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Melatonina: Dormir Melhor Pode Estar Custando Caro Ao Seu Coração

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Ela parece inofensiva, mas pode não ser. Um dos suplementos mais usados para dormir acaba de ser associado a riscos sérios para o coração.


A melatonina é amplamente conhecida como um suplemento “natural” para melhorar o sono, usado por milhões de pessoas em todo o mundo. Muitas vezes, ela é vista como uma opção segura, até mesmo benéfica para a saúde geral.


No entanto, um novo estudo levanta uma questão importante: será que esse hábito aparentemente inofensivo pode ter impactos no coração a longo prazo?


A insônia crônica afeta uma parcela significativa da população adulta, e, diante da dificuldade para dormir, muitas pessoas recorrem à melatonina sem prescrição médica. Apesar de sua popularidade, ainda existem poucas evidências robustas sobre os efeitos do uso prolongado desse suplemento, especialmente em relação à saúde cardiovascular.



Para investigar essa possível relação, pesquisadores analisaram dados de uma grande base internacional de registros médicos, incluindo adultos diagnosticados com insônia. Eles compararam dois grupos: pessoas que utilizaram melatonina por pelo menos um ano e pessoas com insônia que nunca usaram o suplemento.


Para garantir uma comparação justa, os grupos foram cuidadosamente equilibrados considerando fatores como idade, doenças pré-existentes, uso de medicamentos e estilo de vida.


Os participantes foram acompanhados por cinco anos, período no qual os cientistas observaram o desenvolvimento de insuficiência cardíaca, internações relacionadas ao coração e mortalidade geral. Esse tipo de estudo permite identificar associações importantes em grandes populações, mesmo que não comprove diretamente uma relação de causa e efeito.



Os resultados chamaram atenção. Pessoas que usaram melatonina a longo prazo apresentaram uma taxa significativamente maior de insuficiência cardíaca em comparação com aquelas que não usaram. Além disso, as hospitalizações por problemas cardíacos foram muito mais frequentes entre os usuários do suplemento, e a mortalidade geral também foi mais elevada nesse grupo.


Mesmo após análises adicionais para confirmar a consistência dos dados, os resultados permaneceram semelhantes. Isso reforça a possibilidade de que o uso prolongado de melatonina esteja associado a riscos que ainda não são totalmente compreendidos.


É importante destacar que esse tipo de estudo não prova que a melatonina cause diretamente esses problemas. No entanto, os achados são suficientes para questionar a ideia de que o suplemento é completamente inofensivo, especialmente quando utilizado por longos períodos sem acompanhamento médico.


Diante disso, os pesquisadores defendem a necessidade de estudos clínicos mais rigorosos para entender melhor essa relação. Enquanto isso, o uso de melatonina deve ser feito com cautela, levando em consideração orientação profissional e avaliação individual de riscos e benefícios.



LEIA MAIS:


Effect of Long-term Melatonin Supplementation on Incidence of Heart Failure in Patients with Insomnia

Ekenedilichukwu Nnadi, Maureen Masara, Rita Offor, Selin Unal, Rebhi Rebah, 

Muhammed Atere, Bisrat Nigussie, and Suzette Graham-Hill

Circulation. The American Heart Association's. Volume 152, Number Suppl_3


Abstract: 


Chronic insomnia affects up to one-third of adults, and over-the-counter melatonin is increasingly promoted as a “cardiometabolic-friendly” sleep aid. Robust data on its long-term cardiovascular safety are lacking. We queried the TriNetX Global Research Network for adults ≥ 18 years with an insomnia diagnosis (ICD-10 F51.0). The exposed cohort required ≥ 1 melatonin prescription and ≥ 365 exposure-days; controls had no melatonin exposure. Patients with prior heart failure (HF) or other prescription hypnotics were excluded. Propensity-score matching (1:1, caliper 0.1) balanced 65, 414 melatonin users with 65, 414 controls on demographics, 15 comorbidities, concomitant cardiometabolic drugs, laboratories, vitals, and health-care utilization (all post-match standardized mean differences < 0.02). Outcomes were assessed 5 years after the index date. The primary endpoint was incident HF (ICD-10 I50.). Secondary endpoints were HF hospitalization and all-cause mortality. Hazard ratios (HR) were obtained from stratified Cox models. During 5-year follow-up, incident HF occurred in 3,021 melatonin users (4.6%) versus 1, 797 controls (2.7%), corresponding to an HR of 1.89 (95% CI 1.78–2.00) and an absolute risk difference of 1.9% (p < 0.001). HF-related hospitalization occurred in 12, 411 users (19.0%) and 4, 309 controls (6.6%)—HR 3.44 (95% CI 3.32–3.56). All-cause mortality was higher in melatonin users (5, 118 [7.8%] vs 2, 820 [4.3%]; HR 2.09, 95% CI 1.99–2.18). Results were consistent in sensitivity analyses requiring ≥ 2 melatonin fills ≥ 90 days apart (HR for HF 1.82). In a large, multinational real-world cohort rigorously matched on >40 baseline variables, long-term melatonin supplementation in insomnia was associated with an 89% higher hazard of incident heart failure, a three-fold increase in HF-related hospitalizations, and a doubling of all-cause mortality over 5 years. These findings challenge the perception of melatonin as a benign chronic therapy and underscore the need for randomized trials to clarify its cardiovascular safety profile.

 
 
 

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