Testosterona Pode Proteger Contra Tumor Cerebral Agressivo, Revela Novo Estudo
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A testosterona sempre foi vista como possível aliada do câncer. Mas uma nova descoberta surpreendeu cientistas: no cérebro, ela pode ajudar a frear um dos tumores mais mortais que existem.
O glioblastoma é um dos tipos mais agressivos e letais de câncer cerebral. Mesmo com cirurgia, radioterapia e quimioterapia, a maioria dos pacientes enfrenta um prognóstico difícil.
Há muitos anos, cientistas observam que homens desenvolvem esse tumor com mais frequência e costumam apresentar piores desfechos do que mulheres. Por isso, pesquisadores passaram a investigar se hormônios sexuais, como a testosterona, poderiam influenciar o crescimento do câncer no cérebro.
Durante muito tempo, acreditou-se que os andrógenos, grupo de hormônios que inclui a testosterona, ajudavam o câncer a crescer. Estudos anteriores mostravam que esses hormônios poderiam estimular a multiplicação de células tumorais em laboratório.
Com base nisso, alguns cientistas chegaram a sugerir que bloquear a testosterona poderia ser uma estratégia de tratamento para tumores cerebrais. No entanto, uma nova pesquisa acaba de revelar que a situação pode ser muito mais complexa do que se imaginava.

Gliobastoma
Para investigar essa relação, os pesquisadores utilizaram modelos experimentais em camundongos com glioblastoma. Parte dos animais teve os níveis de andrógenos drasticamente reduzidos, enquanto outros mantiveram níveis hormonais normais.
Os cientistas então acompanharam cuidadosamente o crescimento dos tumores, analisaram o funcionamento do sistema imunológico e estudaram alterações inflamatórias no cérebro. Além disso, eles também examinaram dados clínicos de pacientes humanos com glioblastoma para verificar se os efeitos observados nos animais apareciam de forma semelhante nas pessoas.

Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Nos tumores cerebrais, a redução dos andrógenos acelerou o crescimento do câncer. Já em tumores localizados fora do cérebro, ocorreu o contrário: a diminuição hormonal retardou o avanço da doença.
Isso sugere que o cérebro possui um ambiente biológico muito particular, onde a testosterona pode desempenhar um papel protetor inesperado. Em pacientes homens com glioblastoma, os cientistas também observaram que o tratamento com testosterona esteve associado a menor risco de morte.
Para entender por que isso acontece, os pesquisadores investigaram o sistema imunológico. Eles descobriram que a perda de testosterona desencadeava uma resposta inflamatória intensa no cérebro.

Essa inflamação ativava regiões do organismo responsáveis pela liberação de hormônios ligados ao estresse, aumentando substâncias que enfraquecem as células de defesa do corpo. Como consequência, o ambiente ao redor do tumor se tornava mais favorável ao crescimento do câncer e menos eficiente no combate às células tumorais.
Os autores afirmam que o estudo desafia antigas ideias sobre o papel da testosterona no câncer cerebral. Em vez de simplesmente estimular o tumor, os andrógenos parecem ajudar a controlar processos inflamatórios e imunológicos específicos do cérebro. Embora ainda sejam necessários novos estudos antes de qualquer mudança no tratamento de pacientes, a descoberta abre caminho para abordagens mais personalizadas e mostra que hormônios sexuais podem ter efeitos muito diferentes dependendo do órgão afetado pelo câncer.
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Androgen loss accelerates brain tumour growth via HPA axis activation
Juyeun Lee, Yoon-Mi Chung, Daniel J. Silver, Yue Hao, Dylan Scott Lykke Harwood, Alyssa Ealy, Amanda M. Serapiglia, Lee Curtin, Julia R. Benedetti, Christine Ann Pittman Ballard, Kamya Lapsley, Andrea Alvarez-Vazquez, Jessica Goldberg, Cathy Li, Sehaj Kaur, Rian Neal, Sabrina Z. Wang, Kristen E. Kay, Josephine Volovetz, Ellen S. Hong, R’ay Fodor, Jakub Jarmula, Michael Nicosia, Joshua B. Rubin, Kristin R. Swanson, Quinn T. Ostrom, Nikhil Panicker, Bjarne Winther Kristensen, Michael Berens, Nima Sharifi, and Justin D. Lathia
Nature, 6 May 2026
DOI: 10.1038/s41586-026-10451-5
Abstract:
Many cancers, including glioblastoma (GBM), show a male-biased incidence and associated worse outcomes1. The mechanisms that underlie this sex difference remain unclear but may involve an immune response2 that is partly driven by sex hormones such as androgens. Such hormones are thought to suppress antitumour T cell immunity and to promote tumour progression3,4. However, here we report a previously unreported tumour-suppressive role for androgens in brain tumours. Using mouse models, we demonstrate that androgen loss via castration accelerates intracranial tumour growth, whereas the opposite effect (delayed tumour growth) is observed in extracranial tumours. Similar effects were observed in male patients with GBM, in whom testosterone treatment significantly reduced the risk of death. In male mice with GBM tumours, castration-induced systemic T cell dysfunction driven by increased levels of serum glucocorticoids, which act on myeloid cells to promote an immunosuppressive tumour microenvironment. Mechanistically, hyperactivation of the hypothalamus-pituitary-adrenal axis in castrated mice with GBM is driven by increased neuroinflammatory signalling through IL-1β and TNF. Spatial transcriptomic analysis further revealed that androgen loss enhances inflammasome activation in microglia, which promotes this neuroinflammatory state. Together, our findings demonstrate that brain tumours drive distinct neuroinflammatory and neuroendocrine pathways in the androgen-deprived setting and highlight organ-specific regulation of antitumour immunity.



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