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Pequenos Coágulos Sanguíneos: Um Novo Mecanismo de Dano no Alzheimer

  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Este estudo mostra que, no Alzheimer, a ligação entre uma proteína do cérebro (beta-amiloide) e uma proteína do sangue (fibrinogênio) causa mais danos do que cada uma separadamente. Esse complexo prejudica as conexões entre neurônios, aumenta a inflamação e enfraquece a proteção dos vasos cerebrais. Bloquear essa interação pode ser uma estratégia promissora para prevenir danos cerebrais precoces na doença.


A doença de Alzheimer é uma condição neurológica progressiva que afeta principalmente a memória e outras funções cognitivas. Ela se desenvolve a partir de vários processos que acontecem ao mesmo tempo no cérebro, como o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide, alterações anormais em outra proteína chamada tau, inflamação persistente do tecido cerebral, falhas na proteção dos vasos sanguíneos do cérebro e prejuízos na comunicação entre os neurônios. Com o tempo, esses fatores levam à morte de neurônios e à perda de capacidades mentais.


Um elemento menos conhecido, mas cada vez mais importante, é o papel dos vasos sanguíneos no Alzheimer. O cérebro é protegido por uma estrutura chamada barreira hematoencefálica, que funciona como um filtro e impede que substâncias nocivas do sangue entrem no tecido cerebral. 


Quando essa barreira é danificada, proteínas do sangue conseguem atravessá-la. Uma dessas proteínas é o fibrinogênio, essencial para a coagulação do sangue, mas potencialmente prejudicial quando entra no cérebro.



Estudos anteriores já mostraram que o fibrinogênio pode se ligar à beta-amiloide, formando um complexo estável. No entanto, ainda não estava claro como essa ligação poderia afetar diretamente as sinapses, que são as conexões responsáveis pela comunicação entre os neurônios. Entender esse processo é fundamental, pois a perda de sinapses ocorre antes mesmo da morte neuronal e está fortemente associada à perda de memória.


Para investigar essa questão, os pesquisadores utilizaram culturas organotípicas do hipocampo, que são fatias finas de tecido cerebral mantidas vivas em laboratório. O hipocampo é uma região essencial para a memória. 


Essas culturas foram expostas separadamente à beta-amiloide, ao fibrinogênio e ao complexo formado pelas duas proteínas juntas. Para avaliar os danos às sinapses, foi utilizada a técnica de Western blot, que permite identificar e quantificar proteínas específicas associadas às conexões neuronais.



Além disso, os pesquisadores realizaram experimentos em camundongos vivos. As proteínas, isoladas ou em forma de complexo, foram injetadas diretamente nos ventrículos cerebrais, regiões por onde circula o líquido cefalorraquidiano. 


Após esse procedimento, os cérebros dos animais foram analisados usando duas técnicas principais: o Western blot, para medir alterações em proteínas relacionadas à doença, e a imunofluorescência, que utiliza anticorpos marcados com substâncias fluorescentes para visualizar inflamação, danos vasculares e perda sináptica ao microscópio.


Os resultados mostraram que pequenas quantidades de beta-amiloide ou fibrinogênio isoladamente não causaram danos significativos. No entanto, quando as duas proteínas estavam ligadas formando um complexo, ocorreu uma perda acentuada de sinapses, aumento da inflamação cerebral, alterações na proteína tau e ruptura da barreira hematoencefálica.


Esses efeitos aconteceram mesmo sem a ativação de um receptor inflamatório específico da microglia, indicando que o dano ocorre por uma via independente desse mecanismo.



Um achado importante foi que, ao bloquear a formação do complexo entre beta-amiloide e fibrinogênio, os danos às sinapses foram prevenidos. Isso sugere que não é apenas a presença dessas proteínas, mas sim a interação entre elas, que desencadeia efeitos particularmente prejudiciais ao cérebro.


Em conjunto, esses resultados indicam que o complexo formado por beta-amiloide e fibrinogênio tem um efeito combinado mais nocivo do que cada proteína isoladamente. Esse mecanismo pode ajudar a explicar como problemas vasculares, inflamação e alterações proteicas se reforçam mutuamente no início da doença de Alzheimer, contribuindo para o declínio cognitivo.



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Synergistic effects of the Aβ/fibrinogen complex on synaptotoxicity, neuroinflammation, and blood-brain barrier damage in Alzheimer’s disease models

Elisa Nicoloso Simões-Pires, Daniel Torrente, Pradeep Singh, Sidney Strickland, and Erin H. Norris

Alzheimer’s & Dementia. Volume21, Issue5 May 2025, e70119

DOI: 10.1002/alz.70119


Abstract:


Alzheimer's disease (AD) is characterized by amyloid-beta (Aβ), hyperphosphorylated tau, chronic neuroinflammation, blood-brain barrier (BBB) damage, and synaptic dysfunction, leading to neuronal loss and cognitive deficits. Vascular proteins, including fibrinogen, extravasate into the brain, further contributing to damage and inflammation. Fibrinogen's interaction with Aβ is well-established, but how this interaction contributes to synaptic dysfunction in AD is unknown. Organotypic hippocampal cultures (OHC) were exposed to Aβ42 oligomers, fibrinogen, or Aβ42/fibrinogen complexes. Synaptotoxicity was analyzed by Western blot. Aβ42 oligomers, fibrinogen, or their complexes were intracerebroventricularly injected into mice. Histopathological AD markers, synaptotoxicity, neuroinflammation, and vascular markers were observed by Western blot and immunofluorescence. Aβ42/fibrinogen complexes led to synaptic loss, tau181 phosphorylation, neuroinflammation, and BBB disruption, independent of Mac1/CD11b receptor signaling. Blocking Aβ42/fibrinogen complex formation prevented synaptotoxicity. These findings indicate that the Aβ42/fibrinogen complex has a synergistic impact on hippocampal synaptotoxicity and neuroinflammation.

 
 
 

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