🎗️Novo “CBD” Sintético Combate Convulsões Sem Causar Sedação

E se fosse possível controlar convulsões sem deixar o cérebro sedado? Cientistas criaram uma molécula sintética semelhante ao CBD que protegeu camundongos contra diferentes tipos de convulsão e não provocou sedação significativa. Em animais com epilepsia genética, o tratamento também corrigiu alterações nas conexões entre os neurônios.
Algumas síndromes epilépticas do desenvolvimento começam ainda na infância e podem causar convulsões frequentes e difíceis de controlar. Os medicamentos disponíveis conseguem ajudar muitos pacientes, mas alguns provocam sonolência e outros efeitos indesejados, além de perderem parte do efeito com o uso prolongado.
O canabidiol, conhecido como CBD, já é utilizado para tratar algumas formas específicas de epilepsia. Agora, pesquisadores criaram em laboratório uma molécula sintética semelhante ao CBD, mas com pequenas modificações, e descobriram que ela conseguiu proteger camundongos contra convulsões sem deixá-los sedados.
Para encontrar a melhor molécula, os cientistas produziram várias versões semelhantes ao CBD, modificando principalmente o tamanho de uma parte da molécula. O objetivo era descobrir se essas pequenas mudanças poderiam alterar seus efeitos no cérebro.

Os compostos foram produzidos a partir da carvona, uma substância encontrada na alcaravia, e não foram simplesmente extraídos da cannabis. Depois, os pesquisadores administraram as diferentes moléculas aos camundongos e acompanharam sua atividade cerebral usando eletroencefalografia, um método que registra as ondas elétricas produzidas pelo cérebro.
Essa primeira etapa permitiu identificar quais compostos apresentavam os efeitos mais interessantes. Um deles, chamado pelos pesquisadores de (+)-CBD-oct, foi escolhido para os testes seguintes. Então veio a pergunta principal: essa molécula realmente conseguiria evitar convulsões?
Para descobrir, os pesquisadores utilizaram dois modelos diferentes de epilepsia em camundongos. Em um deles, provocaram convulsões com uma substância chamada ácido caínico, que aumenta fortemente a atividade dos neurônios. No outro, utilizaram camundongos com uma alteração genética relacionada a uma forma de epilepsia do desenvolvimento.

Sementes de Alcaravia
Os animais receberam o composto antes dos testes e foram acompanhados durante as crises. O tratamento aumentou a resistência às convulsões e, no modelo provocado pelo ácido caínico, também aumentou a sobrevivência dos animais.
Mas havia outra questão importante: será que os animais estavam apenas ficando sedados?
Para descobrir, os pesquisadores fizeram um teste de comportamento chamado campo aberto. Os camundongos são colocados em um espaço e seus movimentos são observados. Se uma substância provocar forte sedação, os animais normalmente ficam muito menos ativos.
O (+)-CBD-oct não produziu esse efeito significativo. Isso sugere que a redução das convulsões não aconteceu simplesmente porque os animais ficaram sonolentos ou com o cérebro excessivamente desacelerado.

Os cientistas também quiseram saber se o tratamento poderia influenciar o desenvolvimento do cérebro. Para isso, deram o composto por via oral durante cinco dias a camundongos ainda muito jovens. Depois, analisaram seus neurônios ao microscópio, observando pequenas estruturas chamadas espinhas dendríticas, que participam das conexões entre as células nervosas.
Os animais com a alteração genética apresentavam essas estruturas de maneira diferente do normal. Após o tratamento, essa alteração foi normalizada. O mesmo efeito não apareceu nos animais que não possuíam a alteração genética.
Os resultados são promissores, mas ainda estão muito longe de representar um novo tratamento para pessoas. O estudo foi realizado em camundongos, e ainda será necessário descobrir se a molécula é segura em seres humanos, qual seria a dose adequada e se ela realmente conseguiria controlar diferentes tipos de epilepsia.
Ainda assim, o trabalho mostra que pequenas modificações em moléculas semelhantes ao CBD podem produzir efeitos diferentes no cérebro. No futuro, essa estratégia poderá ajudar pesquisadores a desenvolver medicamentos capazes de controlar convulsões sem provocar tanta sedação.
LEIA MAIS:
Carvone derived cannabidiol enantiomers as novel anticonvulsants
Rochelle M. Hines, April Contreras, Adriana Carrillo, Alexandra Paton, Antonio J. Tenorio, William A. Maio, and Dustin J. Hines
Neuropsychopharmacol. 50, 1970-1981 (2025)
Abstract:
Developmental epilepsy syndromes are characterized by recurrent seizures and developmental delays. Current anticonvulsants target γ-aminobutyric acid type A receptor signaling to decrease neuronal excitability, however, there are adverse effects for the developing brain, and many patients are refractory. The major non-psychotropic phytocannabinoid cannabidiol (CBD) has emerged as an anti-seizure medication effective in select developmental epilepsy syndromes, but its overall applicability in treating seizure disorders is limited. In the present study, we characterize a small library of non-Cannabis carvone derived CBD (+) enantiomers, with the larger goal of identifying novel therapeutics for developmental epilepsy syndromes. EEG based structure activity relationship assessment supports that elongated alkyl chains increase the potency of the congeners, with (+)-CBD-oct displaying effects on both δ and θ frequency bands. Pre-treatment with (+)-CBD-oct promotes seizure resilience in both wildtype mice and the Gabra2-1 model of developmental epilepsy by influencing seizure characteristics, and reduces mortality. 5 days of (+)-CBD-oct oral gavage in wildtype and Gabra2-1 mice during postnatal development normalizes the aberrant dendritic spine phenotype of Gabra2-1 mice. These findings advance the development of novel anticonvulsants by validating an influence of alkyl chain length of synthetic CBD congeners.



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