top of page

🎗️ Antes Da Perda De Memória: O Sinal De Alzheimer Que Aparece No Sangue

há 2 horas
5 min de leitura

Um simples exame de sangue pode revelar sinais de risco para Alzheimer antes que a memória comece a falhar. Em quase 2.700 idosos inicialmente saudáveis, níveis elevados de uma proteína ligada à doença foram associados a uma maior probabilidade de desenvolver comprometimento cognitivo anos depois. A descoberta pode abrir caminho para uma nova geração de exames capazes de identificar alterações muito antes dos primeiros sintomas.


A doença de Alzheimer pode começar a provocar alterações no cérebro muitos anos antes de a memória ou outras capacidades cognitivas apresentarem sinais claros de comprometimento. Agora, um grande estudo sugere que uma simples análise de sangue pode ajudar a identificar pessoas que apresentam maior risco de desenvolver problemas cognitivos no futuro. 


O marcador analisado é uma forma específica da proteína tau, chamada tau 217 fosforilada, encontrada no sangue. Essa proteína está relacionada às alterações cerebrais características da doença de Alzheimer e pode aumentar antes que os sintomas sejam percebidos.


Para investigar essa possibilidade, os pesquisadores reuniram informações de 2.684 pessoas idosas que não apresentavam comprometimento cognitivo no início do estudo. Os participantes vieram de seis estudos diferentes realizados na América do Norte, no Japão e na Austrália. Alguns começaram a ser acompanhados em 2004, e o acompanhamento mais recente ocorreu em 2025. 



Os pesquisadores mediram a quantidade de tau 217 fosforilada no sangue no início e depois acompanharam os participantes durante anos, observando quem desenvolveu comprometimento cognitivo. No total, ocorreram 478 casos de progressão durante um acompanhamento médio de 5,4 anos, com algumas pessoas acompanhadas por até 13,5 anos.


A diferença entre os participantes apareceu principalmente na quantidade de tau 217 fosforilada presente no sangue. Quanto maior era o nível dessa proteína no início do estudo, maior era o risco de a pessoa desenvolver comprometimento cognitivo posteriormente. Para cada aumento de uma unidade de desvio padrão nos níveis da proteína, o risco de progressão aumentou cerca de 38%. Essa relação continuou significativa mesmo quando os pesquisadores levaram em consideração outros indicadores da doença de Alzheimer obtidos por exames de imagem.



Os pesquisadores também dividiram os participantes de acordo com os níveis da proteína. Entre aqueles com níveis elevados, o risco estimado de desenvolver comprometimento cognitivo em cinco anos foi de aproximadamente 24%. Entre aqueles com níveis muito elevados, acima de 2,5 desvios padrão, o risco chegou a 38% em cinco anos. 


O risco estimado aumentava ainda mais quando considerado um período de dez anos, embora os próprios pesquisadores ressaltem que essas estimativas de longo prazo são menos precisas porque havia menos participantes disponíveis para acompanhamento durante tantos anos.


O exame também pareceu estar relacionado à velocidade do declínio cognitivo. Pessoas com níveis muito altos de tau 217 fosforilada apresentaram uma redução mais rápida nas medidas de memória e outras habilidades cognitivas durante o acompanhamento. Isso é importante porque sugere que o marcador não está associado apenas à possibilidade de desenvolver alterações cognitivas, mas também pode ajudar a identificar pessoas que apresentam maior probabilidade de apresentar uma evolução mais rápida.



Apesar dos resultados promissores, existe uma diferença importante entre indicar risco e prever o futuro de uma pessoa com certeza. Os participantes pertenciam a grupos selecionados de estudos de envelhecimento e pesquisa sobre Alzheimer, portanto os resultados ainda precisam ser confirmados em populações mais diversas e representativas da população geral. 


Assim, o exame de tau 217 fosforilada ainda não deve ser interpretado como uma sentença ou como uma confirmação de que alguém desenvolverá Alzheimer. O que o estudo mostra é que um marcador detectável no sangue pode fornecer informações importantes sobre o risco futuro de declínio cognitivo, abrindo caminho para estratégias de acompanhamento e, no futuro, para intervenções mais precoces.



LEIA MAIS: 


Prognostic Value of Blood-Based P-Tau217 Levels for Progression to Cognitive Impairment

Rachel F. Buckley, Diana L. Townsend, Colin J. Birkenbihl, Madison Cuppels, Gillian T. Coughlan, Mabel T. Seto, Jane A. Brown, Michael J. Properzi, Merle C. Hoenig, Annie Li, Aaron P. Schultz, Jasmeer Chhatwal, Hyun-Sik Yang, Steven Arnold, Pia Kivisäkk, Bryan D. James, Sid O’Bryant, Robert A. Rissman, Melissa Petersen, Jessica Z. K. Caldwell, Tobey Betthauser, Julie Elisabeth Oomens, Maria Carrigan, Brian Healy, Jorge Garcia Condado, Sterling C. Johnson, Wai-Ying Wendy Yau, Oliver Langford, Michelle Farrell, Rebecca E. Amariglio, Dorene M. Rentz, Kathryn V. Papp, Ron Brookmeyer, Timothy J. Hohman, Michael Donohue, Paul S. Aisen, Keith A. Johnson and Reisa A. Sperling

JAMA. July 14, 2026

DOI: 10.1001/jama.2026.12556


Abstract: 


Blood-based biomarkers for Alzheimer disease, particularly plasma phosphorylated tau 217 (p-tau217), accurately reflect early Alzheimer disease brain pathology in cognitively unimpaired individuals, but estimates of absolute risk of progression to cognitive impairment across multiple cohorts are needed. To estimate absolute risk of progression to cognitive impairment and rates of cognitive decline based on plasma p-tau217 across cognitively unimpaired older adults. Longitudinal cohort study using harmonized data from 2684 cognitively unimpaired older adults (defined within cohort) across 6 observational and clinical trial cohorts based in North America, Japan, and Australia. The earliest enrollment was in 2004, with most recent follow-up in 2025. Baseline plasma p-tau217. The primary outcome was time to progression to cognitive impairment (mild cognitive impairment, dementia, or 2 consecutive global Clinical Dementia Rating scores ≥0.5). The secondary outcome was longitudinal change on the latent Preclinical Alzheimer Cognitive Composite (PACC; higher values indicate better performance). Among the 2684 participants (median [IQR] age, 69.6 [66.2-74.2] years; 1697 [63%] female), there were 478 events of progression to cognitive impairment over a median follow-up of 5.4 years (maximum follow-up of 13.5 years). Each 1-SD increase in baseline p-tau217 level was associated with an increased risk of progression to cognitive impairment (hazard ratio, 1.38 [95% CI, 1.30-1.46]), and the association remained significant after adjustment, including β-amyloid positron emission tomography scan Centiloids (hazard ratio, 1.32 [95% CI, 1.24-1.41]). Participants with high (1.1-2.4 SD) and very high (>2.5 SD) baseline p-tau217 had 24% (95% CI, 20%-28%) and 38% (95% CI, 33%-43%) absolute risk of progression over 5 years, respectively, and risk was markedly higher over 10 years, although longer-term estimates were constrained by limited data. Elevated p-tau217 was also associated with faster cognitive decline based on change in latent PACC score. Among the overall sample, baseline latent PACC scores ranged from −0.8 to 2.7. The 5-year annualized decline for the very high p-tau217 group was −0.07 latent PACC units/y (95% CI, −0.10 to −0.05), relative to 0.03 units/y (95% CI, 0.02-0.04) in the low p-tau217 group. In a pooled sample of multiple selected cohorts of cognitively unimpaired older adults, higher plasma p-tau217 levels were consistently associated with increased risk of clinical progression and accelerated cognitive decline. By providing time-specific absolute risk estimates, these findings support the potential of p-tau217 for prognostic model development, with direct implications for future trial design. Further validation in unselected populations is needed to inform individual prognosis and clinical decision-making in cognitively unimpaired individuals.

 
 
 

Comentários


© 2020-2026 by Lidiane Garcia

bottom of page