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O Alzheimer Começa Fora Do Cérebro? Os Sinais Silenciosos Que Aparecem No Corpo

  • 14 de mai.
  • 3 min de leitura

E se os primeiros sinais do Alzheimer não estivessem no cérebro, mas nos seus músculos? Um novo estudo revela pistas surpreendentes que podem mudar tudo o que sabemos sobre a doença.


A doença de Alzheimer é geralmente conhecida como uma condição que afeta a memória e o raciocínio. No entanto, evidências recentes sugerem que seus primeiros sinais podem surgir muito antes, e fora do cérebro. Este estudo parte justamente dessa ideia: e se o Alzheimer também for uma doença do corpo, especialmente dos músculos e nervos?


Pesquisas clínicas já vinham indicando pistas importantes. Pessoas com Alzheimer em estágios iniciais frequentemente apresentam perda de força, caminham mais devagar e têm alterações na comunicação entre nervos e músculos. Em alguns casos, essas mudanças aparecem anos antes dos sintomas cognitivos. Isso levou cientistas a suspeitar que o sistema neuromuscular pode estar envolvido desde o início da doença.



Para investigar essa hipótese de forma mais precisa, os pesquisadores utilizaram uma tecnologia avançada baseada em células-tronco humanas. Eles coletaram células de pacientes com uma forma genética de Alzheimer e as “reprogramaram” em laboratório para se transformarem em neurônios motores, células responsáveis por enviar sinais do cérebro para os músculos.


Em paralelo, utilizaram células saudáveis para gerar tecido muscular. Isso permitiu criar um modelo controlado, semelhante ao corpo humano, mas totalmente em laboratório.


Essas células foram então conectadas em um sistema especial de duas câmaras, projetado para simular a junção neuromuscular, o ponto de comunicação entre neurônios e músculos. Esse sistema funciona como uma espécie de “miniatura funcional” do corpo humano, permitindo observar como os sinais nervosos ativam os músculos. Sensores extremamente sensíveis mediram a força, a eficiência e a qualidade dessa comunicação. 



Os resultados mostraram algo marcante: as conexões entre neurônios e músculos formadas a partir de células de pacientes com Alzheimer apresentaram falhas claras. Em alguns casos, essas falhas eram graves, indicando que os músculos recebiam sinais de forma ineficiente. Isso sugere que a doença pode comprometer o funcionamento muscular de maneira direta, e não apenas como consequência do dano cerebral.


Os pesquisadores também testaram medicamentos já utilizados no tratamento do Alzheimer, como memantina e galantamina, para verificar se eles poderiam melhorar essa comunicação entre nervos e músculos.



No entanto, os resultados indicaram que esses tratamentos não tiveram efeito significativo nesse aspecto, reforçando a ideia de que os sintomas motores da doença podem exigir abordagens terapêuticas específicas.


Essas descobertas mudam a forma como entendemos o Alzheimer. Em vez de uma doença restrita ao cérebro, ele pode ser visto como uma condição sistêmica, que afeta múltiplos sistemas do corpo. Isso abre novas possibilidades para diagnóstico precoce, por exemplo, através da análise da força muscular ou da marcha, e também para o desenvolvimento de tratamentos mais completos.



LEIA MAIS:


Evaluating the peripheral nervous system pathology of Alzheimer’s disease  utilizing a functional human NMJ microphysiological system

Akhmetzada Kargazhanov, Romy Aiken, Kenneth Hawkins, Rafael Lopez, Ahmad Nawaz, Gaurav Srivastava, Chase Miller, Will Bogen, Christopher Long, David Morgan, Xiufang Guo, and James Hickman

Alzheimer’s & Dementia. Volume22, Issue 4, April 2026, e71281

DOI: 10.1002/alz.71281


Abstract: 


Alzheimer's Disease (AD) is a central nervous system (CNS) neurodegenerative disease leading to dementia, but can also show symptoms of motor deficits. It is not clear whether the peripheral motor deficits in AD are derived from upstream centers or intrinsic to the neuromuscular circuit. This study developed a model to evaluate the neuromuscular pathology of familial AD (fAD) in a functional neuromuscular junction (NMJ) system. The fAD iPSC motoneurons (MNs), together with healthy iPSC skeletal myoblasts (SKM), were adapted into a dual chamber NMJ system. The formation and function of the NMJs formed were evaluated utilizing clinically translatable readouts. Functional analysis indicated that NMJs formed with fAD MNs showed severe (PSEN1 A246E) to moderate (APP K595N/M596L) deficiencies in NMJ function. These findings confirmed that fAD mutations lead to NMJ deficiencies, supporting that motor deficits can be induced independently from cognitive deficits.

 
 
 

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