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🎗️Depressão Pode Deixar Marcas em Áreas do Cérebro Ligadas à Memória

4 de set.
4 min de leitura

Atualizado: 9 de set.

A depressão pode deixar marcas no cérebro antes mesmo de surgirem problemas de memória? Um estudo com mais de 2 mil adultos encontrou uma associação entre depressão e menor volume em regiões do hipocampo, uma área essencial para a memória. Os pesquisadores também investigaram sinais relacionados ao Alzheimer e descobriram que a associação permanecia mesmo quando esses fatores eram considerados.


A depressão não afeta apenas o humor. Pesquisas anteriores já mostraram que ela pode estar relacionada a alterações em algumas regiões do cérebro, especialmente aquelas envolvidas com memória e emoções. Ao mesmo tempo, pessoas com depressão parecem apresentar maior risco de desenvolver a doença de Alzheimer ao longo da vida. 


Mas será que essas duas condições podem estar relacionadas por alterações que acontecem no cérebro muito antes do aparecimento de problemas de memória? Foi justamente essa questão que os pesquisadores investigaram, concentrando-se no hipocampo, uma estrutura fundamental para a formação e organização das memórias.



Para investigar essa relação, os pesquisadores estudaram 2.009 pessoas entre 50 e 90 anos que não apresentavam problemas cognitivos. Isso é importante porque permitiu observar alterações cerebrais em pessoas que ainda mantinham suas capacidades de pensamento e memória preservadas. Entre os participantes, 630 tinham depressão e 1.379 não tinham. 


O grupo com depressão também foi separado de acordo com o uso ou não de medicamentos antidepressivos. Assim, os cientistas puderam comparar não apenas pessoas com e sem depressão, mas também observar se havia diferenças entre pessoas deprimidas que utilizavam antidepressivos e aquelas que não utilizavam.


O próximo passo foi examinar o cérebro com ressonância magnética de alta resolução. Em vez de analisar apenas o hipocampo como uma estrutura única, os pesquisadores conseguiram observar partes menores dentro dele. Entre essas regiões estavam o CA1, o subículo e um conjunto formado por CA2, CA3 e o giro denteado. 


Essa divisão é importante porque diferentes partes do hipocampo participam de processos relacionados à formação, armazenamento e recuperação de memórias. Os pesquisadores calcularam o volume dessas regiões para verificar se pessoas com depressão apresentavam diferenças em comparação com aquelas sem depressão.



Mas havia outra pergunta importante: essas diferenças poderiam simplesmente ser consequência de alterações relacionadas à doença de Alzheimer?


Para investigar isso, os pesquisadores também levaram em consideração duas proteínas associadas à doença, chamadas amiloide e tau, além de uma característica genética conhecida como APOE4, que está relacionada a maior risco de Alzheimer. Dessa forma, eles conseguiram verificar se a relação entre depressão e volume do hipocampo permanecia mesmo quando esses fatores de risco para Alzheimer eram considerados.


Os resultados mostraram uma diferença importante. As pessoas com depressão apresentavam menor volume de uma região do hipocampo formada pelo CA2, CA3 e giro denteado, em comparação com as pessoas que não tinham depressão.


Essa associação permaneceu mesmo depois que os pesquisadores consideraram a presença das proteínas amiloide e tau. Ou seja, dentro das condições analisadas no estudo, a diferença observada no hipocampo não parecia ser simplesmente explicada pela presença dessas alterações relacionadas ao Alzheimer.


Area do hipocampo circulada em vermelho


Entre as pessoas que tinham depressão, apareceu ainda outro resultado: aquelas que utilizavam antidepressivos apresentavam volumes menores em duas regiões do hipocampo, o CA1 e o conjunto formado pelo CA2, CA3 e giro denteado, quando comparadas às pessoas deprimidas que não utilizavam esses medicamentos. Isso, porém, não significa que os antidepressivos tenham causado a redução do volume cerebral. 


O estudo encontrou uma associação e, por seu desenho, não consegue determinar se a diferença está relacionada ao medicamento, à própria depressão, à gravidade ou duração da doença, ou a outros fatores. O principal achado é que a depressão estava relacionada a diferenças estruturais em regiões do hipocampo importantes para a memória, mesmo em pessoas que ainda não apresentavam alterações cognitivas.



LEIA MAIS: 


Depression and hippocampal subfield volume in older adults

Danielle Luu, Alicia M. Twisselmann, Victoria R. Tennant, Brandon J. Hall, Arjun Mahajan, Audrey Kim, Jamie Terner, Marylan L. Davison, Koral Wheeler, Christopher R. K. Ching, James Hall, Matthew T. Borzage, Leigh Johnson, Arthur W. Toga, Sid E. O’Bryant, Kristine Yaffe, and Meredith N. Braskie for the HABS-HD Study Team

Translational Psychiatry. 14 July 2026

DOI:10.1038/s41398-026-04223-y


Abstract: 


Depression is associated with a higher risk for developing Alzheimer’s Disease (AD) [1], but the mechanisms that underlie the complex relationship between depression and AD remain largely elusive. The hippocampus is a region of the brain that is commonly affected by both AD and depression and serves as a focal point for our study. We aim to understand the relationship of 1) depression and antidepressant medications to hippocampal subfield volume during normal aging, and 2) whether AD risk, as measured by amyloid and tau pathology and APOE4 status, impacts these relationships. We studied 2009 ethno-racially diverse cognitively unimpaired older adults aged 50 to 90 years who either had depression (n = 630) or were not depressed (n = 1379). Participants with depression were further stratified by antidepressant medication usage. High-resolution MRI scans were used to calculate hippocampal subfield volumes that included the CA1, the subiculum, and a composite region that included the CA2, CA3, and the dentate gyrus (CA23DG). Having depression was associated with a smaller CA23DG, independent of amyloid and tau pathology in the brain. Within the subgroup of participants with depression, those who used antidepressant medications had smaller CA1 and CA23DG volumes than those who did not use these medications.

 
 
 

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