Reprogramação Cerebral: Cientistas Conseguem Estimular a Memória Sem Tocar No Cérebro Profundo
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Este estudo mostrou que é possível estimular uma região profunda do cérebro, responsável pela memória, usando pulsos magnéticos aplicados na superfície da cabeça. Ao escolher pontos específicos do cérebro que estão conectados com essa região, os pesquisadores conseguiram ativá-la indiretamente. Os resultados indicam que quanto mais forte essa conexão em cada pessoa, melhor o efeito da estimulação. Essa descoberta abre caminho para tratamentos não invasivos e personalizados para problemas de memória e saúde mental.
A memória é uma das funções mais importantes do cérebro humano, e uma das principais estruturas responsáveis por ela é o hipocampo, uma região localizada profundamente no cérebro. Além de ajudar a formar e recuperar lembranças, o hipocampo também participa de processos como aprendizado e orientação no espaço. Por isso, cientistas têm buscado formas de estimular essa região para melhorar a memória e tratar doenças como Alzheimer e depressão.
Uma dessas abordagens é a estimulação magnética transcraniana, uma técnica não invasiva que usa pulsos magnéticos aplicados na superfície da cabeça para influenciar a atividade cerebral.
No entanto, existe um desafio importante: o hipocampo fica em uma área profunda do cérebro, o que torna difícil alcançá-lo diretamente com essa técnica. A solução explorada neste estudo foi estimular uma região mais superficial do cérebro, o córtex parietal, que possui conexões naturais com o hipocampo.
A ideia é semelhante a acionar um interruptor distante que, por estar conectado por fios internos, consegue ativar outro ponto mais profundo. Assim, os pesquisadores investigaram se seria possível influenciar o hipocampo indiretamente, estimulando regiões do cérebro que “conversam” com ele.

Para testar isso de forma precisa, os cientistas utilizaram uma abordagem personalizada. Primeiro, mapearam o cérebro de cada participante para identificar quais áreas do córtex parietal tinham maior conexão funcional com o hipocampo. Essa conexão funcional significa que essas regiões costumam trabalhar juntas, ativando-se de forma coordenada.
Esse mapeamento foi feito com exames de imagem cerebral, permitindo escolher pontos específicos para estimular em cada pessoa, em vez de usar um local padrão igual para todos.
A parte mais inovadora do estudo foi a combinação de diferentes técnicas para observar o que acontecia dentro do cérebro. Em oito pacientes que já estavam passando por cirurgias neurológicas e possuíam eletrodos implantados no cérebro, os pesquisadores aplicaram a estimulação magnética externamente e, ao mesmo tempo, registraram diretamente a atividade do hipocampo por dentro.
Isso é algo raro, pois normalmente não é possível medir a atividade de regiões profundas com tanta precisão em humanos. Essa abordagem permitiu verificar em tempo real se o estímulo realmente chegava ao hipocampo.

Além disso, os cientistas também estudaram um grupo maior de setenta e nove pessoas saudáveis utilizando exames de imagem que medem a atividade cerebral. Nesses participantes, eles observaram como o cérebro respondia à estimulação ao longo do tempo. Isso ajudou a confirmar se os efeitos vistos nos pacientes com eletrodos também aconteciam em pessoas sem condições neurológicas, aumentando a confiança nos resultados.
Os resultados mostraram que a estimulação funcionava como um “controle remoto”: ao estimular o córtex parietal correto, o hipocampo era ativado com padrões específicos de atividade. No entanto, esse efeito variava de pessoa para pessoa. Quanto mais forte era a conexão entre as duas regiões no cérebro de um indivíduo, maior era a resposta do hipocampo. Isso reforça a importância da personalização, já que usar um ponto genérico de estimulação não produzia o mesmo efeito.

Outro achado importante foi que, quando a estimulação era aplicada de forma repetida, ela conseguia modificar certos ritmos naturais do hipocampo, especialmente aqueles ligados à memória. Esses ritmos são como “ondas” de atividade cerebral que ajudam na organização das informações. Alterá-los pode influenciar diretamente a capacidade de aprender e lembrar.
Em conjunto, esse estudo demonstra que é possível influenciar regiões profundas do cérebro de forma indireta, segura e personalizada, sem necessidade de cirurgia. Isso abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças que afetam a memória e o funcionamento emocional.
No futuro, técnicas como essa podem ser usadas para “reajustar” circuitos cerebrais alterados, oferecendo uma alternativa promissora para melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas.
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Multimodal evidence for hippocampal engagement and modulation by functional connectivity-guided parietal TMS
Zhuoran Li, Nicholas T. Trapp, Joel Bruss, Xianqing Liu, Kang Wu, Ziyan Chen, Amit Etkin, Matthew A. Howard, Aaron D. Boes, and Jing Jiang
Nature Communications
DOI:10.1038/s41467-026-70346-x
Abstract:
Hippocampal activity supports memory and many other brain functions. Transcranial magnetic stimulation (TMS) guided by hippocampal functional connectivity (FC) shows promise in improving memory, but direct neural evidence of its capacity to engage and modulate hippocampal activity is lacking. Here we combined TMS with intracranial electroencephalography (iEEG) in 8 neurosurgical patients and with functional magnetic resonance imaging (fMRI) in 79 neurologically healthy participants. We identified that (1) single-pulse TMS to individualized parietal cortex guided by hippocampal-FC preferentially evoked distinct temporal and spectral activity patterns in the hippocampus, (2) variability in TMS-evoked hippocampal responses related to individual differences in parietal-hippocampus FC strength, and (3) repetitive TMS to hippocampal-FC-guided parietal cortex selectively suppressed hippocampal theta oscillations. These findings provide multimodal causal neural evidence and important mechanistic insights supporting the development of personalized neuromodulation strategies aimed at improving hippocampus-dependent functions.



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