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Menopausa e Alzheimer: Cientistas Encontram Uma Possível Ligação Escondida no Sangue

há 3 dias
4 min de leitura

A queda dos hormônios na menopausa pode desencadear uma série de mudanças moleculares no organismo. Agora, cientistas encontraram sinais de que algumas delas podem estar relacionadas ao envelhecimento do cérebro e ao risco futuro de demência.


A menopausa não envolve apenas o fim dos ciclos menstruais. Ela é acompanhada por uma grande mudança no funcionamento do organismo, principalmente por causa da queda dos hormônios produzidos pelos ovários. Estudos anteriores já mostraram que essa fase da vida está associada a um risco maior de alterações cognitivas e de doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer. 


Mas ainda não está claro o que acontece dentro do organismo durante a menopausa que poderia ajudar a explicar essa relação. Neste estudo, os pesquisadores procuraram pistas no sangue de mulheres, analisando milhares de proteínas que circulam pelo organismo.


Para isso, eles começaram com um grupo de 80 mulheres entre 43 e 58 anos. As participantes foram cuidadosamente classificadas em três fases: antes da menopausa, durante a transição para a menopausa e depois da menopausa. Essa classificação foi feita utilizando critérios médicos padronizados que levam em consideração as alterações nos ciclos menstruais e outros sinais da transição hormonal.


Em seguida, os pesquisadores coletaram amostras de sangue e fizeram proteômica, uma técnica que permite medir muitas proteínas presentes em uma amostra ao mesmo tempo. 



As proteínas funcionam como pequenas peças de informação sobre o que está acontecendo no organismo. Ao comparar o conjunto de proteínas encontrado nas mulheres de diferentes fases, os pesquisadores puderam identificar quais processos do corpo estavam mais alterados durante a menopausa.


Essa primeira análise revelou mudanças em vários sistemas importantes. Entre eles estavam processos relacionados à inflamação, que é uma resposta do sistema imunológico; às sinapses, que são os pontos de comunicação entre os neurônios; ao metabolismo, responsável por transformar nutrientes em energia; e a processos que também estão envolvidos na doença de Alzheimer. 


Um resultado particularmente interessante foi que essas alterações nas proteínas pareciam estar mais relacionadas aos níveis dos hormônios sexuais do que simplesmente à idade das mulheres. Isso é importante porque duas mulheres com a mesma idade podem estar em fases hormonais diferentes.


Portanto, os resultados sugerem que a mudança hormonal característica da menopausa pode estar relacionada a alterações biológicas que não seriam explicadas apenas pelo envelhecimento natural.



Os pesquisadores então fizeram uma segunda análise muito maior, envolvendo 2.814 mulheres. Dessa vez, utilizaram outro método de proteômica, baseado em uma tecnologia chamada Olink, para verificar se as alterações encontradas no primeiro grupo também apareciam em uma população diferente. Essa etapa é importante porque um resultado científico fica mais confiável quando pode ser reproduzido usando outro grupo de pessoas e outra técnica de análise. 


Os resultados confirmaram muitas das alterações observadas anteriormente e mostraram ainda mais sinais de aumento de processos relacionados à inflamação e à quebra de moléculas dentro das células. Os pesquisadores também encontraram sinais compatíveis com um envelhecimento mais acelerado de diferentes órgãos e tipos de células, incluindo o cérebro.


Por fim, os cientistas quiseram descobrir se essas alterações observadas durante a menopausa poderiam ter alguma relação com problemas que aparecem muitos anos depois. Para isso, analisaram 11.925 mulheres mais velhas, reunidas em quatro grupos independentes de participantes. Eles criaram uma espécie de “pontuação molecular” baseada nas alterações de proteínas associadas à menopausa e verificaram se mulheres com pontuações mais elevadas apresentavam maior envelhecimento cognitivo ou maior ocorrência de demência. 



A associação apareceu de forma consistente nos quatro grupos analisados. Isso não significa que a menopausa cause diretamente a doença de Alzheimer, nem que uma determinada proteína seja responsável pela doença. 


O que o estudo mostra é que a menopausa está acompanhada por um conjunto de alterações moleculares que pode estar relacionado ao envelhecimento do cérebro e ao risco futuro de demência. Essas alterações podem, no futuro, ajudar os pesquisadores a identificar biomarcadores, ou seja, sinais mensuráveis no organismo que indiquem risco ou alterações biológicas, além de possíveis novos alvos para tratamentos destinados a proteger a saúde cerebral durante o envelhecimento.



LEIA MAIS: 


Blood proteomics of menopause map to brain aging and dementia risk

Madeline Wood Alexander, Jennifer S. Rabin, Michelle Caunca, Allesandra Iadipaolo, Louisa Cornelis, Ria Warrier, Keenan A. Walker, Nina Miolane, Veronica Augustina Bot, Brendan Wood, Hamilton Se-Hwee Oh, Tony Wyss-Coray, Albert Pham, Julia Borger, Valentina Diaz, Emily W. Paolillo, Joel Kramer, Laura Pritschet, Caitlin Taylor, Matthew S. Panizzon, Ramiro Eduardo Rea Reyes, Marisa N. Denkinger, Nicholas J. Ashton, Sterling C. Johnson, Emily G. Jacobs, Rowan Saloner, and Kaitlin B. Casaletto

Nature Medicine (Sept 22, 2026)

DOI: 10.1038/s41591-026-04648-4


Abstract: 


Menopause is a hallmark process in biological aging that has been implicated in later neurodegenerative risk, but the pathways underlying this connection remain unclear. Here we used blood proteomics data from several cohorts to identify biological changes associated with menopause and its links to brain aging. In n = 80 rigorously staged (STRAW+10) pre-, peri- and postmenopausal women (aged 43–58 years) with serum NULISAseq proteomics, we show that spontaneous menopause is characterized by dysregulation in inflammatory, synaptic, metabolic and Alzheimer’s disease biologic processes, which tracked more strongly with hormones than with age. Validation analyses in age-matched pre-/peri- and postmenopausal women (n = 2,814) with plasma Olink proteomics replicated the observed proteomic shifts and revealed broader menopause-related upregulation of inflammatory and catabolic processes plus accelerated organ and cell aging, including brain aging. In four independent cohorts of older women (average age, 60.7–72.1 years; total n = 11,925), higher menopause proteomic scores associated consistently with cognitive aging and dementia risk. The molecular signatures of menopause may inform the selection of biomarkers or therapeutic targets for brain health in midlife women.

 
 
 

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