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🎗️Mais Tempo de Amamentação, Menos Sintomas de TDAH na Infância

1 de set.
4 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Quanto mais tempo de amamentação, menos sintomas de TDAH? Em um estudo com mais de 37 mil crianças, cada mês adicional de amamentação esteve associado a uma pequena redução nos sintomas de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, mesmo depois que os pesquisadores consideraram genética, condições da gestação e fatores familiares.


O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é uma condição do neurodesenvolvimento que pode causar desatenção, impulsividade e hiperatividade. A genética tem um papel importante, mas fatores presentes durante a gestação e os primeiros anos de vida também podem influenciar o desenvolvimento desses sintomas. 


Como o leite materno contém nutrientes e outras substâncias importantes para o desenvolvimento do cérebro, os pesquisadores quiseram investigar se o tempo de amamentação poderia estar relacionado à intensidade dos sintomas de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade durante a infância.


Para isso, utilizaram informações de 37.643 crianças nascidas na Noruega entre 1999 e 2009. Os dados vieram de um grande estudo que acompanha mães, pais e seus filhos desde a gestação.


Os pesquisadores verificaram, quando as crianças tinham seis meses, por quanto tempo haviam sido amamentadas exclusivamente, ou seja, recebendo principalmente ou somente leite materno, sem alimentos sólidos ou outros líquidos. Depois, acompanharam as crianças e avaliaram seus sintomas de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade aos 3, 5 e 8 anos de idade.



A avaliação dos sintomas foi feita por meio de questionários respondidos pelos pais. Em vez de analisar apenas se a criança tinha ou não um diagnóstico, os pesquisadores observaram a quantidade e a intensidade dos sintomas.


Isso é importante porque características como dificuldade de concentração, impulsividade e hiperatividade existem em diferentes graus na população. Uma criança pode apresentar alguns desses comportamentos sem necessariamente ter um diagnóstico de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.


Um dos principais desafios era descobrir se a associação poderia realmente estar relacionada à amamentação ou se seria explicada por outras características. Por exemplo, mães que amamentam por mais tempo podem apresentar diferenças de escolaridade, condições econômicas, saúde ou outros comportamentos que também influenciam o desenvolvimento infantil.


Para lidar com isso, os pesquisadores ajustaram as análises levando em consideração fatores sociais, características da gestação e do nascimento e a predisposição genética ao transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Eles avaliaram essa predisposição tanto na criança quanto nos pais, usando informações genéticas para estimar o quanto cada participante tinha tendência hereditária para apresentar os sintomas.



Os pesquisadores também fizeram análises adicionais para testar se os resultados continuavam aparecendo quando consideravam possíveis problemas do próprio estudo, como crianças que deixaram de ser acompanhadas. Em outra análise, compararam irmãos da mesma família que tiveram experiências diferentes de amamentação. Essa comparação é interessante porque irmãos compartilham grande parte da genética e muitas características do ambiente familiar. Mesmo depois dessas análises, a associação permaneceu.


Os resultados mostraram que cada mês adicional de amamentação exclusiva esteve associado a uma pequena redução nos sintomas de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. A associação apareceu aos 3, 5 e 8 anos, embora tenha sido um pouco menor à medida que a idade aumentou. Os pesquisadores encontraram resultados semelhantes quando separaram as crianças entre aquelas que receberam apenas leite materno e aquelas que receberam leite materno junto com outros alimentos.



Isso significa que a amamentação pode oferecer algum efeito protetor contra os sintomas de  transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, mas o estudo não prova que amamentar por mais tempo cause essa redução. A genética continua sendo um dos principais fatores envolvidos no transtorno, e muitos outros aspectos da vida da criança também participam desse processo. 


Ainda não se sabe exatamente como o leite materno poderia influenciar esses sintomas. Nutrientes importantes para o desenvolvimento cerebral, componentes que influenciam o sistema imunológico e a comunicação entre intestino e cérebro são algumas das possibilidades que precisam ser investigadas.


O principal resultado do estudo é, portanto, uma associação consistente entre maior duração da amamentação e menor intensidade dos sintomas de transtorno de déficit de atenção/hiperatividade durante a infância.



LEIA MAIS: 


Breastfeeding and Development of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder Symptoms Across Childhood

Berit Skretting Solberg, Anne Lise Brantsæter, Liv Grimstvedt Kvalvik, Catharina A. Hartman, Tian Xie, Kari Klungsøyr, Lin Li, Henrik Larsson, Rolf Gjestad, and Jan Haavik

Biological Psychiatry. 19 June 2026DOI: 10.1016/j.biopsych.2026.06.009


Abstract: 


Studies suggest that breastfeeding may be associated with a reduced risk of childhood attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD). However, determining causality is challenging because potential confounders, including genetic predisposition, may influence this relationship. We prospectively examined the relationship between full (exclusive or predominant) breastfeeding duration and ADHD symptoms in children, accounting for sociodemographic and perinatal factors and polygenic risk of ADHD. We obtained data from 37,643 children (49.1% girls) born from 1999 to 2009 and 18,349 mother-father-child units from the MoBa (Norwegian Mother, Father and Child Cohort Study). We examined the effect of full breastfeeding per month (self-reported when the child was 6 months of age) on parent-rated ADHD symptoms in offspring at 3, 5, and 8 years (multivariate regression models). Measures are expressed as unstandardized regression coefficients (B) with 95% CIs, adjusting for socioeconomic and perinatal factors and ADHD polygenic scores in child, mother, and father. Full breastfeeding per month was significantly associated with lower ADHD symptom scores at all ages (adjusted Bage3 = −0.08 [95% CI, −0.09 to −0.07], Bage5 = −0.07 [95% CI, −0.08 to −0.06], Bage8 = −0.06 [95% CI, −0.07 to −0.05]), indicating that each month of full breastfeeding associated with lower ADHD symptoms. Similar results were observed when we modeled breastfeeding as a categorical variable including both full and partial breastfeeding. Inverse probability weighting, accounting for loss to follow-up, and sibling analyses with discordant breastfeeding exposures, accounting for unmeasured confounding, supported the main results. Our findings suggest that full breastfeeding could partially protect against childhood ADHD symptoms. Further studies are needed to understand the potential mechanisms of the association between breastfeeding and lower ADHD symptoms.

 
 
 

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