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Creatina: Suplemento Famoso Nas Academias Pode Aumentar a Eficácia Da Imunoterapia Contra o Câncer

  • há 8 horas
  • 4 min de leitura

Conhecida por aumentar a força e melhorar o desempenho físico, a creatina acaba de revelar um benefício inesperado. Um novo estudo mostra que esse suplemento pode fornecer energia extra para células do sistema imunológico responsáveis por identificar e combater tumores, aumentando a eficiência da imunoterapia contra o câncer e abrindo uma nova possibilidade para tratamentos futuros.


A creatina é um dos suplementos alimentares mais populares do mundo. Ela é amplamente utilizada por atletas, praticantes de musculação e pessoas que desejam aumentar a força, melhorar o desempenho físico ou acelerar a recuperação após os exercícios.


Seu funcionamento é relativamente simples: ela ajuda as células musculares a armazenar e fornecer energia rapidamente quando o organismo precisa realizar esforços intensos. 


Durante muitos anos, acreditava-se que esse benefício estava praticamente restrito aos músculos. Agora, um novo estudo sugere que a creatina pode desempenhar outro papel importante, desta vez ajudando o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas.



Os pesquisadores concentraram sua atenção em um tipo muito especial de célula de defesa conhecido como célula dendrítica. Embora pouco conhecidas pelo público, essas células funcionam como verdadeiras "sentinelas" do organismo.


Elas circulam pelos tecidos procurando sinais de infecção, inflamação ou células anormais. Quando encontram uma célula tumoral, capturam pequenos fragmentos desse tumor e os apresentam para outras células do sistema imunológico, principalmente os linfócitos T, que são responsáveis por destruir as células doentes. 


Sem esse primeiro reconhecimento realizado pelas células dendríticas, boa parte da resposta imunológica simplesmente não acontece. É por isso que muitos dos tratamentos modernos contra o câncer, conhecidos como imunoterapias, dependem diretamente do bom funcionamento dessas células.



Para entender se a creatina poderia influenciar esse processo, os cientistas realizaram uma série de experimentos em laboratório e em animais. Primeiro, eles estudaram células dendríticas cultivadas em laboratório e observaram que, quando essas células eram ativadas para responder a um possível tumor, aumentavam naturalmente a produção de uma proteína responsável por transportar creatina para seu interior. 


Isso sugeria que, durante momentos de grande atividade, essas células passam a precisar de uma quantidade maior dessa molécula para funcionar adequadamente. Em seguida, os pesquisadores utilizaram camundongos geneticamente modificados que não conseguiam transportar creatina para dentro das células dendríticas. Esses animais apresentaram uma resposta imunológica muito mais fraca, com dificuldade para ativar outras células de defesa responsáveis por eliminar o câncer.


Na etapa seguinte, a equipe quis descobrir se fornecer creatina extra poderia produzir o efeito contrário. Os pesquisadores administraram suplementação de creatina a camundongos com melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele. 


O resultado foi bastante animador: as células dendríticas tornaram-se mais ativas, estimularam de forma mais eficiente os linfócitos responsáveis por destruir o tumor e contribuíram para reduzir o crescimento do câncer.


Os cientistas também repetiram parte dos experimentos utilizando células dendríticas produzidas a partir de células do sangue humano. Novamente, a creatina aumentou a capacidade dessas células de ativar a resposta imunológica, indicando que o fenômeno provavelmente não está restrito aos camundongos.

Mas por que isso acontece?



A resposta está relacionada à energia. Assim como os músculos precisam de energia para se contrair, as células do sistema imunológico também necessitam de grandes quantidades de energia para identificar ameaças, produzir substâncias inflamatórias e coordenar o ataque contra tumores. 


A creatina funciona como uma espécie de reserva energética de uso rápido. Ela ajuda a manter os níveis de uma molécula chamada adenosina trifosfato, conhecida pela sigla ATP, que funciona como a principal "moeda de energia" das células. 


Quando os pesquisadores analisaram o metabolismo das células dendríticas, observaram que aquelas abastecidas com creatina conseguiam manter níveis mais elevados de ATP, permanecendo ativas por mais tempo e produzindo sinais químicos capazes de recrutar e estimular outras células de defesa. Em outras palavras, a creatina parecia fornecer o combustível necessário para que essas células desempenhassem suas funções com maior eficiência.



Embora os resultados sejam bastante promissores, os próprios pesquisadores fazem um alerta importante. Este estudo foi realizado principalmente em modelos experimentais e em células humanas analisadas em laboratório. Isso significa que ainda não existem evidências suficientes para recomendar o uso de creatina como tratamento contra o câncer ou como complemento da imunoterapia em pacientes. 


Antes que isso aconteça, serão necessários estudos clínicos para confirmar se os mesmos benefícios também ocorrem em pessoas, quais doses seriam mais eficazes e se a suplementação é segura durante diferentes tipos de tratamento oncológico. Se esses resultados forem confirmados em humanos, a creatina poderá se tornar uma aliada simples, acessível e de baixo custo para potencializar algumas das terapias mais modernas utilizadas atualmente no tratamento do câncer.


Os cientistas Elliot Kang com Lili Yang no laboratório. Crédito: Elena Zhukova, Centro de Pesquisa de Células-Tronco Broad da UCLA.



LEIA MAIS:


Creatine uptake promotes dendritic cell activation and enhances antitumor immunity

Elliot Kang, James Elsten-Brown, Yu-Chen Wang, Ashley Lam, Elise Sanchez, Renee Wen, Tiffany Wang, Jennifer Chiang, Quentin Scarborough, Yan-Ruide Li, Yichen Zhu, Jie Huang, Matthew Williams, Sarah Eckl, and Bo Li and Lili Yang

iScience. Volume 29, Issue 4115436, April 17, 2026

DOI: 10.1016/j.isci.2026.115436


Abstract: 


Dendritic cells (DCs) are central regulators of antitumor T cell immunity and are highly sensitive to metabolic cues. However, the therapeutic potential of targeting DC metabolism remains underexplored. Here, we report upregulation of the creatine transporter (CrT; Slc6a8) in intratumoral DCs, which facilitates the cellular uptake of creatine, an energy-storage metabolite. DCs from CrT knockout mice exhibited impaired activation and reduced ability to elicit antigen-specific CD8 T cell responses. Conversely, creatine supplementation enhanced mouse DC activation in vitro and in vivo, and suppressed tumor growth in a syngeneic melanoma model. Notably, creatine uptake similarly boosted the activation and immunostimulatory function of human monocyte-derived DCs. Mechanistically, CrT promotes DC activation by preserving intracellular ATP levels and enhancing energy-dependent inflammatory signaling pathways. Together, these findings uncover a previously unrecognized role for creatine metabolism in regulating DC function and support the use of creatine supplementation as a strategy to augment DC-based cancer immunotherapy.

 
 
 

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