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Sono Interrompido, Risco Aumentado: A Apneia do Sono Não Tratada Duplica o Risco de Parkinson

  • Foto do escritor: Lidi Garcia
    Lidi Garcia
  • 16 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Pessoas com apneia obstrutiva do sono têm maior chance de desenvolver doença de Parkinson ao longo da vida. Esse risco continua mesmo quando outros fatores são considerados, mas pode ser reduzido quando o tratamento com CPAP é usado cedo e corretamente. Isso indica que a apneia pode ser um fator de risco modificável para proteger o cérebro contra doenças neurodegenerativas.


A apneia obstrutiva do sono é uma condição em que a respiração é repetidamente interrompida durante o sono devido ao fechamento parcial ou total das vias respiratórias. Isso provoca microdespertares e queda nos níveis de oxigênio no sangue. Com o tempo, essa alteração repetitiva gera estresse no cérebro e no corpo, afetando funções cognitivas, cardiovasculares e metabólicas. 


Nos últimos anos, pesquisas começaram a investigar se essa condição poderia estar relacionada ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson, que afeta estruturas profundas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos, emoções e ciclos do sono.



Esse estudo analisou registros médicos de mais de onze milhões de veteranos dos Estados Unidos ao longo de mais de vinte anos. Esses registros permitiram aos pesquisadores acompanhar tanto indivíduos com apneia obstrutiva do sono quanto aqueles sem o diagnóstico, observando ao longo do tempo quem desenvolvia doença de Parkinson.  


Esse tipo de pesquisa, chamada estudo de coorte, é valiosa porque permite observar padrões reais em uma população grande e diversa. A média de idade dos participantes era de cerca de 60, período em que alterações neuronais relacionadas ao envelhecimento começam a ser mais evidentes.


Os resultados mostraram que pessoas com apneia obstrutiva do sono apresentaram um risco maior de desenvolver doença de Parkinson ao longo do acompanhamento. Mesmo quando o estudo levou em conta fatores adicionais que poderiam influenciar o risco, como idade, peso, condições psiquiátricas, doenças cardiovasculares e uso de medicamentos, a associação permaneceu significativa. 


Isso sugere que a apneia do sono, por si só, pode contribuir biologicamente para processos que afetam o cérebro. Um dado importante encontrado foi que mulheres veteranas mostraram uma associação ainda mais forte entre apneia do sono e Parkinson, indicando que fatores hormonais ou diferenças na fisiologia cerebral entre homens e mulheres podem influenciar essa relação.


Outro aspecto fundamental da pesquisa foi a avaliação do impacto do tratamento com CPAP, um dispositivo que mantém as vias aéreas abertas durante o sono por meio de pressão positiva contínua. 



Os participantes que usaram o CPAP de forma precoce e consistente apresentaram um risco significativamente menor de desenvolver Parkinson. Isso sugere que a redução do estresse oxidativo, da inflamação e da interrupção do sono causada pela apneia pode proteger estruturas do cérebro ligadas ao movimento, como a substância negra, que produz dopamina. É justamente a perda progressiva dessas células dopaminérgicas que caracteriza a doença de Parkinson.


A conclusão geral do estudo indica que a apneia obstrutiva do sono não apenas deve ser vista como uma condição incômoda ligada ao ronco e à fadiga, mas como um possível fator determinante para riscos neurológicos sérios ao longo da vida. 


Além disso, por ser uma condição tratável, a apneia pode representar uma oportunidade importante de prevenção de doenças neurodegenerativas. Assim, diagnosticar e tratar precocemente esse distúrbio pode gerar efeitos positivos a longo prazo para a saúde cerebral, especialmente em adultos de meia-idade.



LEIA MAIS:


Obstructive Sleep Apnea, Positive Airway Pressure, and Implications of Early Treatment in Parkinson Disease

Lee E. Neilson, Isabella Montaño,  Jasmine L. May, Savanah Sicard, Yeilim Cho, Jeffrey J. Iliff, Jonathan E. Elliott, Miranda M. Lim, and Gregory D. Scott

JAMA Neurol, November 24, 2025

doi: 10.1001/jamaneurol.2025.4691


Abstract:


Obstructive sleep apnea (OSA) is associated with many health conditions, including dementia and early mortality. Prior epidemiological studies linking OSA with Parkinson disease (PD) are conflicting, and no studies have examined the influence of continuous positive airway pressure (CPAP), the criterion standard treatment for OSA, on PD risk. To examine the association between OSA with incident Parkinson disease among US veterans and risk modification by CPAP. This electronic health record (EHR)–based cohort study was conducted among US veterans from January 1, 1999, to December 30, 2022, with mean (SD) follow-up of 4.9 (1.8) years. Veterans with PD at the time of exposure or incomplete records were excluded. Data analysis was completed from September 2024 to September 2025. OSA was defined by its appropriate administrative code; CPAP usage was extracted from a semistructured medical interview field in the EHR. The primary outcome, cumulative incidence of PD, was calculated adjusting for competing risk of death after balancing for age, race, sex, and smoking status. A total of 13 737 081 US veterans were screened, and 11 310 411 veterans (1 109 543 female veterans [9.8%]) with mean (SD) age of 60.5 (14.7) years were included in analyses. Of included veterans, 1 552 505 (13.7%) had OSA. Veterans with OSA demonstrated 1.61 additional cases of PD (point estimate; 95% CI, 1.13-2.09) at 6 years from diagnosis per 1000 people compared to those without OSA. Results were confirmed when adjusting for body mass index, vascular comorbidities, psychiatric conditions, and relevant medications and were of greater magnitude in female veterans. Case numbers were significantly reduced when treated with CPAP early in the disease course. In this EHR-based cohort study, OSA appeared to be an independent risk factor for the later development of PD and could be modified by early treatment with CPAP. Effective screening measures and protocols for consistent adherence to CPAP may have large impacts on brain health.

 
 
 

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