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“Atalho” ou Dieta e Exercício Físico? O Preconceito Escondido e a Vergonha Associada Por Quem Perdeu Peso Com Ozempic

  • 21 de mai.
  • 4 min de leitura

Você acha que emagrecer com ajuda de medicamentos é “trapaça”? Um novo estudo mostra que essa crença pode estar carregada de julgamentos, e revela quem é mais criticado por isso.


A forma como a sociedade enxerga o emagrecimento está mudando rapidamente, especialmente com a popularização de medicamentos como o Ozempic. Embora esses tratamentos tragam benefícios reais para a saúde, eles também levantam questões sociais importantes, como o julgamento e o estigma associados à forma como alguém perde peso. Este estudo buscou entender melhor como esses julgamentos são formados, e quem é mais afetado por eles.


Os pesquisadores partiram da teoria da interseccionalidade, que sugere que diferentes aspectos da identidade de uma pessoa, como raça e condição corporal, podem se combinar e intensificar experiências de preconceito.


Com base nisso, a hipótese inicial era que mulheres negras com obesidade enfrentariam mais estigma ao utilizar medicamentos para emagrecimento do que mulheres brancas, justamente por acumularem múltiplas formas de discriminação.



Para investigar isso, foi realizado um experimento com mais de 400 mulheres que também apresentavam sobrepeso ou obesidade. Essas participantes foram divididas aleatoriamente em grupos e receberam descrições de uma personagem fictícia chamada Evette. Em alguns casos, Evette era apresentada como uma mulher negra; em outros, como uma mulher branca. 


Além disso, sua perda de peso, equivalente a 15% do peso corporal, era atribuída a dois métodos diferentes: dieta e exercício físico, ou o uso de medicamentos da classe dos agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon, como o Ozempic.



Após lerem essas descrições, as participantes responderam a uma série de perguntas que avaliavam suas percepções e julgamentos sobre Evette. Os pesquisadores mediram diferentes formas de estigma, como antipatia, tendência a culpar a personagem por sua condição, desconforto em interagir com ela e crenças relacionadas à ideia de que ela teria escolhido um “atalho” para emagrecer. Esse desenho experimental permitiu isolar o impacto do método de emagrecimento e da raça da personagem nas respostas das participantes.



Os resultados revelaram um padrão interessante, e inesperado. De forma geral, Evette foi julgada com mais severidade quando sua perda de peso estava associada ao uso de medicamentos, em comparação com dieta e exercício. Isso indica que, mesmo com avanços científicos, ainda existe uma percepção social de que emagrecer com ajuda farmacológica é “menos legítimo” do que por meios tradicionais.


Surpreendentemente, o estigma foi ainda maior quando Evette era descrita como uma mulher branca, contrariando a hipótese inicial dos pesquisadores. Esse efeito foi explicado, em grande parte, pela crença mais forte de que ela estaria usando um “atalho”.


Em outras palavras, a forma como o emagrecimento é interpretado parece depender não apenas do método utilizado, mas também de expectativas sociais implícitas sobre quem “deveria” ou não seguir determinados caminhos.



Outro ponto importante é que a raça das participantes não alterou significativamente esses julgamentos. Isso sugere que essas percepções estão amplamente disseminadas na sociedade, independentemente da identidade de quem avalia. No geral, o estudo mostra que o estigma em torno da obesidade não desaparece com a perda de peso, ele apenas assume novas formas. 


Essas descobertas reforçam a necessidade de repensar narrativas sociais sobre emagrecimento. Ao rotular certos métodos como “aceitáveis” e outros como “atalhos”, a sociedade pode estar contribuindo para o estigma e, consequentemente, prejudicando a saúde mental e o acesso a tratamentos eficazes. Questionar essas ideias é um passo essencial para promover uma abordagem mais justa e baseada em evidências.



LEIA MAIS:


Social perceptions of weight loss with glucagon-like peptide-1 (GLP-1) receptor agonists in Black and White women with obesity

Post SM, Stock ML, and Persky S

Stigma and Health. 2026


Abstract: 


Intersectionality theory suggests that because stigma arises from the interplay of multiple marginalized identities, Black women with obesity may face stronger negative attitudes than White women when using glucagon-like peptide-1 (GLP-1) receptor agonists, a newer class of obesity medications often perceived as an “easy way out.” This experimental study tested how exposure to different weight loss methods affected stigma toward a Black or White woman with obesity, as well as the influence of participant race on stigma. A sample of 402 Black and White women with overweight or obesity were randomly assigned to read about a Black or White woman named Evette who lost 15% of her total body weight with either diet/exercise or a GLP-1. Participants reported stigmatizing attitudes toward Evette (fat phobia, dislike, desire for social distance, and blame) and beliefs that she took a weight loss shortcut. Stigma was higher when Evette lost weight with a GLP-1 (vs. diet/exercise) and, contrary to hypotheses, when Evette was depicted as White (vs. Black). Moderated mediation analyses demonstrated that GLP-1-assisted weight loss (vs. diet/exercise) led to higher fat phobia, dislike, desire for social distance, and blame via stronger shortcut beliefs, and this effect was more pronounced when Evette was portrayed as White. Participant race did not influence how weight loss with a GLP-1 and Evette’s race, together, affected stigma through shortcut beliefs. Findings highlight the importance of challenging societal narratives about what constitutes “acceptable” weight loss strategies for women with obesity to reduce stigma and protect long-term health. (PsycInfo Database Record (c) 2026 APA, all rights reserved)

 
 
 

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