Compostos Da Cannabis Podem Combater a Obesidade Sem Causar Efeitos Psicoativos
- há 7 dias
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E se compostos da cannabis pudessem ajudar a perder peso em vez de aumentar a fome? Cientistas descobriram substâncias capazes de reduzir gordura corporal e melhorar o metabolismo, abrindo caminho para novos tratamentos contra a obesidade.
Quando se fala em cannabis, muitas pessoas pensam imediatamente no famoso aumento do apetite, conhecido popularmente como "larica". Por isso, pode parecer contraditório imaginar que compostos derivados da planta possam ajudar no combate à obesidade.
No entanto, uma nova pesquisa trouxe resultados surpreendentes: determinados compostos presentes na cannabis foram associados à redução de peso corporal, diminuição da gordura corporal e melhora do metabolismo em animais obesos.
Os cientistas já observavam há anos um fenômeno curioso. Embora o uso agudo da cannabis aumente a fome, pessoas que utilizam a planta regularmente parecem apresentar taxas menores de obesidade e diabetes tipo 2 quando comparadas à população geral. Para entender esse aparente paradoxo, os pesquisadores decidiram investigar o que acontece no organismo após uma exposição prolongada aos compostos da cannabis.

No estudo, camundongos foram alimentados durante dois meses com uma dieta rica em gordura e açúcar, semelhante ao padrão alimentar associado ao desenvolvimento da obesidade em seres humanos. Após 30 dias, parte dos animais começou a receber diariamente tetraidrocanabinol, conhecido como THC, o principal composto psicoativo da cannabis.
Outro grupo recebeu extratos completos da planta contendo THC e diversos outros canabinoides naturais. Os cientistas acompanharam o peso dos animais, a quantidade de gordura corporal, os níveis de glicose no sangue, a sensibilidade à insulina e diversas alterações metabólicas relacionadas à obesidade.

Os resultados chamaram atenção. Tanto o THC isolado quanto os extratos completos reduziram o ganho de peso e a quantidade de gordura corporal nos animais obesos. Porém, os extratos da planta mostraram um benefício adicional importante: eles melhoraram significativamente o controle da glicose no sangue, restaurando níveis semelhantes aos observados em animais magros. Isso sugere que outros compostos presentes na cannabis podem atuar em conjunto, produzindo efeitos metabólicos mais amplos do que o THC sozinho.
Os pesquisadores também analisaram células de gordura em laboratório para entender melhor os mecanismos envolvidos. Eles observaram que os compostos da cannabis dificultavam a formação de novas células adiposas e alteravam a forma como essas células utilizavam energia.
Além disso, os tratamentos ajudaram a normalizar sinais químicos produzidos pelo tecido adiposo que influenciam diretamente o apetite, o armazenamento de gordura e a ação da insulina. Em outras palavras, a cannabis parece ter afetado sistemas biológicos centrais envolvidos no desenvolvimento da obesidade.

Apesar dos resultados promissores, os cientistas alertam que a pesquisa foi realizada apenas em camundongos e células de laboratório. Isso significa que ainda não é possível afirmar que os mesmos efeitos ocorrerão em seres humanos.
Mesmo assim, o estudo abre caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos inspirados em compostos da cannabis capazes de combater a obesidade e melhorar o metabolismo sem necessariamente produzir efeitos psicoativos. Se futuras pesquisas confirmarem esses achados, poderemos estar diante de uma abordagem completamente nova para tratar uma das maiores epidemias de saúde pública do mundo.
LEIA MAIS:
Δ9 Tetrahydrocannabinol and cannabis extracts differentially improve adipoinsular dysfunction in diet-induced obesity
Bryant Avalos, Martin Olmos, Courtney P. Wood, Camila Alvarez, Haley M. Read, Parima Udompholkul, Theodore Garland, and Nicholas V. DiPatrizio
The Journal of Physiology. 11 May 2026
DOI: 10.1113/JP290431
Abstract:
Diet-induced obesity (DIO) is associated with dysregulated adipoinsular axis and endocannabinoid system (eCBS) function. Acute cannabis consumption stimulates appetite; however, chronic consumption is paradoxically associated with lower prevalence of human obesity and type 2 diabetes. We investigated the impact of chronic exposure to Δ9 tetrahydrocannabinol (THC) and cannabis extracts on DIO and glucose homeostasis in mice. Male mice were fed a high-fat/sucrose diet or a low-fat/no-sucrose diet for 60 days. At day 30, mice were administered THC (5 mg/kg) or cannabis extracts matched for THC content daily for 30 days. We assessed adipocyte biology, glucose tolerance, insulin sensitivity, eCBS expression, body weight, food intake and motor activity. Roles for the eCBS in cannabis-induced changes in metabolic processes, including cellular bioenergetics, were analysed in 3T3-L1 adipocytes. THC and extracts reduced body weight and fat mass in DIO mice, and reversed DIO-associated changes in expression of adipokines that regulate the adipoinsular axis. Extracts normalized expression of adipokines more effectively than THC. Notably, extracts – but not THC – normalized glucose clearance in DIO mice to levels found in lean mice. In addition, THC and extracts promoted anti-adipogenic effects and changes in energy metabolism in 3T3-L1 cells in a concentration-dependent manner. These studies suggest that chronic cannabinoid exposure improves metabolic function and dysregulated glucose homeostasis in DIO by a mechanism that includes restoring impaired adipoinsular axis function.



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