ou simplesmente ter tempo para a vida a dois.


Para investigar essa relação, os pesquisadores analisaram informações de 6.918 trabalhadores que recebiam por hora e trabalhavam no setor de serviços nos Estados Unidos. Os dados foram coletados entre 2019 e 2024 pelo Shift Project, um projeto que acompanha as condições de trabalho de pessoas que frequentemente enfrentam horários pouco previsíveis. 


O estudo acompanhou essas pessoas ao longo do tempo, permitindo observar se aquelas expostas a maior instabilidade no trabalho também apresentavam maior probabilidade de terminar seus relacionamentos.



Os pesquisadores estavam especialmente interessados em uma característica do trabalho que normalmente recebe pouca atenção: a previsibilidade dos horários. Não era apenas uma questão de quantas horas a pessoa trabalhava ou de quanto ganhava. O que importava era saber se ela conseguia planejar sua semana. 


Um trabalhador pode, por exemplo, receber seu horário com bastante antecedência e conseguir organizar sua vida. Outro pode descobrir poucos dias antes que precisará trabalhar à noite, no fim de semana ou em horários diferentes dos habituais. Essa segunda situação pode tornar a rotina familiar muito mais difícil.


Para analisar os dados, os pesquisadores utilizaram um método estatístico que permitiu estimar a probabilidade de um relacionamento terminar de acordo com o grau de instabilidade do horário de trabalho. Eles analisaram separadamente pessoas casadas e pessoas que viviam em união estável e também verificaram se o padrão era diferente entre homens e mulheres. 



Dessa forma, puderam avaliar se a instabilidade do emprego estava relacionada apenas à situação financeira ou se o próprio funcionamento imprevisível do trabalho poderia estar associado à estabilidade do relacionamento.


Os resultados mostraram uma associação clara: trabalhadores submetidos a horários instáveis e imprevisíveis apresentavam maior risco de dissolução do relacionamento. Isso aconteceu tanto entre pessoas casadas quanto entre aquelas que viviam em união estável. A relação foi particularmente forte quando os homens eram os que enfrentavam condições de trabalho altamente imprevisíveis.



O estudo, porém, mostra uma associação e não prova que horários instáveis sejam, sozinhos, a causa das separações.


Segundo os autores, o resultado ajuda a ampliar a maneira como pensamos sobre a relação entre trabalho e vida amorosa. Pesquisas anteriores já mostravam que emprego e renda podem influenciar a estabilidade dos relacionamentos. Mas ter um emprego não significa necessariamente ter uma rotina que permita construir e manter uma vida em comum. 


Quando o horário muda constantemente, até tarefas simples, jantar juntos, buscar os filhos, marcar  uma consulta ou planejar um fim de semana, podem se transformar em problemas. Assim, a imprevisibilidade do trabalho pode acabar afetando diretamente a vida familiar, mostrando que as condições oferecidas pelos empregadores podem ter consequências que vão muito além do ambiente profissional.



LEIA MAIS: 


Predictably Unstable?: Precarious Work and Precarious Relationships in the U.S

Harknett K, Bruey K, and Kuhlman E

Journal of Marriage and Family 1–17. 2026


Abstract: 


This study examines the association between workers' experience of unpredictable and unstable work schedules and their risk of marital or cohabitation dissolution and whether these associations vary by gender. Employment and earnings are well-established predictors of relationship dissolution, with many studies demonstrating that men's employment and earnings stabilize relationships and debating whether women's employment and earnings have a stabilizing or destabilizing effect. What has gone missing and untested in this research and debate is the role of other job attributes that have profound effects on the rhythm of life, namely the predictability and consistency in the timing of work shifts. This study draws on longitudinal survey data of hourly service-sector workers in the United States collected between 2019 and 2024 by the Shift Project (n = 6918). Using linear probability models, married or cohabiting couples' risk of relationship dissolution as a function of work schedule instability is estimated. Hourly service-sector workers who are subject to unstable and unpredictable work schedules are at higher risk for relationship dissolution. Work schedule instability is associated with dissolution for both marital and cohabiting relationships, especially when men experience highly unstable and unpredictable schedule conditions. These results suggest that the demands of contemporary low-wage work, predicated on the ideal worker norm, are at odds with the maintenance and stability of marital and cohabiting unions.

 
 
 

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