top of page

Suplemento Popular Antioxidante Considerado "Milagroso" é Associado a Defeitos Congênitos

  • 12 de jun.
  • 4 min de leitura

Um estudo recente investigou se o uso de suplementos antioxidantes por homens saudáveis antes da concepção poderia afetar o desenvolvimento de seus filhos. Antioxidantes ajudam a combater o estresse oxidativo, um processo que pode danificar células. No entanto, quando camundongos machos receberam suplementos antioxidantes antes da reprodução, seus filhotes apresentaram mudanças no formato do rosto, mesmo sem sinais de problemas de saúde nos pais.


Muitas pessoas usam suplementos antioxidantes acreditando que eles são sempre benéficos para a saúde. Esses produtos, presentes em vitaminas e suplementos alimentares, são conhecidos por ajudar o corpo a combater moléculas instáveis chamadas radicais livres, que podem danificar células. No entanto, novas pesquisas sugerem que o uso indiscriminado desses suplementos pode ter efeitos inesperados, especialmente quando consumidos por homens antes de terem filhos.


No corpo humano, existe um equilíbrio delicado entre moléculas que causam danos celulares e os mecanismos de defesa que as neutralizam. Quando esse equilíbrio é quebrado e há excesso dessas moléculas reativas, ocorre o chamado estresse oxidativo. 


Esse processo pode afetar o funcionamento das células e alterar a forma como certos genes são ativados ou desativados. Essas mudanças não alteram diretamente o DNA, mas influenciam como ele funciona. Esse tipo de regulação é chamado de epigenética, um conjunto de mecanismos que controlam a atividade dos genes sem modificar a sequência genética.



Estudos anteriores já mostraram que fatores ambientais, como dieta, exposição a toxinas ou consumo de álcool, podem provocar alterações epigenéticas nas células reprodutivas, como os espermatozoides, e que essas alterações podem afetar o desenvolvimento dos filhos.


Pesquisas em animais, por exemplo, indicam que o consumo crônico de álcool pelo pai pode causar mudanças no desenvolvimento fetal, incluindo alterações na placenta e no formato do rosto dos filhotes. Essas mudanças também estão associadas a problemas no funcionamento das mitocôndrias, estruturas presentes dentro das células responsáveis por produzir energia.


Com base nessas descobertas, alguns cientistas sugeriram que suplementos antioxidantes poderiam ajudar a reduzir esses efeitos negativos. Antioxidantes são substâncias capazes de neutralizar moléculas reativas e proteger as células contra danos. Entre os antioxidantes mais estudados estão a N-acetilcisteína, um composto que ajuda o corpo a produzir glutationa, uma importante molécula de defesa celular, e o selênio, um mineral essencial que participa de enzimas que protegem as células contra danos oxidativos.


Dr. Michael Golding, da Universidade Texas A&M, responsável pela pesquisa. Crédito: Jason Nitsch, Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas da Universidade Texas A&M.


No entanto, estudos recentes começaram a mostrar que esses suplementos podem não ser totalmente inofensivos. Em alguns experimentos, pesquisadores observaram que antioxidantes podem alterar a forma como certos genes são regulados nas células reprodutivas masculinas, mesmo quando não existe estresse oxidativo no organismo. Isso levanta a possibilidade de que o uso excessivo desses suplementos possa interferir na programação normal do desenvolvimento dos futuros filhos.


Para investigar essa hipótese, cientistas realizaram um estudo com camundongos. Machos adultos saudáveis receberam suplementos antioxidantes por seis semanas antes da reprodução. Depois disso, foram acasalados com fêmeas que não receberam nenhum tratamento.


Os pesquisadores então analisaram o desenvolvimento dos filhotes usando técnicas avançadas de imagem, incluindo microtomografia computadorizada, uma forma de escaneamento que cria imagens tridimensionais detalhadas do corpo, semelhante a uma tomografia médica em miniatura.



Os resultados mostraram algo inesperado. Embora os pais tratados com antioxidantes não apresentassem sinais aparentes de problemas de saúde, seus filhotes apresentaram mudanças no formato do rosto.


Essas alterações foram observadas tanto em machos quanto em fêmeas, mas foram mais marcantes nas fêmeas, que apresentaram menor distância entre os olhos e uma área da cabeça reduzida. Curiosamente, essas mudanças ocorreram sem alterações no peso da placenta ou na saúde metabólica dos pais.


Essas descobertas sugerem que o equilíbrio químico do organismo do pai antes da concepção pode influenciar a forma como o embrião se desenvolve. Isso não significa que antioxidantes sejam sempre prejudiciais, mas indica que seu uso indiscriminado pode interferir em processos biológicos delicados. Por isso, os pesquisadores alertam que suplementos antioxidantes, muitas vezes considerados completamente seguros, podem ter efeitos complexos quando usados sem necessidade médica.


A imagem mostra como os cientistas comparam o formato da face dos filhotes usando pontos de referência no rosto. Ao conectar esses pontos em um modelo geométrico, é possível medir pequenas diferenças de forma que não são visíveis facilmente a olho nu.


Nesse estudo, os pesquisadores observaram que filhotes de pais que receberam antioxidantes apresentaram mudanças no formato facial em comparação com os filhotes do grupo controle. Essas diferenças ajudam a revelar como fatores presentes antes da concepção podem influenciar o desenvolvimento dos descendentes.



LEIA MAIS:


Therapy to teratology: chronic paternal antioxidant supplementation alters offspring placental architecture and craniofacial morphogenesis in a mouse model

Destani D. Derrico, Katherine Z. Scaturro, Erin E. Murray, Eliezar Guillen, Nathan S. Truss, Katherine A. Fairly, Samantha L. Higgins, Sanat S. Bhadsavle, and Michael C. Golding

Frontiers in Cell and Developmental Biology. Volume 13 - 2025 

DOI: 10.3389/fcell.2025.1697843


Abstract:


Oxidative stress is an important regulator of the mammalian epigenome, with redox imbalances triggering stress-responsive epigenetic modifications linked to various diseases. Accordingly, antioxidant therapies are commonly used to reduce oxidative damage and are widely employed in cases of male infertility. Interestingly, in ostensibly healthy males, recent research suggests that antioxidants may have a negative influence on sperm DNA methylation, indicating a potential epigenetic liability. However, whether male antioxidant treatment can induce paternal effects on offspring growth and development remains untested. Here, we employed micro-CT imaging and geometric morphometrics to determine whether chronic antioxidant supplementation in healthy male mice affects placental growth and craniofacial development in their offspring. Adult C57BL/6J male mice were given a six-week preconception regimen of N-acetyl-L-cysteine and selenium, then paired with treatment-naïve females. Although we observed sex-specific changes in the decidua and junctional zone, we did not detect changes in placental weight and efficiency. In contrast, we observed significant changes in facial shape in both male and female offspring, with female offspring exhibiting significant reductions in eye spacing and head area. These changes occurred without any macro changes in paternal metabolic health, indicating that alterations in developmental programming may occur independent of changes in overall health. Our findings highlight the need for caution in the indiscriminate use of antioxidants, showing that supplementation in healthy males is not harmless and that perturbing the paternal redox balance may alter developmental programming and induce teratogenic outcomes.

 
 
 

Comentários


© 2020-2026 by Lidiane Garcia

bottom of page