top of page

Dormir Pouco ou Demais: Descoberta a Relação Surpreendente Entre Sono e o Envelhecimento Precoce

  • 1 de jun.
  • 4 min de leitura

Dormir pouco faz mal. Dormir demais também. Agora, cientistas descobriram que ambos podem acelerar o envelhecimento do corpo e aumentar o risco de doenças graves.


O sono é muito mais do que apenas um momento de descanso. Enquanto dormimos, o corpo realiza uma série de processos essenciais para manter o cérebro, o coração, o metabolismo e o sistema imunológico funcionando adequadamente. Nas últimas décadas, cientistas passaram a perceber que dormir pouco pode trazer prejuízos importantes para a saúde. 


Porém, estudos mais recentes mostram que dormir em excesso também pode estar relacionado a problemas físicos e mentais. Agora, uma nova pesquisa internacional sugere que tanto o sono insuficiente quanto o sono prolongado podem acelerar o envelhecimento do organismo.



Os pesquisadores queriam entender como a duração do sono influencia o chamado “envelhecimento biológico”. Diferente da idade que aparece no calendário, o envelhecimento biológico tenta medir o verdadeiro estado de desgaste do corpo. Em algumas pessoas, o organismo pode parecer biologicamente mais velho ou mais jovem do que a idade cronológica. 


Para investigar isso, os cientistas analisaram dados de quase 500 mil pessoas do Reino Unido, utilizando informações de exames médicos, análises de sangue, imagens do cérebro e relatos sobre hábitos de sono.


A parte mais inovadora do estudo foi justamente a forma como o envelhecimento foi medido. Os cientistas usaram ferramentas conhecidas como “relógios biológicos”, capazes de estimar a idade dos órgãos e tecidos do corpo com base em sinais químicos e estruturais. 


Para isso, foram analisadas proteínas presentes no sangue, substâncias produzidas pelo metabolismo e imagens detalhadas do cérebro e de outros sistemas do organismo. Com essas informações, os pesquisadores conseguiram comparar a idade biológica de diferentes partes do corpo com a idade real de cada participante.



Depois disso, os pesquisadores cruzaram todos esses dados com as horas de sono relatadas pelos voluntários. O resultado revelou um padrão muito claro: pessoas que dormiam pouco ou dormiam demais apresentavam sinais mais acelerados de envelhecimento em vários órgãos. 


Segundo o estudo, a faixa considerada mais saudável ficou entre aproximadamente seis horas e meia e quase oito horas de sono por noite, embora pequenas diferenças tenham sido observadas entre homens e mulheres e entre diferentes sistemas do corpo.


Além do envelhecimento acelerado, os cientistas também encontraram uma associação entre padrões extremos de sono e maior risco de doenças e morte precoce. Pessoas que dormiam menos de seis horas ou mais de oito horas por noite apresentavam mais chances de desenvolver problemas como depressão, diabetes e doenças em diferentes partes do organismo. 



Os pesquisadores acreditam que o sono inadequado pode afetar diretamente processos importantes do corpo, como inflamação, equilíbrio hormonal, metabolismo e funcionamento cerebral.


Os autores destacam que o sono é um fator que pode ser modificado ao longo da vida, o que torna os resultados especialmente importantes para a saúde pública. Diferente de fatores genéticos, os hábitos de sono podem ser melhorados com mudanças na rotina, tratamento de distúrbios do sono e maior atenção à saúde mental. Para os pesquisadores, otimizar a qualidade e a duração do sono pode se tornar uma das estratégias mais importantes para promover envelhecimento saudável, prevenir doenças e aumentar a longevidade.



LEIA MAIS:


Sleep chart of biological aging clocks in middle and late life

The MULTI Consortium, Cliodhna Kate O’Toole, Zhiyuan Song, Filippos Anagnostakis, Zhijian Yang, Ye Ella Tian, Michael R. Duggan, Chunrui Zou, Yue Leng, Yi Cai, Wenjia Bai, Cynthia H. Y. Fu, Michael S. Rafii, Paul Aisen, Gao Wang, Philip L. De Jager, Jian Zeng, Hamilton Se-Hwee Oh, Xia Zhou, Keenan A. Walker, Daniel W. Belsky, Andrew Zalesky, Eleanor M. Simonsick, Susan M. Resnick, Luigi Ferrucci, Christos Davatzikos, and Junhao Wen. 

Nature

DOI:10.1038/s41586-026-10524-5


Abstract: 


Optimal sleep has a vital role in promoting healthy ageing and enhancing longevity. Here we propose Sleep Chart to assess the relationship between self-reported sleep duration and 23 biological ageing clocks derived from in vivo imaging1, plasma proteomics2 and metabolomics3. First, a systemic, U-shaped pattern emerges between sleep duration and biological age gaps across nine brain and body systems and three omics technologies. The sample-specific lowest biological age gaps are achieved between 6.4 and 7.8 h of sleep duration, varying by organ and sex in the UK Biobank (aged 37–84 years). Furthermore, short (<6 h) and long (>8 h) sleep duration, compared with a normal sleep duration (6–8 h), are associated with increased risk of systemic diseases beyond the brain and all-cause mortality, with evidence from genetic correlations and time-to-incident survival predictions, such as depression and diabetes. Finally, the pathways by which long and short sleep duration are associated with late-life depression differ: ageing clocks may partially mediate the pathway for long sleep duration, while short sleep duration shows a more direct link. Although Mendelian randomization does not provide strong evidence that disease causally affects sleep, it cannot completely exclude such reverse causality. Our findings suggest a cross-organ, multi-omics U-shaped relationship between sleep duration and biological ageing clocks, highlighting the potential of sleep optimization to promote healthy ageing, lower disease risk and extend longevity.


 
 
 

Comentários


© 2020-2026 by Lidiane Garcia

bottom of page